Guia Milão-Cortina 2026: Snowboard

Confira tudo sobre o snowboard nos Jogos Olímpicos de Inverno!

Arte de Vitor Pata
Arte de Vitor Pata

Por Marcos Antonio

FICHA TÉCNICA
Local de disputa: Livigno Snow Park
Período: 05 a 18 de fevereiro
Delegações participantes: 26
Total de atletas: 238 atletas (119 homens e 119 mulheres)
Brasil: Pat Burgener e Augustinho Teixeira no Snowboard Halfpipe

Criado nos anos 60 por Sherman Popper, um engenheiro de Michigan que juntou dois esquis criando uma prancha chamada de ‘snurfer’, o snowboard é o único esporte de neve dos Jogos de Inverno a ser praticado com pranchas ao invés de esquis.

Por ser uma mistura divertida de skate, surfe e esqui, o ‘snurfer’ virou um brinquedo de sucesso nos Estados Unidos, e nos anos 70, foram criadas pranchas mais sofisticadas, fazendo o snowboard caminhar naturalmente para se tornar um esporte. Em 1983, aconteceu o seu primeiro Mundial.

Jake Burton, um dos pioneiros do snowboard (foto: Divulgação)

Em 1990, foi criada a Federação Internacional de Snowboard e, em 1994, ela foi aceita como esporte olímpico pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) quando a modalidade passou a ser regida pela Federação Internacional de Esqui (FIS, sigla em inglês). O COI, que buscava deixar os Jogos de inverno mais atrativos para os jovens, viu no snowboard um esporte radical que renovaria o público das olimpíadas.

A modalidade estreou em Jogos Olímpicos em Nagano 1998 sem sequer passar pelo processo de esporte de demonstração, algo inédito até então. No Japão, foram disputadas as provas de slalom gigante e de halfpipe. Atualmente, são disputadas cinco categorias diferentes, em 11 provas. São elas: o slopestyle, big air, halfpipe, slalom gigante paralelo e snowboard cross (individual e equipe mista).

Maiores vencedores

Os Estados Unidos dominam a modalidade desde a sua estreia olímpica em Nagano 1998, com 17 ouros, 8 pratas e 10 bronzes. Suíça (oito ouros) e Áustria e Canadá (com cinco ouros cada) completam o pódio.

Como foi em Pequim?

Áustria e Estados Unidos saíram como os grandes vencedores do snowboard em Pequim, com três ouros e uma prata cada. Como é uma medalha democrática, mais cinco nações saíram com uma medalha de ouro (China, Nova Zelândia, Canadá, Japão e Tchéquia) e no total, 15 países subiram ao pódio.

Anna Gasser se tornou bi olímpica em Pequim (Foto: Jae C. Hong/AP)

Como será em Milão Cortina?

Serão 11 eventos de medalha, cinco em cada gênero e um evento misto nas cinco categorias:

Snowboard Cross: Se trata de uma descida de um percurso de 1,2 km com obstáculos como saltos, curvas e banks (pequenos barrancos). Ele é disputado em duas etapas: A qualificatória, quando os atletas descem sozinhos e são ranqueados pelo melhor tempo, e a eliminatória, em baterias de quatro a seis atletas, que disputam uma corrida juntos, na qual os primeiros colocados avançam para a fase seguinte, até à final

Slalom Gigante Paralelo: Nesta modalidade, dois atletas largam ao mesmo tempo e percorrem o mesmo percurso, que estão paralelos um ao outro, onde quem chegar primeiro vence. Ela é disputada em duas rodadas e o perdedor da primeira rodada larga com a diferença de tempo da chegada na segunda.

Halfpipe: Essa modalidade é disputada em uma pista de neve no formato de “U”, onde os atletas fazem manobras nas extremidades e são julgados pela sua dificuldade. Seu modo de competição é semelhante ao do skate vertical.

