“Não participar seria frustrante”, diz André Barbieri ao estrear após acidente; Brasil fecha o biatlo paralímpico

André sofreu um acidente durante os treinamentos na semana passada

Foto: Alessandra Cabral/CPB
Foto: Alessandra Cabral/CPB

O snowboarder gaúcho André Barbieri estreou, nesta sexta-feira, 13, nos Jogos Paralímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026, poucos dias após sofrer uma queda durante um treino oficial de snowboard que o deixou momentaneamente inconsciente. Liberado pela equipe médica da delegação brasileira, o atleta competiu no banked slalom, na classe LL1 (atletas com deficiência significativa em uma perna, como amputação acima do joelho, ou comprometimento em ambas), no Cortina Para Snowboard Park, em Cortina d’Ampezzo.

Cinco atletas brasileiros competiram nesta sexta-feira. Além de Barbieri, a snowboarder gaúcha Vitória Machado também estreou no banked slalom, na classe LL2 (atletas com menor limitação funcional); na prova de perseguição do biatlo, na classe sitting (atletas que competem sentados), os paulistas Guilherme Rocha e Elena Sena, e o paraibano Robelson Lula, fecharam o programa da modalidade nesta edição de Jogos Paralímpicos de Inverno.

Barbieri sofreu um acidente na quinta-feira, 5, durante os treinamentos na pista de snowboard cross, em um ponto do percurso onde outros atletas também se machucaram. O brasileiro foi encaminhado a um hospital em Cortina d’Ampezzo para avaliação clínica e, após evolução positiva no quadro e monitoramento diário da equipe médica da delegação brasileira, recebeu autorização para disputar a prova de banked slalom – ele não pôde competir no cross, no dia 7.

Barbieri terminou na 13ª colocação, com o tempo de 1min11s86 em sua melhor descida. “Não participar seria frustrante. Não sabia se iam me liberar para competir. Depois de todo o trabalho, não participar de nada… Eu estava um pouco frustrado. Mas as coisas acontecem por uma razão e, no fim das contas, eu consegui participar”, afirmou. “Fiz vários testes com a médica, com meu técnico. Estou todo cortado na boca, no nariz, meus ombros estão doendo muito, mas nada disso é desculpa. Hoje era dia de prova. Eu sei que não fiz a melhor performance, mas sou grato por ter participado, por ter representado o Brasil, minha cidade, minha família. Eu queria o pódio, não é o resultado que eu queria, mas sou grato por ter participado”, completou o snowboarder, de Lajeado (RS).

O pódio foi formado pelos norte-americanos Noah Elliott, que ficou com o ouro, e Mike Schultz (bronze); o japonês Daichi Oguri ficou com a medalha de prata.

Na mesma prova, entre as mulheres, a portalegrense Vitória Machado terminou na 12ª colocação, com o tempo de 1min16s42 em sua melhor descida. “É realmente um orgulho estar aqui, representar o Brasil e o Rio Grande do Sul. Na primeira bateria eu fui tranquila, querendo completar a prova. E na segunda já quis baixar o tempo. Estou muito contente por estar aqui. É algo que vou guardar na memória”, afirmou a atleta.

O ouro foi conquistado pela norte-americana Kate Delson, que dividiu o pódio com a holandesa Lisa Bunschoten-Vos, em segundo lugar, e com a conterrânea Brenna Huckaby, terceira colocada.

Já no Tesero Cross-Country Stadium, em Val di Fiemme, nas Dolomitas italianas, palco da última prova do biatlo desta edição dos Jogos Paralímpicos de Inverno, Guilherme Rocha terminou na 15ª colocação, com o tempo de 12min55s9, enquanto o paraibano Robelson Lula concluiu a prova na 21ª posição, com 13min56s6.

A medalha de ouro ficou com o cazaque Yerbol Khamitov, seguido pelo ucraniano Taras Rad, prata, e pelo chinês Liu Zixu, bronze – ele foi o campeão na prova de sprint do cross-country na terça-feira, 10, superando o rondoniense radicado em Jundiaí (SP) Cristian Ribera, que ficou com a prata, a primeira da história do Brasil em Jogos Paralímpicos de Inverno.

“Infelizmente não é o resultado que a gente busca ainda, a gente pode melhorar muito, mas foi a primeira de muitas. Com certeza, vamos voltar, treinar muito e voltar mais forte. A gente está evoluindo aos poucos. Hoje eu estava mais confiante, já fiz várias provas, o corpo está tranquilo, bem preparado, confiante nas curvas, nas descidas, no equipamento. Isso faz com que o resultado seja melhor”, comentou Guilherme.

“Na qualificatória, errei quatro tiros, mas busquei compensar no esqui. Consegui avançar à final. A final de perseguição é a que mais cansa. Terminei com dor no ombro por causa de um movimento errado. Agora, o fisioterapeuta vai dar uma arrumada para a prova de 20 km do esqui cross-country”, afirmou Robelson, referindo-se à última prova destes Jogos, no domingo, 15.

Entre as mulheres, a paulista Elena Sena terminou na 12ª colocação, com o tempo de 17min42s2. O ouro ficou com a norte-americana Kendall Gretsch, seguida pela sul-coreana Kim Yunji, prata, e pela alemã Anja Wicker, bronze.

“A neve estava boa hoje. Estou muito contente. Como eu prometi, acertei todos os tiros da qualificatória e passei para a final. Era o que eu queria mostrar, a capacidade de não desistir, de ir até o final. Mesmo saindo quatro minutos depois na prova de perseguição, tentei alcançar, fiz o mais forte possível”, disse Elena.

A programação brasileira continua neste sábado, 14, novamente em Val di Fiemme, com provas do esqui cross-country. Cristian Ribera, a paranaense Aline Rocha, e o paulista Wellington da Silva, que não competiram nesta sexta-feira, juntam-se a Guilherme Cruz Rocha e Elena Sena, que voltam às provas, já na reta final dos Jogos Paralímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026, que seguem até domingo, 15 de março.

Redação Surto Olímpico

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Desde 2011, vivendo os esportes olímpicos e paralímpicos com intensidade o ano inteiro. Estamos por trás de cada matéria, cobertura e bastidor que conecta atletas e torcedores com informação acessível, atualizada e verdadeira.
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