Ícone do esporte, Bob Burnquist destaca inovação, mudanças nos X Games e reforça o skate como lifestyle.
Nesta segunda-feira teve início a 68ª edição do Congresso Estadual de Municípios da América Latina, que contou com a presença da lenda do skate Bob Burnquist como convidado palestrante, no estande Future Trends & Innovation (2026). O evento reúne lideranças e especialistas para debater desenvolvimento, tecnologia e inovação.
O atleta integrou o painel “A Capital dos Negócios – Inovação e Tecnologia para a São Paulo do Futuro”, apesar de breve, a participação foi impactante e trouxe reflexões sobre o futuro do skate, além de compartilhar experiências relacionadas ao uso de novas tecnologias, sustentabilidade e incentivo a startups no universo esportivo.
Entre os principais pontos abordados, Burnquist destacou sua atuação na reformulação dos X Games, que passa por um processo de renovação.
A proposta inclui a criação de formatos mais inovadores e a possibilidade de uma etapa em São Paulo, já a partir deste ano. O skatista, também relembrou a relação histórica do evento com o país, ao citar a última edição dos X Games no Brasil, que ocorreu em 2013, em Foz do Iguaçu, reforçando a expectativa por um possível retorno ao calendário nacional.
Burnquist comentou sobre o importante papel de startups e iniciativas urbanas no desenvolvimento do setor, e defende uma nova narrativa para o skate, que vá além do caráter competitivo e valorize o lifestyle, o progresso coletivo e as conexões culturais, além disso, ressaltou a necessidade de ampliar a visão sobre o skate, diferenciando-o da lógica exclusivamente olímpica:
“Toda uma liga, chamada X Games League, está sendo criada entendendo as tendências atuais, com o surgimento de novas ligas e formatos. A narrativa olímpica acaba puxando toda a atenção, e parece que tudo gira em torno disso, como se todos estivessem treinando para o ciclo olímpico. Mas o skate é muito mais do que isso. É lifestyle. A Olimpíada é apenas uma das coisas que fazemos. A ideia é construir uma narrativa paralela, que não necessariamente leve à Olimpíada. A Olimpíada está ali, mas a X Games League está aqui.”
Ao responder a uma pergunta do Surto Olímpico sobre o skate nos Jogos Olímpicos — que não faziam parte do cenário competitivo em sua época — e sobre em quais modalidades ele acredita que poderia ter se destacado, Burnquist comentou que o formato olímpico atual não representa toda a diversidade do esporte.
“A modalidade park faz mais sentido dentro do formato atual. Mas o skate tem muitas modalidades, e nas Olimpíadas são só duas. Isso limita a criatividade do esporte. Eu sempre fui mais ligado à Megarrampa, que é mais a minha área. Hoje, a transição está mais próxima do park, então seria o mais viável nesse contexto.”
A participação de Bob Burnquist reforça um momento de transformação no skate, que busca equilibrar visibilidade global, inovação e identidade cultural. Entre o crescimento nos Jogos Olímpicos e iniciativas paralelas como a reformulação dos X Games, o esporte segue ampliando seus horizontes, consolidando-se não apenas como competição, mas como expressão de estilo de vida e movimento cultural.









