Surto Opina: O que será do futuro do Rio Open? Os desafios que o torneio brasileiro enfrenta

O que tem de concreto sobre o futuro do Rio Open e o que é rumor?

Jockey Club visto de cima. Foto: Rio Open.
Jockey Club visto de cima. Foto: Rio Open.

Muitas dúvidas e dilemas pairam sobre o futuro do Rio Open, desde a mudança de piso, realocação de data no calendário até mesmo o local em que o torneio será realizado. Algumas situações já estão confirmadas como a manutenção do Jockey Club como sede do torneio, porém, haverá mudanças estruturais.

Em vez da quadra Guga Kuerten e a 1 ficarem mais no interior do clube como é desde a estreia em 2014, agora essas duas quadras terão sua capacidade aumentada e irão para dentro da pista de corrida, como tudo isso funcionará na prática ainda é um mistério. O que sabemos é que a quadra principal saíra de 6.200 lugares para quase 10 mil e a quadra 1 de mil assentos para cerca de 3 mil. As demais quadras secundárias também sofrerão ajustes de melhoria para serem aumentadas.

Isso tudo gerará um fluxo maior de pessoas no complexo, o que significa um aumento significativo na venda de ingressos, e essa é sempre uma grande reclamação dos frequentadores e de forma justa, pois sempre esgota muito rápido e muitos ingressos ficam nas mãos de cambistas e como cortesias para patrocinadores.

Outros dois grandes dilemas são sobre a data do torneio e o piso, o Rio Open é disputado no saibro e está localizado num período muito ruim do circuito porque é após o Australian Open e antes da gira norte americana de piso rápido com destaque para os Masters 1000 de Indian Wells e Miami. Com isso, grandes jogadores não querem jogar a gira de saibro sul-americana e tem ficado cada vez mais difícil atrair esses tenistas.

A gira sul-americana era formada pelos ATP 250 de Córdoba, Buenos Aires, o ATP 500 do Rio de Janeiro e fechava com o ATP 250 de Santiago. Em 2024 Córdoba teve sua última edição disputada e posteriormente foi rebaixado para Challenger. Com isso, ficou menos pontos em disputa nesta gira de saibro entre as temporadas de quadra rápida. Muito se ventilou em fortalecer novamente esta gira com novos torneios e manter o saibro, depois falou-se em mudar de data mas mantendo a argila naquela intertemporada de saibro após Wimbledon, cogitaram ir para o piso duro mas sendo jogado nessa mesma época atualmente ou mudar de data e de piso, o que neste momento é o mais próximo de acontecer.

Hoje o maior inimigo do do Rio Open e da América do Sul como um todo é o novo Masters 1000 que vai ocorrer na Arábia Saudita e que será jogado na altura dos torneios sul-americanos. Os árabes estão entrando no circuito com muito dinheiro e ventila-se que eles estão comprando ATP’s 250 e 500 para mudarem completamente o calendário e o circuito do esporte como conhecemos há anos, e isso tudo com o apoio irrestrito do presidente da ATP, o italiano e ex-tenista Andrea Gaudenzi. Com estas decisões, toda a gira da América do Sul está correndo sério risco de ser extinta, e provavelmente apenas o Rio Open se salvará.

Inclusive, o Gaudenzi esteve em Buenos Aires e Rio de Janeiro para acompanhar os torneios e com certeza viu que a América do Sul é certamente um dos poucos lugares que o esporte pode ser expandido. Ele pôde presenciar os dois torneios cheios em diversos jogos, até mesmo em jogos de duplas e qualificatórios. Certamente a vinda dele não foi apenas para presenciar e prestigiar os eventos, e sim, para negociar.

Na semana passada, o jornalista português renomado José Morgado noticiou que o Rio Open seria jogado em julho em quadra dura para servir de preparatório para o US Open. Nada disso ainda foi confirmado oficialmente mas é o rumor mais forte de momento e que faz mais sentido.

A reflexão que fica ao caro leitor é: será que este é o melhor caminho? Mudar de data eu acho mais do que questão de sobrevivência e inteligência, nunca fez sentido jogar no saibro no meio de duas temporadas de quadra dura, mas não daria para colocar este torneio, assim como a gira da América do Sul na época em que se joga saibro? O quanto isso vai impactar na formação de jogadores do continente e no não fortalecimento de torneios da região? Outro ponto a ser abordado é: o circuito já não está cheio de torneios de quadra dura, hoje basicamente 70% é jogado nesta superfície, querem matar um piso tão tradicional do esporte, como o saibro?

Nos resta aguardar para sabermos o futuro do Rio Open e da América do Sul no novo cenário do tênis e as decisões que os novos investidores do esporte com o aval de Andrea Gaudenzi irão tomar a respeito deste esporte tão tradicional e importante.

Carlo Saleme

Carlo Saleme

28 anos, profissional de marketing, analista e redator esportivo. Apaixonado por esportes (dos mais variados tipos) desde criança, muitas das minhas primeiras lembranças são envolvendo acontecimentos esportivos. No Surto desde 2023.
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