O Surto Opina traz um pedido, um desejo e até uma urgência de se ter um torneio a nível WTA no Brasil para aproveitar os grandes nomes consolidados e a nova geração que está surgindo.
O Surto Opina traz um pedido, um desejo e até uma urgência de se ter um torneio a nível WTA no Brasil para aproveitar os grandes nomes consolidados e a nova geração que está surgindo.

Devido ao sucesso do ATP Rio Open 2024 para os tenistas brasileiros, uma questão antiga volta aos grandes debates: por que o Brasil não tem um torneio grande da WTA para contemplar as nossas tenistas? Para entendermos melhor este cenário atual, precisamos dividir este texto em alguns pontos e voltar um pouco no tempo.
Posto todos estes itens para entendermos melhor o porquê de hoje estarmos órfãos de um torneio importante da WTA no Brasil, precisamos agora olhar para o presente e para o futuro do tênis feminino. Hoje temos o efeito Bia Haddad e com a internet, isso pode ser ainda mais bem aproveitado do que foi na época de Maria Esther Bueno. O tênis feminino brasileiro vive a sua melhor fase em quantidade e qualidade da história, e isso pode aumentar.
Atualmente temos a Bia Haddad que já foi top 10 e se mantém no top 20 há mais de dois anos, já ganhou torneios a nível WTA em simples e duplas e chegou na semifinal de Roland Garros. Luisa Stefani é a principal duplista do país, já ganhou diversos torneios de primeira linha, a medalha de bronze nas Olímpiadas de Tóquio e o Australian Open de duplas mistas. Laura Pigossi já foi top 100 e sempre está próxima desta faixa de ranking, também ganhou a medalha de bronze em Tóquio nas duplas com a Stefani. Ingrid Martins é top 50 de duplas e vem em ascensão. Carol Meligeni já foi medalhista de bronze em Pan-Americano.

E aqui está o futuro do tênis feminino brasileiro. Bohrer já tem ranking profissional e vem se destacando nos torneios de início (ITF) e possui apenas 16 anos. Carneiro tem 17 anos e já jogou chaves principais de Grand Slam juvenil. Rivoli tem 15 anos e também tem chamado a atenção nos torneios juvenis; Rivoli e Carneiro já fizeram parte do grupo do Brasil em etapas da Billie Jean King Cup para servirem de parceiras de treino das principais jogadoras e ganharem experiência. Porém, fica com Victoria Barros (14 anos) e Nauhany Silva (13 anos) as grandes expectativas, as duas já vem chamando muito a atenção do tênis, não só nacionalmente, mas do mundo, com títulos e boas campanhas em torneios importantes juvenis, inclusive internacionais. Barros treina na Mouratoglou Academy, uma das principais academias de tênis do mundo e o que se fala é que muito em breve já vai dar os seus primeiros passos no circuito profissional.
Assim como João Fonseca saiu do top 600 para o top 300 com a sua campanha no Rio Open e outros tenistas também conseguiram subir bem no ranking com suas respectivas campanhas, imaginem se essa legião de brasileiras também tivessem um torneio para chamar de seu, o que não poderia acontecer? Torneios de início (ITF) são fundamentais para tenistas jovens darem seus primeiros passos, mas torneios de primeira linha a nível WTA podem impulsionar uma carreira de uma forma muito rápida e inimaginável, sem falar na aproximação delas com a torcida, cobertura da mídia, investimento, patrocínios…
As tenistas do presente merecem um torneio aqui para sentirem esse calor da torcida de forma mais próxima e terem ainda mais chance de subirem em seus rankings, e as mais novas podem muito bem aproveitar esse legado para nunca mais o tênis feminino brasileiro ficar com uma lacuna histórica, como já ficou várias vezes. A hora é essa.