Slopestyle: Se o Halfpipe remete ao skate vertical, o Slopestyle se assemelha ao street, mas há algumas diferenças. No skate, as voltas duram 45 segundos e pode fazer o percurso do jeito que bem entender. Já no snowboard o atleta deve começar na linha de partida em meio a saltos e obstáculos como corrimãos, bunkers (um obstáculo que se assemelha a um ‘morrinho’ de neve) e rampas até a chegada, 800 metros depois.

Big Air: Nele, os atletas dão um salto de uma mega rampa e podem fazer apenas uma manobra de grande amplitude e impacto visual. Cada competidor tem direito a dois saltos e o vencedor vem da combinação das notas.

É comum que um atleta dispute mais de uma modalidade. Em Milão-Cortina, inclusive, a qualificação do Big Air e do Slopestyle foi através de ranking combinado, sendo contados como um único evento. Atletas classificados nesses eventos também têm direito à disputar o Halfpipe, e vice-versa, desde que ainda hajam cotas livres (máximo de 30 atletas por evento).

Snowboard no Brasil

O snowboard brasileiro apareceu oficialmente em competições no ano de 1995. Na mesma época foi inaugurada a primeira pista de neve artificial para a prática do esporte no Brasil, em São Roque, no interior de São Paulo.

Apesar da falta de neve, o Brasil é o melhor país da América Latina na modalidade. O melhor resultado brasileiro em Olimpíadas de Inverno veio justamente no snowboard, com Isabel Clark ficando em nono lugar no snowboard cross em Turim 2006. Isabel também disputou os Jogos de Vancouver 2010, Sochi 2014 e PyeongChang 2018.

Isabel Clark é dona do melhor resultado do Brasil em olimpíadas de Inverno (foto: IsabelClark.com.br)

Em Milão Cortina, o Brasil será representado por Pat Burgener e Augustinho Teixeira, ambos no snowboard halfpipe.

Curiosidades

Snowboard In Rio?

Foi no Rio de Janeiro que foi decidido oficialmente que o snowboard viraria modalidade olímpica durante o 39º congresso internacional de esqui, realizado na cidade e organizado pela FIS.

A Primeira medalha olímpica do Brasil

Noah Bethônico foi o responsável pelo primeiro pódio brasileiro nos Jogos Olímpicos de Inverno. Não foi na olimpíada ‘principal’, mas nos Jogos da Juventude, onde o brasileiro foi bronze no snowboard cross em Gangwon 2024.

Shaun White, a lenda

Shaun Wite é uma das lendas do Snowboard (AP Photo/Lee Jin-man)

Maior vencedor da história do X-Games, o estadunidense Shaun White também é o maior medalhista olímpico do snowboard, sendo o único tricampeão da modalidade – ouro no Halfpipe em Turim 2006, Vancouver 2010 e Pyeongchang 2018. Nesta última conquista obteve a maior nota da história olímpica: 97.25.

Ouro quase virou fumaça

Ross Rebagliaci foi o primeiro medalhista olímpico da história do snowboard no slalom gigante, mas ele quase perdeu essa alcunha. O COI retirou sua medalha por conta de um teste antidoping positivo para o princípio ativo da maconha, mas a decisão foi anulada por um tribunal de apelações dois dias depois, resultando na restituição da medalha já que oficialmente o COI não proibia o uso da maconha, o que aconteceu dois meses depois, quando foi criada a ‘regra Rebagliaci’

DESTAQUES

Masculino

Ryoma Kimata: atual campeão mundial no big air e vice no slopestyle, é um dos nomes da armada japonesa do snowboard que deve pegar muitas medalhas em Milão Cortina. Seu compatriota Taiwa Hasegawa deverá ser o seu rival no big air. Hasegawa também tem boas chances no halfpipe

Su Yming: O chinês brilhou na atual temporada da Copa do mundo de snowboard, conquistando o título do Big Air e liderando o slopestyle. Pinta como um dos favoritos ao pódio nas duas provas

