Judoca carioca e wrestler amazonense representam talento, diversidade e o futuro do esporte brasileiro na Cerimônia de Abertura
Clarisse Vallim, 15 anos, judoca da categoria 78kg; e Lavozier Marubo, 17 anos, atleta do wrestling na categoria 65kg, são os escolhidos para liderar o Time Brasil na tradicional marcha dos atletas que abre o evento, que acontece neste domingo, 12, no Estádio Rommel Fernández Gutierrez, na Cidade do Panamá, com transmissão na Time Brasil TV no YouTube a partir de 21h (horário de Brasília).
Os dois foram recebidos na Vila dos Atletas pelo presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Marco La Porta; pela Chefe de Missão, a medalhista olímpica no Rio 2016 Poliana Okimoto; pelo diretor-geral do COB, o campeão olímpico em Atenas 2004 Emanuel Rego; e pelo medalhista olímpico no vôlei em Los Angeles 84, Bernard Rajzman. “Chamamos os dois aqui porque é um momento muito importante, uma tradição. Sempre temos dois atletas que são destaques para a Cerimônia de Abertura de Jogos multiesportivos. E agora tenho a honra de anunciar este casal de porta-bandeiras para o Panamá 2026”, disse o presidente La Porta.
A Chefe de Missão, a medalhista olímpica no Rio 2016 Poliana Okimoto, celebrou a escolha. “Imagino que eles sabem o peso que é ser porta-bandeira. É representar o nosso país fora do Brasil, em competições internacionais. Então parabenizo os dois por serem os escolhidos e dizer que esse é realmente um lugar de muita honra. E que possam aproveitar esse momento, que é um momento que fica eternizado na carreira do atleta”, destacou.
São dois jovens que representam o que o Brasil tem de melhor: seu povo. Carioca, Clarisse tem impressionado com bons resultados ainda muito nova. Foi campeã mundial cadete, por exemplo. Já Lavozier vem de Atalaia do Norte, Amazonas. Prata no Pan-americano sub-17 em 2025, ele tem dominado sua categoria o Brasil.
Clarisse começou no judô aos quatro anos por influência do pai e do avô, que também são judocas. Em 2025, foi campeã mundial cadete na sua primeira participação na competição – a categoria contempla jovens até 18 anos e Clarisse foi vencedora aos 14. E pensar que houve um momento em que reclamou tanto de treinar que seu pai permitiu que ela parasse com o esporte. “Uma semana depois, na sexta-feira, eu já estava angustiada para voltar. E aí nunca mais parei”, relembrou.
Clarisse confessou que no retorno aos treinos jamais imaginou carregar a bandeira do Brasil um dia. “Meu pai sempre disse para mim e pro meu irmão para que, independentemente do que nos propuséssemos a fazer, sempre tentarmos fazer o melhor. Essa oportunidade me deixa muito honrada e sinto que consegui cumprir a promessa que eu fiz para ele: de tentar ser sempre melhor no que eu fosse fazer. Estou muito agradecida”, emocionou-se Clarisse.
Já Lavozier vem de Atalaia do Norte, Amazonas. Indígena da etnia Marubo, ligou para a família para contar que foi escolhido para a honraria. Mas não em português. “Eu ainda falo com minha mãe na nossa língua”, conta. Agora com 17 anos, Lavozier tinha 7 quando descobriu a modalidade em um projeto na sua cidade natal com um professor cubano, país com tradição na modalidade. “Eu me interessei, fui bem, comecei a competir pelo Amazonas. Até que o treinador da Seleção Brasileira sub-17 me convidou para mudar pro Rio de Janeiro e treinar lá”, contou. Deixou pais e irmãos em busca do sonho de ser um atleta e na Cerimônia de Abertura dos Jogos Sul-americanos da Juventude Panamá 2025 estará à frente dos atletas do Time Brasil. “Quem sabe um dia estarei carregando a bandeira nos Jogos Olímpicos?”, sonhou Lavozier.
E passada a festa, será hora da ação. “Meu objetivo é sempre alcançar o lugar mais alto do pódio. Independentemente de qualquer coisa. Respeito o adversário, ele também está aqui treinando. Mas quero lugar mais alto e representar bem meu país”, garantiu Lavozier. “E eu vou dar o meu máximo. E que a medalha seja a consequência”, encerrou Clarisse.









