Guia Milão-Cortina 2026: Skeleton

Conheça mais do esporte que mistura trenós, alta velocidade e curvas acentuadas!

Arte de Vitor Pata
Arte de Vitor Pata

Por Duda Castro

FICHA TÉCNICA
Local de disputa:
Centro de Esportes de Deslizamento “Eugenio Monti” (Cortina d’Ampezzo)
Período: 12/02 a 15/02
Delegações participantes: 22
Total de atletas: 50 (25 homens e 25 mulheres)
Brasil: Nicole Silveira

O skeleton é um dos esportes mais radicais dos Jogos Olímpicos de Inverno e um dos três disputados com trenó (ao lado do luge e do bobsled). Nele, os atletas descem a pista de barriga para baixo, cabeça à frente, num trenó sem caixa de direção – controlando velocidade e trajetória por meio de ajustes sutis do corpo, sobretudo ombros e pernas.

As origens do skeleton remontam ao final do século XIX, em St. Moritz, na Suíça. Em 1885, foi construída a lendária Cresta Run, pista natural de gelo com 1.214 metros, considerada até hoje um símbolo do esporte. Dois anos depois, em 1887, atletas passaram a descer o percurso de bruços, dando início à modalidade. O nome Skeleton surgiu em 1892, quando foi criado por um homem chamado Mister Child um novo tipo de trenó com estrutura metálica semelhante a um esqueleto humano.

Por décadas, as competições ficaram restritas a St. Moritz, o que explica a presença do esporte apenas nas edições olímpicas realizadas na cidade: 1928 e 1948. Devido aos riscos e à falta de pistas adequadas, a modalidade ficou fora do programa olímpico por mais de 50 anos, retornando de forma definitiva apenas em Salt Lake City 2002, com provas masculina e feminina.

Antes de iniciar a descida, o atleta inicia em pé, segurando o trenó por alças laterais. Após o sinal verde, ele tem até 30 segundos para começar a corrida, movimento conhecido como “push”. O push inicial dura entre 25 e 40 metros, quando o competidor corre empurrando o trenó antes de se jogar sobre ele de bruços. Para auxiliá-lo na corrida sobre o gelo, seus calçados possuem micro agulhas de até 5 mm de comprimento.

A partir daí, a descida é controlada apenas com ajustes corporais. As provas acontecem na mesma pista utilizada pelo luge e pelo bobsled, com comprimento entre 1.200 e 1.650 metros e inclinação máxima de 12%.

Maiores Vencedores

Estados Unidos e Grã Bretanha estão entre os melhores países no skeleton. Os britânicos tem mais medalhas – nove, sendo três de ouro – e os estadunidenses também tem três ouros, mas oito medalhas. Alemanha com seis medalhas, com dois ouros, fica em terceiro.

Como foi em Pequim?

Só deu Alemanha no Skeleton em Pequim. No masculino, Christopher Grotheer levou o ouro e Axel Jungk foi prata, fazendo a dobradinha germânica. Yan Wengang da China foi bronze. No feminino, Hannah Neise garantiu mais um ouro na Alemanha, com Jaclyn Narracott da Austrália foi prata e Kimberly Bos dos Países Baixos foi bronze.

Como Será em Milão-Cortina?

Serão três eventos olímpicos do skeleton, o masculino, feminino e a equipe mista, novidade para esta olimpíada. Nas provas individuais os atletas realizam quatro descidas, com a soma dos tempos sendo utilizada para determinar os medalhistas. Na prova de equipe mista, cada atleta (um feminino e um masculino) faz uma descida e têm seus tempos somados, vencendo quem conseguir o melhor tempo.

Brasil no skeleton

As atividades do Brasil no skeleton começaram no final da década de 1990, após a fundação da Associação Brasileira de Bobsled, Skeleton e Luge (ABBSL), que deu origem a atual Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG). O primeiro brasileiro a treinar na modalidade foi Leandro Fracasso em 1999. 

Emílio Strapasson foi o primeiro atleta do Brasil a participar de competições oficiais, quando disputou uma etapa da Copa América da modalidade em 2003. Ele competiu por mais de dez anos na modalidade e foi o primeiro brasileiro a disputar um mundial, ficando em 30º lugar em 2011. 

Em 2016, o Brasil teve pela primeira vez representantes no skeleton nos Jogos Olímpicos da Juventude: Robert Barbosa e Laura Amaro (hoje atleta do levantamento de pesos e vice-campeã mundial no arranco) e em 2020 com Lucas Carvalho e Larissa Cândido.

O Brasil vive seu melhor momento na história da modalidade graças à Nicole Silveira. A gaúcha de Rio Grande, que mora e treina no Canadá, se consolidou entre as principais atletas do mundo. Na temporada 2025/2026, Nicole conquistou o bronze na etapa de St. Moritz da Copa do Mundo, pista considerada o berço do esporte. Foi a terceira vez que a brasileira subiu ao pódio em Copas do Mundo – repetindo feitos da temporada passada, quando também foi bronze em St. Moritz e em Pyeongchang.