Benjamin Karl: O veteraníssimo austríaco de 40 anos, atual campeão olímpico, vai em busca do Bi na Itália e sua quarta medalha olímpica. Atual líder da Copa do mundo de slalom gigante paralelo, ele é o adversário a ser batido nas montanhas de cortina d’Ampezzo

Eliot Groundin: prata em Pequim 2022 e atual campeão mundial no snowboard cross, o canadense de 24 é uma boa aposta para o ouro na prova

Scotty James: O australiano, tetra mundial, vai em busca do seu primeiro ouro olímpico – nas últimas olimpíadas, ele foi bronze e prata. Seu principal desafio será conter a armada japonesa no halfpipe, que vem com quatro nomes fortes com chances de pódio. 

Pat Burgener corre por fora por um pódio do snowboard (foto: Willian Lucas/CBDN)

Pat Burgener: Após disputar duas olimpíadas pela Suíça, Patrick Burgener resolveu  defender o Brasil, país que tem cidadania por ter vivido 10 anos no país onde sua mãe Libanesa se refugiou. Tem chances de brigar pelo pódio, mas vai ter uma forte concorrência dos snowboarders japoneses, em grande fase no momento

Feminino

Chloe Kim: Uma das grandes estrelas desta olimpíada, Chloe Kim está ameaçada de não participar dos jogos por conta de um ombro deslocado. Mas ela prometeu que estará recuperada a tempo, vai brigar pelo tricampeonato olímpico do halfpipe e entrar de vez no olimpo do esporte. Se estiver em condições, é favorita ao ouro.

Chloe Kim deve deve competir no sacrifício em Milão-Cortina (foto: Mike Blake/Reuters)

Anna Gasser: A Austríaca é outra que quer entrar no olimpo do esporte com um tricampeonato olímpico, mas no big Air. Mas Gasser também sofreu uma lesão no ombro, uma luxação, e vem tentando se recuperar a tempo de disputar sua última olimpíada e encerrar sua carreira esportiva com chave de ouro

Zoi Sadowski-Synnott: Campeã olímpica no slopestyle em Pequim, a neozelandesa vai tentar o ouro também no big air, modalidades que ela também é uma das melhores do mundo, mas com a concorrência asiática, principalmente do Japão,não será tarefa fácil.

Ester Ledecka: Um dos grandes nomes do slalom paralelo gigante, a tcheca é o terceiro destaque que vai em busca do tri olímpico. Desta vez a concorrência é forte, mas o título no último no último mundial mostrou que ela ainda é a soberana da prova. É favorita para fazer história

Michela Moioli: A italiana vai ter o fator casa ao seu favor para conquistar o seu segundo ouro olímpico no snowboard cross – o primeiro foi em 2018, em Pyeongchang. Seu duelo deverá ser contra a Britânica Charlotte Banks, que tem rivalizado com ela nos últimos anos. è promessa de bom duelo na neve.

Kokomo Murase: Campeã olímpica no big Air, Murase tem um desafio oposto ao de Sadowski-Synnott – levar o ouro no slopestyle. A jovem de apenas 21 anos não tem conseguido superar a neozelandesa na sua melhor prova, mas como ela também não consegue superar Murase na sua especialidade, a chance de surpresa está reduzida.

CALENDÁRIO*

05/02
15h30 – Big Air masculino, descida classificatória 1
16h15 – Big Air masculino, descida classificatória 2
17h00 – Big Air masculino, descida classificatória 3

07/02
15h30 – Big Air masculino, Final descida 1
15h53 – Big Air masculino, Final descida 2
16h17 – Big Air masculino, Final descida 3🥇

08/02
05h00 – Slalom paralelo gigante feminino, descida de classificação
05h30 – Slalom paralelo gigante masculino, descida de classificação
06h00 – Slalom paralelo gigante feminino, descida eliminatória
06h30 – Slalom paralelo gigante masculino, descida eliminatória
09h00 – Slalom paralelo gigante feminino, oitavas de final
09h24 – Slalom paralelo gigante masculino, oitavas de final
09h48 – Slalom paralelo gigante feminino, quartas de final
10h00 – Slalom paralelo gigante masculino, quartas de final
10h12 – Slalom paralelo gigante feminino, semifinais
10h19 – Slalom paralelo gigante masculino, semifinais
10h26 – Slalom paralelo gigante feminino, disputa do bronze🥉
10h29 – Slalom paralelo gigante feminino, final🥇

10h36 – Slalom paralelo gigante masculino, disputa do bronze🥉
10h39 – Slalom paralelo gigante masculino, final🥇

15h30 – Big Air feminino, descida classificatória 1
16h15 – Big Air feminino, descida classificatória 2
17h00 – Big Air feminino, descida classificatória 3

Ledecka vai em busca do tri olímpico na Itália (foto: FIS)

09/02
15h30 – Big Air feminino, Final descida 1
15h53 – Big Air feminino, Final descida 2
16h17 – Big Air feminino, Final descida 3🥇

11/02
06h30 – Halfpipe feminino, classificação, descida 1
07h30 – Halfpipe feminino, classificação, descida 2
15h30 – Halfpipe masculino, classificação, descida 1
16h30 – Halfpipe masculino, classificação, descida 2

12/02
06h00 – Snowboard Cross masculino, classificação cabeça de chave, descida 1
06h55 – Snowboard Cross masculino, classificação cabeça de chave, descida 2
09h45 – Snowboard Cross masculino, oitavas de final
10h18 – Snowboard Cross masculino, quartas de final
10h39 – Snowboard Cross masculino, semifinais
10h56 – Snowboard Cross masculino, disputa do bronze🥉
11h01 – Snowboard Cross masculino, final🥇

15h30 – Halfpipe feminino, final descida 1
15h59 – Halfpipe feminino, final descida 2
16h28 – Halfpipe feminino, final descida 3🥇

13/02
06h00 – Snowboard Cross feminino, classificação cabeça de chave, descida 1
06h55 – Snowboard Cross feminino, classificação cabeça de chaves descida 2
09h30 – Snowboard Cross feminino, oitavas de final
10h03 – Snowboard Cross feminino, quartas de final
10h24 – Snowboard Cross feminino, semifinais
10h41 – Snowboard Cross feminino, disputa do bronze🥉
10h46 – Snowboard Cross feminino, final🥇

15h30 – Halfpipe masculino, final descida 1
15h59 – Halfpipe masculino, final descida 2
16h28 – Halfpipe masculino, final descida 3🥇

15/02
09h45 – Snowboard cross equipe mista, quartas de final
10h15 – Snowboard cross equipe mista, semifinal
10h35 – Snowboard cross equipe mista, pequena final (disputa do bronze)🥉
10h40 – Snowboard cross equipe mista, grande final🥇

16/02
06h30 – Slopestyle feminino, Classificação, descida 1
07h35 – Slopestyle feminino, Classificação, descida 2
10h00 – Slopestyle masculino, Classificação, descida 1
11h05 – Slopestyle masculino, Classificação, descida 2


17/02
09h00 – Slopestyle feminino, final descida 1
09h27 – Slopestyle feminino, final descida 2
09h54 – Slopestyle feminino, final descida 3🥇

18/02
08h30 – Slopestyle masculino, final descida 1
08h59 – Slopestyle masculino, final descida 2
09h28 – Slopestyle masculino, final descida 3🥇

*Todas as competições estão no horário de Brasília

Redação Surto Olímpico

Redação Surto Olímpico

Desde 2011, vivendo os esportes olímpicos e paralímpicos com intensidade o ano inteiro. Estamos por trás de cada matéria, cobertura e bastidor que conecta atletas e torcedores com informação acessível, atualizada e verdadeira.
Keep in touch with our news & offers

Inscreva-se em nossa Newsletter

Enjoy Unlimited Digital Access

Read trusted, award-winning journalism. Just $2 for 6 months.
Already a subscriber?
Compartilhe este post:

Notícias do seu interesse...

Comments

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *