Em entrevista, ex-nadadora Fabiola Molina diz: “No Brasil, receber bolsa até estraga o esporte de base. Tem muita pressão nas crianças”

Primeiro episódio da nova temporada do videocast Sport Insider da N Sports tem a ex-nadadora e empresária como convidada de Rodrigo Capelo; ela faz reflexões sobre ser uma mulher de negócios no esporte olímpico e aponta problemas estruturais para a base se desenvolver

Foto: Divulgação/Sport Insider
Foto: Divulgação/Sport Insider

Vai começar a segunda temporada de entrevistas do Sport Insider, com o primeiro episódio disponível a partir desta sexta-feira (13), às 8 horas, no YouTube da N Sports, e às 23 horas nos canais de Fast TV e TV por assinatura, além de Spotify e Deezer. A convidada de Rodrigo Capelo é a ex-nadadora e empresária Fabiola Molina, que também atua como vice-presidente da Federação Aquática Paulista. O programa volta a ser exibido na semana em que é lembrado o Dia Internacional da Mulher e mostra a versatilidade e a competência de quem foi exemplo dentro das piscinas e continua sendo em outras funções.

A ideia de montar uma empresa de roupas para natação surgiu no período em que Fabiola competiu nos Jogos Olímpicos de Sydney 2000. Já pensando na transição de carreira, a então nadadora de costas ouvia reclamações de suas companheiras de raia que ficavam com marcas de sol. Ao lado da mãe, Kelce Molina, fundou uma marca para vender sunquínis com modelagem mais confortável e adequada às necessidades das atletas. Hoje, o empreendimento contempla 50 funcionárias, diversificou os produtos e se reinventou na qualidade para se manter competitiva no mercado em âmbito internacional.

Esse foi apenas um dos diversos assuntos que Rodrigo Capelo abordou com sua convidada. Ela também falou de como enxerga o esporte como política pública no Brasil, com a propriedade de ter sido por três anos Secretária Nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social e conhecer de perto como a área recebe verbas de Brasília.

“O Brasil é privilegiado em termos dos clubes pagarem salários para atletas. Em muitos países isso não existe. Há programas de incentivo, como o Bolsa-Pódio, patrocínios individuais, Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), leis de incentivo municipais e projetos de nível estadual. Na minha época, não tinha ou o acesso era mais difícil”, conta.

A ex-nadadora aponta que há muitas reivindicações para fortalecer essa política também nas categorias de base. Contudo, Fabíola tem uma visão polêmica, pois aponta a necessidade de enxergar o esporte na idade infantil mais como recreação do que obrigação por resultados.

“Muitas pessoas falam que seus filhos não conseguem ir às competições porque o clube não paga. Isso cria uma expectativa de menor aprendiz em uma empresa, que recebe um salário baixo. Isso estraga o esporte de base, porque vira uma necessidade. Desde muito jovem precisa ganhar para sustentar a família. Acaba sendo uma pressão negativa nas crianças para ganhar uma remuneração. Elas terminam abandonando o esporte relativamente cedo, porque há cobrança desde os 11 anos e, quando chegam aos 16, já estão altamente estressadas”, explica.

Redação Surto Olímpico

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Desde 2011, vivendo os esportes olímpicos e paralímpicos com intensidade o ano inteiro. Estamos por trás de cada matéria, cobertura e bastidor que conecta atletas e torcedores com informação acessível, atualizada e verdadeira.
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