Além disso, em 2025, ela alcançou um histórico 4º lugar no Campeonato Mundial, melhor resultado do Brasil no skeleton. A brasileira chega a Milão-Cortina como candidata real a disputar medalha, algo inédito para o país nos esportes de trenó.

Curiosidades

O mais lento

Dentre todos os esportes de trenó, o skeleton é o mais lento, pois a posição de pilotagem com o rosto para baixo e a cabeça à frente é menos aerodinâmica do que a posição de pilotagem com o rosto para cima e os pés à frente no luge. As velocidades máximas atingidas por um skeleton ficam na média de 120 a 130 km/h.

O feirante veloz

O skeleton sempre foi o caminho para amador começar a descer de trenó. Um exemplo aconteceu na Olimpíada de St.Moritz em 1948, o itialiano Nino Bibbia foi ouro no skeleton. Sua profissão? Feirante! E ele ainda disputou o bobsled.

Pistas seletas

Segundo o site da Federação Internacional de Bobsled e Skeleton (IBSF), existem 17 pistas de skeleton ativas atualmente, em 12 países, todos no hemisfério norte. A maioria das pistas fazem parte do legado olímpico das cidades que tiveram a modalidade no programa olímpico

Destaques

Feminino

Nicole Silveira: A gaúcha de Rio Grande segue escrevendo a melhor história do Brasil no skeleton. Em 2025, ficou em 4º lugar no Campeonato Mundial, melhor resultado histórico brasileiro na modalidade, e na temporada olímpica conquistou um bronze na etapa de St. Moritz da Copa do Mundo 2025/2026, além de ter resultados consistentes no circuito internacional. Nicole tem chances reais de pódio em Milão-Cortina.

Kim Meylemans: bicampeã europeia e campeã da edição 2025/26 da Copa do Mundo, com três vitórias – primeira belga a vencer a Copa do Mundo de skeleton, a esposa de Nicole Silveira pinta como favorita ao ouro em Milão-Cortina. Quem sabe veremos o casal juntos no pódio?

Jacqueline Pfeifer: Prata em Pyeongchang, Jacqueline teve uma boa temporada com vitórias recentes e segundo lugar no ranking geral da temporada e pinta como principal nome da Alemanha para para brigar pelo ouro. Pfeifer ganhou a etapa de Cortina, onde será disputada a olimpíada, o que pode dar uma vantagem para a alemã. 

Kimberly Bos: Bronze em Pequim e atual campeã mundial, a neerlandesa não fez uma temporada muito boa na última Copa do Mundo, mas não pode ser descartada da briga pelo pódio em Milão-Cortina.

Tabitha Stoecker: vice-campeã europeia e bronze na Copa do mundo 2025/26, a Britânica também está na briga pelo pódio, sendo uma das rivais de Nicole Silveira por medalha

Masculino

Matt Weston: Líder dominante da temporada e atual campeão mundial, o britânico conquistou o título geral da Copa do Mundo 2025/2026 pela terceira vez consecutiva, reforçando seu favoritismo para o ouro em Milão-Cortina. É o nome a ser batido.

Marcus Wyatt: vice-campeão mundial, Wyatt terminou em terceiro na última Copa do Mundo e pinta como um dos principais rivais de Weston pelo ouro. As chances de uma dobradinha britânica em Milão-Cortina são grandes.

Yin Zheng : Consistente e regular ao longo da temporada, o chinês foi vice-campeão da Copa do mundo e pinta como principal ameaça aos britânicos pelo ouro em Milão-Cortina

Axel Jungk: Medalhista de prata em Pequim 2022 e bronze no último mundial, o já veterano alemão segue sendo um dos nomes com chances de pódio em Milão-Cortina.

Calendário*

12/02 

05h30 – Masculino – Bateria 1

07h08 – Masculino – Bateria 2

13/02 

12h00 – Feminino – Bateria 1

13h48 – Feminino – Bateria 2

15h30 – Masculino – Bateria 3

17h05 – Masculino – Bateria 4🥇

14/02 

14h00 – Feminino – Bateria 3

15h44 – Feminino – Bateria 4🥇

15/02

14h00 – Equipe Mista🥇

*Todas as competições estão no horário de Brasília

Redação Surto Olímpico

Redação Surto Olímpico

Desde 2011, vivendo os esportes olímpicos e paralímpicos com intensidade o ano inteiro. Estamos por trás de cada matéria, cobertura e bastidor que conecta atletas e torcedores com informação acessível, atualizada e verdadeira.
Keep in touch with our news & offers

Inscreva-se em nossa Newsletter

Enjoy Unlimited Digital Access

Read trusted, award-winning journalism. Just $2 for 6 months.
Already a subscriber?
Compartilhe este post:

Notícias do seu interesse...

Comments

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *