Por Marcos Antonio
FICHA TÉCNICA
Local de disputa: Livigno Snow Park
Período: 05 a 18 de fevereiro
Delegações participantes: 26
Total de atletas: 238 atletas (119 homens e 119 mulheres)
Brasil: Pat Burgener e Augustinho Teixeira no Snowboard Halfpipe
Criado nos anos 60 por Sherman Popper, um engenheiro de Michigan que juntou dois esquis criando uma prancha chamada de ‘snurfer’, o snowboard é o único esporte de neve dos Jogos de Inverno a ser praticado com pranchas ao invés de esquis.
Por ser uma mistura divertida de skate, surfe e esqui, o ‘snurfer’ virou um brinquedo de sucesso nos Estados Unidos, e nos anos 70, foram criadas pranchas mais sofisticadas, fazendo o snowboard caminhar naturalmente para se tornar um esporte. Em 1983, aconteceu o seu primeiro Mundial.

Em 1990, foi criada a Federação Internacional de Snowboard e, em 1994, ela foi aceita como esporte olímpico pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) quando a modalidade passou a ser regida pela Federação Internacional de Esqui (FIS, sigla em inglês). O COI, que buscava deixar os Jogos de inverno mais atrativos para os jovens, viu no snowboard um esporte radical que renovaria o público das olimpíadas.
A modalidade estreou em Jogos Olímpicos em Nagano 1998 sem sequer passar pelo processo de esporte de demonstração, algo inédito até então. No Japão, foram disputadas as provas de slalom gigante e de halfpipe. Atualmente, são disputadas cinco categorias diferentes, em 11 provas. São elas: o slopestyle, big air, halfpipe, slalom gigante paralelo e snowboard cross (individual e equipe mista).
Maiores vencedores
Os Estados Unidos dominam a modalidade desde a sua estreia olímpica em Nagano 1998, com 17 ouros, 8 pratas e 10 bronzes. Suíça (oito ouros) e Áustria e Canadá (com cinco ouros cada) completam o pódio.
Como foi em Pequim?
Áustria e Estados Unidos saíram como os grandes vencedores do snowboard em Pequim, com três ouros e uma prata cada. Como é uma medalha democrática, mais cinco nações saíram com uma medalha de ouro (China, Nova Zelândia, Canadá, Japão e Tchéquia) e no total, 15 países subiram ao pódio.

Como será em Milão Cortina?
Serão 11 eventos de medalha, cinco em cada gênero e um evento misto nas cinco categorias:
Snowboard Cross: Se trata de uma descida de um percurso de 1,2 km com obstáculos como saltos, curvas e banks (pequenos barrancos). Ele é disputado em duas etapas: A qualificatória, quando os atletas descem sozinhos e são ranqueados pelo melhor tempo, e a eliminatória, em baterias de quatro a seis atletas, que disputam uma corrida juntos, na qual os primeiros colocados avançam para a fase seguinte, até à final
Slalom Gigante Paralelo: Nesta modalidade, dois atletas largam ao mesmo tempo e percorrem o mesmo percurso, que estão paralelos um ao outro, onde quem chegar primeiro vence. Ela é disputada em duas rodadas e o perdedor da primeira rodada larga com a diferença de tempo da chegada na segunda.
Halfpipe: Essa modalidade é disputada em uma pista de neve no formato de “U”, onde os atletas fazem manobras nas extremidades e são julgados pela sua dificuldade. Seu modo de competição é semelhante ao do skate vertical.
Slopestyle: Se o Halfpipe remete ao skate vertical, o Slopestyle se assemelha ao street, mas há algumas diferenças. No skate, as voltas duram 45 segundos e pode fazer o percurso do jeito que bem entender. Já no snowboard o atleta deve começar na linha de partida em meio a saltos e obstáculos como corrimãos, bunkers (um obstáculo que se assemelha a um ‘morrinho’ de neve) e rampas até a chegada, 800 metros depois.
Big Air: Nele, os atletas dão um salto de uma mega rampa e podem fazer apenas uma manobra de grande amplitude e impacto visual. Cada competidor tem direito a dois saltos e o vencedor vem da combinação das notas.
É comum que um atleta dispute mais de uma modalidade. Em Milão-Cortina, inclusive, a qualificação do Big Air e do Slopestyle foi através de ranking combinado, sendo contados como um único evento. Atletas classificados nesses eventos também têm direito à disputar o Halfpipe, e vice-versa, desde que ainda hajam cotas livres (máximo de 30 atletas por evento).
Snowboard no Brasil
O snowboard brasileiro apareceu oficialmente em competições no ano de 1995. Na mesma época foi inaugurada a primeira pista de neve artificial para a prática do esporte no Brasil, em São Roque, no interior de São Paulo.
Apesar da falta de neve, o Brasil é o melhor país da América Latina na modalidade. O melhor resultado brasileiro em Olimpíadas de Inverno veio justamente no snowboard, com Isabel Clark ficando em nono lugar no snowboard cross em Turim 2006. Isabel também disputou os Jogos de Vancouver 2010, Sochi 2014 e PyeongChang 2018.






