Confira tudo sobre um dos esportes mais radicais dos Jogos Olímpicos de Inverno!
Confira tudo sobre um dos esportes mais radicais dos Jogos Olímpicos de Inverno!

*Por João Vitor Prudente
FICHA TÉCNICA
Local de disputa: Parque de Neve Livigno e o Parque de Aéreo & Moguls Park Livigno
Período: 07/02 a 21/02
Delegações participantes: 25
Total de atletas: 279 vagas (138 homens e 141 mulheres)
Brasil: Sem participantes
O Esqui estilo livre surgiu no início do século XX, através de esquiadores que faziam acrobacias em seus esquis. A modalidade começou a ser organizada na década de 1960, com a realização de suas primeiras competições nos Estados Unidos.
Em 1979, a Federação Internacional de Esqui (FIS) reconheceu o esqui estilo livre e no ano seguinte já organizou a primeira Copa do Mundo da modalidade, com provas de aéreos, moguls e do balé de esqui (ou esqui acrobático).
O primeiro contato do esqui estilo livre em Jogos Olímpicos, veio na edição de Calgary-1988, onde foi um esporte de demonstração. Na edição seguinte, em Albertville-1992, o moguls entrou oficialmente para o programa olímpico. Já o esqui aéreo estreou oficialmente em Lillehammer-1994.

Com a popularidade da modalidade, novas provas foram adicionadas aos poucos, como o esqui cross em 2010, o slopestyle e o halfpipe em 2014 e o big air, presente desde 2022. Em Milão-Cortina 2026, o dual moguls masculino e feminino fará parte do programa olímpico pela primeira vez.
O Canadá é a nação mais bem sucedida no esqui estilo livre com 12 ouros, 12 pratas e seis bronzes. Os Estados Unidos tem mais medalhas, 33, mas tem menos ouros do que o s canadenses – 11. A Suíça está em terceiro com seis ouros, três pratas e quatro bronzes.
David Wise (USA) e Elieen Gu (CHN) são os medalhistas individuais, com dois ouros e uma prata cada. A diferença é que Wise conquistou todas as medalhas no Halfpipe em três jogos olímpicos entre 2014 e 2022 enquanto Gu ganhou as medalhas na mesma olimpíada em Pequim, no Slopestyle, Big Air e Halfpipe.

A China fez a festa no esqui estilo livre competindo em casa. E muito graças a Elieen Gu, que ganhou dois ouros e uma prata. Xu Mengtao e Qi Guangpu forma ouros nos aéreos feminino e masculino respectivamente, além da china levar a prata no evento misto do aéreo.
Estados Unidos (oito medalhas), Suíça (cinco) e Suécia (quatro) foram as outras nações que fizeram bonito em Pequim.
Em Milão-Cortina, serão realizadas 15 provas de esqui estilo livre. Abaixo, explicamos como é a disputa de cada uma delas:
Aéreos: Os atletas fazem saltos acrobáticos e recebem notas pela sua performance. Em cada salto são avaliados nos quesitos: ar, forma e aterrissagem (em uma pista com inclinação de 34 a 39 graus e com cerca de 30 metros de comprimento). As três notas são somadas e multiplicadas pelo valor de dificuldade da manobra executada.
Moguls: No moguls, os atletas descem uma pista cheia de morrinhos de neve (os moguls). No meio da descida, há duas rampas onde os atletas fazem saltos acrobáticos. No final da descida, cada esquiador recebe uma pontuação.
O tempo da descida é transformado em uma pontuação, que vale 15% da total. 25% vêm dos saltos e os outros 60% da pontuação são dados através das notas de juízes que avaliam a técnica do esquiador ao contornar os moguls. No dual moguls, que estreará em 2026, dois atletas competem entre si na mesma pista.
Cross: No esqui-cross os atletas descem uma pista de neve, seguindo um percurso que inclui rampas de saltos e curvas inclinadas. Na primeira fase, os atletas fazem uma tomada de tempo, descendo sozinhos no percurso. A classificação define o chaveamento das fases seguintes, onde os esquiadores competem em baterias eliminatórias, com os dois primeiros colocados avançando até chegar à final.
Halfpipe: Os atletas descem uma pista de 100m a 170m de comprimento e semi-cilíndrica (em formato de “U”), que lembra um cano cortado ao meio. Os esquiadores vão fazendo manobras durante a descida, recebendo notas de 0 a 100 pelo desempenho geral, sendo avaliados pelos juízes nos seguintes quesitos: execução, dificuldade, amplitude, variedade e progressão.
Slopestyle: No slopestyle, os atletas descem uma pista de até 800m realizando várias manobras. O circuito conta com vários obstáculos, como rampas, bunkers e corrimãos, que os esquiadores escolhem como utilizar. O critério de julgamento é baseado na amplitude, na originalidade e na qualidade das acrobacias.

