Esquiadora ainda tem sequelas de acidente pré-Pequim 2022, mas está ansiosa para a estreia
Esquiadora ainda tem sequelas de acidente pré-Pequim 2022, mas está ansiosa para a estreia

A esquiadora Bruna Moura vai enfim estrear em Jogos Olímpicos na edição de Milão-Cortina 2026, na Itália, ao ser convocada pela Confederação Brasileira de Desportes na Neve (CBDN), nesta segunda-feira (19). Bruna estava garantida nos Jogos de Pequim-2022, na China, mas grave acidente impediu que a brasileira competisse. Recuperada, a atleta vai liderar a equipe de cross-country na Itália.
O Brasil contará com Bruna Moura e Duda Ribera na disputa do esqui cross-country dos Jogos de Milão. As atletas estarão representando o país junto a outros 12 atletas divididos em cinco esportes diferentes. Duda tem 18 anos e vai para a segunda olímpiada na carreira, a esquiadora foi chamada de última hora para os Jogos de Pequim 2022, na China, após Bruna Moura sofrer acidente automobilístico grave.
Este ciclo de Milão-Cortina foi focado na superação de Bruna, além das sequelas graves causadas pelo acidente, como dores no pé, a atleta contraiu toxoplasmose e perdeu 25% da visão. Moura se recuperou a tempo e buscou a vaga em Milão-Cortina, se destacando na parte final da temporada como a principal atleta do país.
Bruna falou como foi o processo de recuperação física e os desafios de se readaptar ao esqui cross-country após o acidente, “na verdade, para esse ciclo a gente sabia quais seriam as minhas vantagens e quais seriam minhas desvantagens, né? Eu tive questões ao longo dos anos, que interferiram no meu treinamento, eu tive que parar por um tempo por uma questão de saúde ou uma questão psicológica.
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“Sem contar, né, o primeiro ano de 2022 e 2023, que foi quase inteiro fazendo o tratamento para retornar após o acidente ainda com fisioterapia, com consultas médicas. Até hoje em dia, eu ainda tenho muitas dores no meu pé esquerdo, ainda uma sequela do acidente, então eu tenho algumas coisas que eu preciso adaptar, mas isso virou parte da rotina, né? A partir de um ponto você precisa se adaptar de alguma forma, se você quiser atingir tal objetivo e ir pro jogo sempre foi meu princípio, não? Ok, o que a gente precisa fazer para amenizar um pouco, ah hoje não tá dando muito certo, vamos fazer um treinamento um pouco mais, de parte superior e tentar deixar o pé relaxado um pouco mais. Então, esse tipo de adaptação a gente teve bastante”, complementou a esquiadora.
A atleta ainda brincou com o fato de não acreditar que está classificada, “caiu a ficha de certa forma, mas eu tô tão feliz que ao mesmo tempo é difícil de acreditar que isso tá acontecendo. Sabia que poderia ser um resultado totalmente diferente totalmente pro outro lado,(…) caiu a ficha ao mesmo tempo que parece surreal. Ontem eu competi na Itália, foi uma prova que não contaria pro ranking, mas eu estava ali então tive que fazer o melhor tempo, porque como eu disse, eu tive um problema com provas de distância no início da temporada e agora que está indo um pouco melhor, eu queria também sentir como que eu tô desempenhando nas provas longas.
“Eu vou ter uma prova longa também em Cortina. E terminar essa prova com o meu segundo melhor resultado de toda a minha carreira, foi muito legal. Tá realmente no caminho certo, uma forma muito boa de terminar esse esse ciclo né, toda essa busca por pontuação, terminar com com os melhores pontos de distance dessa temporada. Eu fiquei muito feliz com isso”, finalizou a brasileira.
A principal disputa na fase final da temporada de Bruna foi contra a compatriota Jaqueline Mourão, multiatleta com oito participações olímpicas que aos 50 anos buscou a nona classificação, que também estava com possibilidade de ocupar a vaga brasileira.
Sobre a briga contra Jaque, Bruna comentou, “eu não tenho como descrever quão feliz eu estou com essa com essa classificação, como o Anders (presidente da CBDN) mesmo mencionou, foi uma disputa muito árdua, muito difícil. Eu já imaginava que seria dessa forma, porque bom, nós estamos falando de Jaqueline Mourão, né? Então, eu sempre tive muito respeito por ela, pela trajetória dela, por todos os resultados que ela que ela atingiu até aqui e eu sabia que essa classificação não viria de forma fácil. Precisava ter uma temporada muito boa.”
“No começo, nas provas de distância não deu muito certo, tive alguns problemas, uma lesão que acabou me afastando das provas de distância na primeira parte da temporada. Então eu tive que focar nos resultados de sprint, o ranking consistia em três provas de cada modalidade e eu fico muito feliz que isso tenha dado certo. Até mesmo durante o ano, a gente já tinha pensado um pouco em um ritmo mais forte por ser sprint, a gente tinha que aprimorar um pouco mais para garantir pontos muito bons, porque já sabia que a diferença para a Jaque nas provas de distância. Independente de qualquer coisa, precisaria tirar um pouco essa vantagem e no final deu tudo certo. Bom ver que o plano deu certo, que apesar de todas essas voltas, essas subidas e descidas dessa montanha russa, não só dessa temporada, mas também de todos esses quatro anos desde o acidente, foi que a gente chegou nesse no final dessa montanha segura e classificada. Isso é muito difícil descrever. Eu tô muito feliz, muito feliz mesmo”, completou Moura.
