O treinamento fez parte da preparação para o Campeonato Mundial da modalidade, que será disputado em julho, em Hangzhou, na China.
O baiano Márcio Borges, faixa-preta em jiu-jitsu, é um dos 14 atletas que participaram, nesta semana, da segunda etapa de treinamentos da Seleção Brasileira masculina de vôlei sentado, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo.
O grupo permaneceu concentrado até o último domingo, 1º de março, como parte da preparação para o Campeonato Mundial da modalidade, que será disputado em julho, em Hangzhou, na China.
Natural de Cruz das Almas (BA), Márcio se mudou ainda jovem para São Paulo. Sua trajetória no esporte paralímpico começou após um acidente de moto, em 2003, que resultou em múltiplas fraturas na perna esquerda. Depois de sete cirurgias, ele perdeu o movimento do joelho e ficou com um encurtamento de seis centímetros no membro. Em 2007, iniciou no jiu-jitsu convencional e, atualmente, é faixa-preta na modalidade.
O primeiro contato com o vôlei sentado foi em 2011, por meio de um amigo que o apresentou ao SESI-SP, clube que defende até hoje. No início, Márcio acompanhava treinos e partidas enquanto passava pelo processo de formação. Antes de estrear em competições, dedicou-se a um período intenso de treino de fundamentos. Em 2012, disputou o primeiro Campeonato Brasileiro, alcançando o vice-campeonato.
“Ficava no paredão, tocando bola, aprendendo, me dedicando ao máximo. A resiliência é um ponto importante. Fui entendendo como funcionava o esporte paralímpico e descobrindo que eu tinha esse direito de estar ali”, relembra o atleta.
Em 2016, viajou ao Rio de Janeiro para acompanhar os Jogos Paralímpicos das arquibancadas. A experiência reforçou o objetivo de vestir a camisa da Seleção Brasileira. A convocação veio em 2021. No ano seguinte, integrou o grupo que conquistou a medalha de bronze no Campeonato Mundial disputado na Bósnia, sua primeira competição internacional com a equipe.
Em 2024, Márcio viveu um novo capítulo na carreira ao participar dos Jogos Paralímpicos de Paris. “Em 2016 eu estava na arquibancada e, em 2024, estava dentro da quadra representando o Brasil. Participar de uma Paralimpíada é o auge da carreira de um atleta”.
Ao lado dele no período de treinos está o levantador Daniel Yoshizawa, também atleta do SESI-SP. Convocado para a Seleção de base em 2009 e para a principal quatro anos depois, Daniel teve meningite aos 21 anos e passou por amputações nas duas pernas acima do joelho, além de quatro dedos da mão direita e um da esquerda. No currículo, soma seis títulos brasileiros pelo clube e duas medalhas de bronze em Campeonatos Mundiais pela Seleção, em 2018, na Holanda, e em 2022, na Bósnia.
“Foi muito marcante jogar como titular em um Mundial, na Bósnia. Isso me motivou ainda mais a continuar a jornada de dedicação e comprometimento com o voleibol”, destaca Daniel, que se prepara para sua terceira participação em um Campeonato Mundial e ressalta o processo de renovação da equipe.
“Tem alguns atletas veteranos que estiveram comigo, como o Wellington, o Wesley e o Márcio. Fico feliz de estar com eles. E também pela ‘molecada’ que está chegando. Isso é um processo natural de renovação. Eles treinam forte, querem estar aqui. A gente fala que eles são o futuro da modalidade. Daqui a um tempo, vão ‘tocar o barco’. Então, é dedicação o ano inteiro”, completa.
Ao longo da semana, os atletas cumpriram programação com treinos técnicos e táticos em quadra, atividades físicas na academia e exames protocolares voltados ao acompanhamento médico, físico e nutricional. A Seleção Brasileira ainda terá novas fases de preparação ao longo do ano antes do embarque para o Mundial, na China.