Big Air: Presente pela 2ª vez em Jogos Olímpicos de Inverno, o big air consiste em uma disputa de saltos realizados utilizando uma mega rampa. As notas vão de 0 a 100 e utilizam os mesmos critérios do halfpipe e do slopestyle.
O primeiro brasileiro a competir no esqui estilo livre foi Sérgio Schuller, que em 2009 participou de duas provas de esqui cross na Europa. A estreia do Brasil em Campeonatos Mundiais veio em 2011, com Bruno Monti ficando em 44º lugar no esqui cross. Em 2013, Lucas Vianna ficou em 51º lugar no Slopestyle no Campeonato Mundial.
Pensando em classificar o Brasil para os Jogos Olímpicos de Sochi 2014, a Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) começou um programa de esqui aéreo. As primeiras atletas foram as ex-ginastas Laís Souza e Josi Santos. Elas conseguiram bons resultados em provas internacionais, incluindo dois bronzes de Laís na Copa América do Norte, as primeiras medalhas do Brasil no esqui estilo livre.
As duas conseguiram se classificar para a Olimpíada, porém Laís não conseguiu participar após um acidente em um treino nos Estados Unidos que a deixou tetraplégica. Josi participou da edição Sochi, em 2018, e ficou na 22ª colocação.

Em Pequim 2022, o Brasil contou com a estreia de Sabrina Cass no moguls, com apenas 19 anos. Filha de mãe brasileira e pai estadunidense, a atleta foi 26ª colocada na classificação geral do moguls feminino e ficou de fora da final.
Para Milão-Cortina-2026, o Brasil teve apenas um atleta na disputa pela vaga olímpica. Dominic Bowler, que compete no slopestyle e big air, atingiu o índice para a Copa do Mundo da modalidade, mas não conseguiu a vaga olímpica.
Balé de esqui
Em Calgary 1988 e Albertville 1992 tivemos o Balé de esqui como esporte de demonstração. A modalidade, que se assemelha a patinação artística com saltos e giros em uma coreografia ritmada. O esporte acabou não vingando, com a Federação Internacional de esqui (FIS) organizando competições até 2000.

Hot-dog?
Inicialmente, o esqui estilo livre era chamado de ‘hotdogging’, nada a ver com o famoso sanduíche de pão com salsicha (ou linguiça). Esta é uma gíria da língua inglesa usada quando alguém quer se exibir, agir de maneira extravagante, imprudente ou ousada para chamar a atenção. O nome foi dado devido ao nível de emoção, adrenalina e perigo que as manobras proporcionavam aos seus praticantes.
“Twin-Tip”
A maioria dos esquis estilo livre é do tipo twin-tip, com a ponta e a cauda curvadas para cima. Isso permite que os atletas pousem e esquiem de costas (técnica switch) com a mesma facilidade que para frente.
Masculino

Mikaël Kingsbury: Um dos maiores nomes da história dos moguls, Kingsbury chega a Milão-Cortina como um dos favoritos na prova. O atleta tem mais de 100 vitórias em Copas do Mundo e títulos mundiais em moguls e dual moguls – que, após a inclusão no programa olímpico, eleva o favoritismo de Kingsbury a mais um título olímpico, já que ele é o atual campeão mundial.
Ikuma Horishima: O japonês surge como principal rival as pretensões de ouro de Kingsbury. bronze em Pequim, Horishima é o atual campeão mundial do moguls e líder da copa do mundo 2025/26, ele chega em um momento melhor para Milão-Cortina para brigar pelo ouro.
Li Tianma: Especialista em saltos, Li Tianma é representante de uma prova tradicionalmente dominada pela China (são cinco pódios consecutivos). Na temporada atual da Copa do Mundo, Li venceu a prova individual e por equipes da etapa de Secret Garden (no final de dezembro). Esta foi a segunda dobradinha em Copas, colocando Li, de 24 anos, como um dos favoritos. Sun Jiaxu é outro chinês com chances de ouro no aéreo.
Alex Hall: Campeão em Pequim-2022, o estadunidense tem cinco títulos em Copas do Mundo nos últimos dois anos. O atleta também tem 12 medalhas conquistadas no X Games (três delas no atual ciclo olímpico). Bronze no último mundial no slopestyle, Hall não está em grande fase, mas não pode ser descartado na briga pelo pódio nesta modalidade e no big air.

