Proposta defendida por dirigente da USTA gera dúvidas de Swiatek e Rybakina, enquanto Sabalenka apoia mudança com entusiasmo
A possibilidade de partidas femininas em melhor de cinco sets a partir das quartas de final dos torneios do Grand Slam movimentou o debate no circuito da WTA nesta semana. A ideia foi defendida por Craig Tiley, novo CEO da USTA e antigo diretor do Australian Open, conhecido por incentivar inovações no esporte.
Atualmente, o tênis feminino é disputado em melhor de três sets, enquanto os homens jogam em melhor de cinco nos Grand Slams. Segundo Tiley, pesquisas indicam que o interesse do público cresce à medida que as partidas se prolongam.
A polonesa Iga Swiatek, dona de seis títulos de Grand Slam, mostrou estranhamento com a proposta. “É uma abordagem estranha em um mundo onde tudo está ficando mais rápido”, afirmou durante entrevista em Indian Wells. “Então não sei se o público realmente gostaria disso.”
Swiatek também levantou dúvidas sobre a manutenção do nível técnico ao longo de cinco sets. “Não sei se conseguiríamos manter a qualidade por cinco sets. Os homens são fisicamente mais fortes e lidam melhor com isso”, disse. A número dois ainda ressaltou que seria necessária uma mudança estrutural no calendário: “Nunca treinamos para isso, então precisaríamos mudar todo o calendário, porque os Grand Slams seriam tão duros que não teríamos tempo para nos preparar para outros torneios.”
Campeã do Australian Open, Elena Rybakina concordou com a polonesa. “Você começa em um formato e depois ele fica mais longo. Mentalmente, estar pronta para jogar tantos sets, se chegar a esse ponto, não é fácil”, avaliou. “É um tema complicado e, sendo sincera, como jogadora, eu diria que não gostaria de jogar em melhor de cinco.”
Outras atletas, porém, enxergam a possível mudança como algo favorável. Coco Gauff, campeã de três majors, reconheceu que poderia se beneficiar fisicamente. “Provavelmente me favoreceria, porque estou entre as melhores fisicamente”, comentou. Ainda assim, fez ressalvas: “Eu provavelmente não gostaria de ver isso acontecer e, se acontecesse, preferiria que fosse no torneio inteiro, não só a partir das quartas. Mudar o formato no meio do torneio tira a igualdade das condições.”
Já a número um do mundo Aryna Sabalenka apoiou a ideia sem hesitação. “Sim, vamos fazer isso”, declarou a dona de quatro títulos de Grand Slam. “Sinto que provavelmente teria mais Grand Slams. Fisicamente, sou muito forte e estou confiante de que meu corpo pode lidar com isso. Então vamos nessa.”
De fato, o debate está aberto e, se depender das protagonistas do circuito, qualquer mudança precisará equilibrar espetáculo, igualdade e exigência física em um calendário já cada vez mais apertado.










