Paris 2024: um ano depois, qual o legado dos Jogos olímpicos?

Um ano depois, França já colhe frutos em infraestrutura e popularização do esporte, mas ainda aguarda promessas serem cumpridas

Foto: Wander Roberto/COB
Foto: Wander Roberto/COB

Neste sábado (26) completa um ano da abertura dos Jogos Olímpicos de Paris. A Olimpíada na cidade luz ousou em sua cerimônia de abertura no rio Sena, um dos muitos momentos icônicos daqueles primeiros Jogos usando a cartilha da Agenda 2020, e que foi chamado dos ‘Jogos da retomada’, sendo um sucesso de público com mais de 12 milhões de ignressos vendidos para os Jogos olímpicos e Paralímpicos. Mas agora, passados 365 dias, a grande questão que permeia todas as cidades que foram sedes olímpicas se repete com os franceses: qual o legado dos Jogos? Enumeramos alguns pontos e promessas que foram cumpridas e as que ainda faltam serem realizadas:

Seine-Saint Dennis mudou de patamar

A região do Seine- Saint Dennis, antes uma das mais pobres regiões dos arredores de Paris, foi um dos mais beneficiados. A construção do centro aquático foi lá, assim como a vila olímpica e paralímpica e a vila de mídia. Um projeto de natação foi criado e atende 9.400 crianças de lá.

Mas nem tudo são flores por lá, já que as moradias populares prometidas andam a passos lentos, com apenas 50% dos apartamentos entregues e parte do projeto enfrenta impasses legais e orçamentários, com a previsão de abrir o novo bairro em agosto de 2025 em risco.

Uma nação esportiva

A França aproveitou o embalo das olimpíadas, buscou melhorar sua infraestrutura e criou regras para a inclusão esportiva desde a infância. Foram abertas 5.000 instalações esportivas comunitárias e o “Pass’Sport’, cartão de subsídio para jovens de baixa renda praticarem esportes em clubes, tornou-se política permanente após aumento de 30% na adesão. Outra iniciativa, foi Fundo Impact 2024 , que destinou 47 milhões de euros em apoio a projetos de base.

Outra política nacional mantida foi a exigência de 30 minutos de atividade física diária nas escolas primárias francesas, para incentivar desde cedo a prática de exercícios físicos e assim, encontrar futuros atletas.

Mas ainda faltam pontos a serem melhorados, já que tem reclamações de que muitas das instalações esportivas comunitárias carecem de manutenção e acessibilidade para a prática de esportes para pessoas com deficiência, segundo a imprensa francesa.

Impacto ambiental e financeiro

O Comitê Organizador de Paris divilgou em dezembro que foram os jogos mais sustentáveis da história, emitindo 50% menos carbono do que os Jogos de Londres e Rio de Janeiro – últimas olimpíadas com público, excluindo Tóquio 2020 – com 1,59 milhões de emissão do CO2 nas obras da cidade francesa. Outro feito foi a energia elétrica usada nos Jogos, que veio de fontes 100% renováveis.

Alvo de muitas críticas durante os jogos pela sua qualidade da água, o Rio Sena vem se mostrando um importante legado, compensando mais de um bilhão de euros gasto para retirar o esgoto que era jogado no Rio. Apesar de não estar totalmente limpo, algumas partes foram liberadas para o banho, algo que não acontecia desde 1925. Assim como nas praias, bandeiras informarão se regiões estarão próprias para o banho

Já os gastos totais foram motivos de discussão entre autoridades. No mês passado, um relatório preliminar do Tribunal de Contas francês estimou em quase 6 bilhões o custo do megaevento, sendo 46% despesas de organização, e o restante gastos com infraestrutura. O Comitê Organizador contesta essa conta, dizendo que as contas dos gastos chegam a um terço do estimado.

Foto: Wander Roberto/COB

O Legado é positivo?

Para a população, sim. Segundo a Folha de S. Paulo, 83% dos franceses entrevistados afirmaram em pesquisa que os jogos olímpicos e paralímpicos deixaram uma boa imagem. E pode-se dizer que no mundo também. A ousada Cerimônia de Abertura no Rio Sena, apesar do medo do terrorismo e da chuva, funcionou bem, tendo momentos marcantes, além de imenso balão com a chama olímpica que continuará deslumbrando os parisienses a cada verão até Los Angeles-2028.

A equidade das vagas olímpicas, aumentando a participação feminina, com mais provas do gênero e mistas, e conseguindo que algumas modalidades, com conhecido desequilibrio de vagas, ficasse mais justo para ambos os sexos. Agora, o legado de equidade fica para os próximos jogos, já que a paridade de vagas é só o primeiro passo para a equidade de gênero no esporte. Ter uma mulher na presidência do COI, Kirsty Coventry, deve ajudar na questão.

Apesar de todo o risco envolvido e problemas que acontecem em qualquer olimpíada, os jogos terminaram com saldo positivo. A prova foram osgritos de ‘Tony! Tony!’ exaltando Tony Estanguet, ex-atleta que foi o presidente do comitê organizador na cerimônia de encerramento dos Jogos paralímpicos. Seu sucesso foi tanto que ele chegou a ser cotado para futuro primeiro ministro da França, mas ele resolveu ficar paenas como consultor esportivo, ajudando Los Angeles 2028 e os jogos de inverno nos Alpes Franceses em 2030. O que mostra que os Jogos Olímpicos e Paralímpicos na cidade luz cumpriram o seu papel e as próximas cidades-sede querem seguir o seu caminho.

Marcos Antonio

Marcos Antonio

Pai, Carioca, 40 anos, profissional de TI e cursando jornalismo. Um Fã de basquete e de todos os esportes olímpicos (e alguns não olímpicos também) que faz um trabalho de formiguinha para que todos eles tenham seu espaço. No Surto Olímpico desde 2012.
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