Rússia e Estados Unidos não se importam e nunca vão se importar com a trégua olímpica
Mais uma vez após uma olimpíada de inverno, a trégua olímpica foi rompida. Se após os jogos de Pequim em 2022, a Rússia e Belarus ignoraram o acordo capitaneado pela ONU e pelo COI para invadir a Ucrânia, desta vez Estados Unidos e Israel é que uniram forças para rasgar a trégua e atacar o Irã com mísseis, escarando a grande verdade: A trégua olímpica sempre foi e sempre vai ser uma grande piada para os governantes.
Mas o que é a Trégua olímpica? Ela remete à Grécia antiga, quando em 776 Antes de Cristo foi assinado um acordo chamado de ‘Ekecheiria’, onde a cidade anfitriã dos Jogos Olímpicos não seria atacada ou invadida antes, durante e depois das olimpíadas, para que atletas e jogadoras pudessem viajar para o local e retornar com segurança.

Para as olimpíadas de 1992 em Barcelona, o presidente de COI Juan Antonio Samaranch propôs retornar a trégua olímpica durante os 16 dias de jogos. No ano seguinte, a ONU em Assembleia Geral instou os Estados-Membros a observarem a Trégua Olímpica desde o sétimo dia antes da abertura até o sétimo dia após o encerramento de cada edição dos Jogos Olímpicos.
Mas a trégua sempre teve efeitos nulos para algumas nações. Os Estados Unidos recusou a seguir a trégua em meio as invasões ao Afeganistão e Iraque durante os Jogos Olímpicos de inverno de Salt Lake City 2002, Turim 2006 e Vancouver 2010 e Atenas 2004 e Pequim 2008, e agora rompe a trégua de Milão-Cortina junto de Israel em menos de uma semana do fim dos Jogos Olímpicos, sendo que a trégua olímpica só termina oficialmente uma semana após os Jogos Paralímpicos
Já a Rússia ignorou a trégua em 2008 durante a guerra russo-georgiana e Em Sochi 2014, quando a Rússia anexou a Criméia. Após os Jogos de Pequim, a Rússia rompeu a trégua invadindo novamente à Ucrânia, confronto este que dura até o presente momento.
Os russos e belarussos foram punidos sendo suspensos pelo COI e ficaram de fora de Paris 2024, mas o COI já relaxa a punição e as bandeiras dos países fatalmente não estarão representados nos Jogos Olímpicos. Já o Comitê Paralímpico Internacional (IPC) já perdoou e Rússia e Belarus estarão nos jogos paralímpicos de Milão Cortina.
Estes movimentos indicam o que vai acontecer com mais uma trégua olímpica quebrada: nada. Ao contrário do que fez com a Rússia, o COI não vai mexer com a nação que vai sediar a próxima olimpíada de verão. E nem com Israel, que se arrasta em um longo conflito contra a Palestina e não foi punido.
Provavelmente, não veremos nenhuma declaração crítica contundente da presidente do COI Kirsty Coventry. E o problema vai se informando, pois que garantias um país que não tem uma boa relação diplomática com Estados Unidos vai ter em enviar seus atletas para as olimpíadas em Los Angeles? Aliás já veremos isso neste ano, com a Copa do mundo. O Irã vai poder disputar a competição tranquilamente em solo estadunidense?
A única vez na história moderna em que todas as nações que fazem parte da ONU assinaram a trégua olímpica foi em 2012, para os Jogos Olímpicos de Londres, um raríssimo momento realmente de paz, que dificilmente acontecerá de novo.
Hoje, a trégua olímpica é uma grande piada para grandes nações como Rússia e Estados Unidos, que sempre se acharam maiores do que os ideais olímpicos e historicamente ignoram totalmente esse pacto quase desde que ele ressurgiu nos anos 90. Porque pra eles, a paz entre os povos não importa, somente o poder de ter ‘controle do mundo’ e o dinheiro. Que para Los Angeles, deixem de lado essa trégua, para não virar uma chacota maior do que ela já é.










