Wrexham seria o centro nervoso da candidatura olímpica para 2040
A região norte do País de Gales, parte da Grã-Bretanha, planeja candidatura para receber os Jogos Olímpicos em 2040
Em uma reunião em Wrexham, líderes empresariais defenderam a integração da região em uma futura candidatura britânica para os Jogos Olímpicos, proposta pelo Secretário de Transportes do Governo Galês.
A iniciativa foi acolhida pelo grupo empresarial Wrexham Business Professionals como uma alavanca capaz de transformar a economia, o esporte e a conectividade do norte do País de Gales. A proposta é integrar o território a uma grande candidatura conjunta com cidades e administrações do norte da Inglaterra, sob o argumento de que o evento serviria como um horizonte político e técnico para acelerar investimentos anunciados há muito tempo.
Nessa intervenção, segundo o Nation.Cymru, Ken Skates relacionou a possível realização de eventos esportivos no norte do País de Gales à necessidade de ter uma parte fundamental da rede de transportes pronta até a data prevista. Ele resumiu a questão com uma imagem muito concreta ao afirmar que “seja futebol no Hipódromo de Wrexham, seja tiro com arco no Castelo de Chirk, seja vela em Holyhead, precisaríamos ter componentes-chave do transporte implementados até 2040”. O político deixou claro que “isso nos dá um ponto focal no horizonte para concluir todo o trabalho ambicioso que temos que realizar na área de transportes”.
Esse plano inclui mais serviços ferroviários entre Wrexham e Chester, melhorias na linha principal do Norte do País de Gales, o desenvolvimento de uma conexão no estilo metrô entre Wrexham e o centro de Liverpool, uma nova estação para atender o Parque Industrial de Deeside e uma rede de ônibus reforçada. É uma ambição que vai além do esporte e pode representar uma oportunidade de crescimento e maior projeção internacional para toda a região.
Skates também apresentou a operação como um amplo esforço político e, como explica o Nation.Cymru, defendeu uma estreita colaboração entre o Governo Galês, o Governo do Reino Unido, as autoridades locais e os prefeitos metropolitanos ingleses. “A parceria não se resume apenas ao Governo Galês e ao Governo do Reino Unido; também envolve o governo local e os prefeitos metropolitanos do outro lado da fronteira”, disse ele.
“Será uma candidatura do norte, uma candidatura da Grande Região Norte, que se estenderá de Holyhead até Hull.” Ele também explicou que não se tratava simplesmente de organizar “uma grande festa em torno do esporte”, mas de criar um objetivo comum capaz de sustentar as políticas de desenvolvimento e perdurar além dos curtos prazos de cada ciclo eleitoral.
O ministro vinculou essa possível candidatura a outros projetos já em andamento ou em fase de preparação em Wrexham e arredores. Skates citou o plano Wrexham Gateway, de £100 milhões (€115 milhões), a ambição da cidade de se tornar Cidade da Cultura em 2029 e a atenção internacional gerada pela ascensão do Wrexham AFC e pela revitalização do Racecourse Ground. Nesse contexto, ele argumentou, segundo o veículo de imprensa galês, que “acho que as estrelas se alinharam muito bem”, uma ideia que ele concluiu com outra frase reveladora: “Tudo se resume ao legado, ao que vem a seguir”.
O apelo ao tecido social e econômico foi direto. Skates incentivou as empresas a se envolverem e a contatarem organizações equivalentes em todo o norte da Grã-Bretanha, convicto de que “uma candidatura apoiada por empresas de todo o norte seria brilhante”. Na opinião dele, sediar eventos ao longo desse trecho ajudaria a promover o país, impulsionar o turismo, atrair investimentos, melhorar a infraestrutura e modernizar as instalações esportivas, além de inspirar jovens atletas.
Esse apoio empresarial também veio de Ian Edwards, da Wrexham Business Professionals, que afirmou que “empresas em todo o norte do País de Gales enxergam o enorme potencial de fazer parte da candidatura olímpica da Grande Região Norte”. Conforme relatado pelo Nation.Cymru, Edwards argumentou que levar os eventos para lugares como Wrexham, Chirk ou Holyhead colocaria a região no centro das atenções internacionais, ao mesmo tempo que aceleraria o investimento em transporte, turismo e instalações esportivas.
Louise Harper, também ligada à WBP, corroborou essa ideia, dizendo: “A ideia de Olimpíadas se estendendo de Holyhead a Hull é extremamente empolgante e algo que a comunidade empresarial apoia fortemente”, com um legado duradouro para as comunidades e os jovens, graças a melhores conexões e instalações reformadas.
A sequência, na realidade, já vinha sendo planejada há semanas. Em fevereiro passado, o WalesOnline já havia noticiado que Skates defendia a inclusão do País de Gales em uma candidatura conjunta com os líderes regionais ingleses e, na época, falava-se em Jogos “que se estenderiam de Holyhead a Hull”, com Holyhead como opção para a vela e o Racecourse Ground, sede do Wrexham AFC, como possível sede para o futebol. A ideia agora deu um passo adiante, conquistando apoio público e explícito de líderes empresariais do norte do País de Gales, que a apresentam não apenas como uma aspiração esportiva, mas também como uma ferramenta para a transformação territorial.









