Caio Bonfim é um grande personagem do esporte olímpico brasileiro. E além de ser um grande atleta, o cara que botou o Brasil no mapa da marcha atlética mundial, ele tem o dom da oratória. Sempre paro para ouvir suas entrevistas e mesmo exausto após conquistar o bronze no Mundial de marcha atlética em Brasília (DF), parou para falar com a TV Globo e com toda sinceridade, falou do medo em não conseguir ir ao pódio e soltou a frase que me fez pensar: ’Medalha não tem cor’ . Em uma sociedade tão desgastada com excesso de estímulos, será que o público ainda é capaz de enxergar o valor de uma medalha que não seja dourada?
Acredito que ele tenha falado isso porque as expectativas sobre ele eram altas. Afinal, medalhista olímpico e campeão mundial, Caio competia literalmente em casa, ele é natural de Brasília (DF). Mas muita gente se esquece que ele não compete sozinho e nem a vitória era garantida. Ele mesmo citou que na marcha atlética, um bolo de 20 atletas pode vencer a prova. E por mais que ficasse uma frustração – compreensível até – as críticas são injustas, porque ficou claro que ele deu tudo de si para chegar naquele pódio, cruzando a linha de chegada exausto. Mas pro torcedor médio – ou até o especialista- ele ’amarelou’. Sendo que às vezes a diferença para a cor de uma medalha são poucos segundos, ou até milésimos, dependendo da prova