Ryan Regez: o Suíço é o atual campeão olímpico e mundial do cross, o que o deixa como grande favorito ao ouro em Milão-Cortina. o canadense Reece Howden, líder da Copa do Mundo, pinta como seu principal rival.
Birk Ruud: Grande rival de Alex Hall, o norueguês deve brigar pelo ouro no slopestyle e no big air, com mais chances no primeiro – apesar de que ele é o atual campeão olímpico do segundo. O bicampeonato mundial em 2023/25 no slopestyle o credencia como grande favorito na prova.
Finley Melville Ives: O jovem neozelandês de apenas 19 anos tem sido dominante no halfpipe. Atual campeão mundial e líder da Copa do mundo, ele surge como uma grande aposta para ficar com o ouro olímpico em Milão-Cortina.
Feminino

Eileen Gu: Dona de quatro medalhas de ouro em etapas de Copa do Mundo em 2025, a chinesa foi a mais jovem campeã olímpica do esqui estilo livre, com ouro no big air e no halfpipe em Pequim-2022 e caminha para se tornar a maior medalhista olímpica do esqui estilo livre.
No último ciclo, Gu se dedicou a carreira de modelo e seus estudos na universidade de Stanford, mas nem por pisar um pouco no freio competitivo, ela deve ser descartada das disputas em Milão-Cortina
Xu Mengtao: Outro nome forte da China no esqui estilo livre, Mengtao é uma lenda no aéreo. Atual campeã olímpica, vice mundial e líder da Copa do Mundo, a atleta de 35 anos pinta como favorita para sua quarta medalha olímpica – ela tem mais duas pratas.
Sandra Naslund: Campeã olímpica do cross, a sueca de 29 anos lidera a Copa do Mundo e apesar de não ter subido ao pódio no último mundial, pinta como favorita ao bi em Milão-Cortina.
Perrine Laffont: A francesa, multicampeã mundial no moguls e no dual moguls, vai para Milão-cortina em mais uma tentativa de aumentar sua coleção de medalhas olímpicas – ela só tem um ouro no moguls em Pyeongchang 2018. Com o dual moguls olímpico, suas chances de pódio aumentam.
Mathilde Gremaud: a suíça, atual campeã olímpica e bi mundial no slopestyle, pinta como grande favorita ao ouro na prova em Milão-cortina. Mas no big air, onde ela tem a medalha de bronze em Pequim, é outra possibilidade de pódio para Mathilde.
Zoe Aktin: a Britânica subiu no pódio no halfpipe nos três últimos mundiais e com o ouro em 2025, se credenciou com uma das favoritas na prova em Milão-Cortina.

Flora Tabanelli: A prodígio italiana de apenas 18 anos foi campeã mundial do big air e deve ser a esperança italiana em conseguir uma medalha olímpica em casa no esqui estilo livre, mesmo voltando de lesão e não estando 100%.
07/02
10h30 – Slopestyle masculino – qualificação
14h05 – Slopestyle feminino – qualificação
09/02
13h28 – Slopestyle feminino – finais 🥇
10/02
11h15 – Moguls masculino – qualificação
12:50 – Slopestyle masculino – finais 🥇
14:15 – Moguls feminino – qualificação
12/02
10:00 – Moguls masculino – qualificação
12:15 – Moguls masculino – finais 🥇
14/02
10h30 – Dual moguls feminino – posicionamento
11h46 – Dual moguls feminino – finais 🥇
19h30 – Big air feminino – posicionamento
15/02
10h30 – Dual moguls masculino – posicionamento
11h46 -Dual moguls masculino – finais 🥇
19h30 – Big air masculino – posicionamento
16/02
19h30 – Big air feminino – finais 🥇
17/02
10h45 – Aerials feminino – qualificação
13h30 – Aerials masculino – qualificação
19h30 – Big air masculino – finais 🥇
18/02
11h30 Aerials feminino – finais 🥇
19/02
10h30 – Halfpipe masculino – qualificação
11h30 – Aerials masculino – finais 🥇
19h30 – Halfpipe feminino – qualificação
20/02
10h00 – Ski cross feminino – posicionamento
13h10 – Ski cross feminino – finais 🥇
19h30 – Halfpipe masculino – finais 🥇
12h30 – Halfpipe masculino – qualificação
21/02
10h00 – Ski cross masculino – posicionamento
10h45 – Aerials misto – finais 🥇
12h00 – Ski cross masculino – posicionamento
13h15 – Ski cross masculino – finais 🥇
19h30 – Halfpipe feminino – finais 🥇
*Todos as competições estão no horário de Brasília
