O continente africano nunca sediou os Jogos Olímpicos
O Comitê Olímpico da África do Sul prepara o caminho para tentar sediar os Jogos Olímpicos.
A entidade está preparando a apresentação formal, em junho, de seu interesse em sediar os Jogos Olímpicos de 2036 ou 2040 ao COI, com apoio governamental e um modelo compartilhado envolvendo Cidade do Cabo, Joanesburgo e Durban.
A iniciativa abre uma corrida política, econômica e esportiva de enorme importância, como alertou Barry Hendricks, presidente da Confederação Esportiva e Comitê Olímpico da África do Sul, em declarações à SABC Sport. Ele afirmou que o projeto exigirá bilhões e que mesmo a fase preliminar envolverá gastos consideráveis. O apoio estatal, portanto, será decisivo tanto para sustentar a candidatura quanto para garantir a realização dos Jogos em uma eventual sede.
O modelo proposto visa distribuir as instalações e as responsabilidades, de modo que todo o ônus não recaia sobre uma única cidade. Hendricks citou a experiência francesa como um possível roteiro para a África do Sul. “Se você observar o que aconteceu em Paris, na França, os Jogos foram realizados tanto em Paris quanto em algumas cidades fora de Paris e da França. Portanto, é possível, já que a África do Sul é relativamente pequena”, observou. “Se analisarmos as últimas Olimpíadas, o surfe aconteceu em uma ilha muito, muito distante, então estamos bastante confortáveis com o modelo híbrido.”
Com o cronograma cada vez mais apertado, Hendricks disse à SABC Sport que a federação já havia tomado medidas prévias no exterior e agora estava entrando na fase de organização interna para não perder tempo. “Fomos a Lucerna no ano passado, recebemos a aprovação, eles nos informaram sobre o processo e então esperamos a aprovação do gabinete. Obtivemos essa aprovação e agora estamos começando a montar uma equipe”, disse ele. A ambição, além disso, não se limita a um único ciclo: se a opção de 2036 não se concretizar, a atenção se voltará para 2040.
Mas a iniciativa vai além da preparação de um dossiê de candidatura. Uma segunda frente está se abrindo com a criação de uma estrutura destinada a sustentar a ambição olímpica da África do Sul além de qualquer data específica. Hendricks confirmou que o SASCOC lançará uma fundação olímpica e paralímpica com o objetivo de fortalecer o desenvolvimento esportivo e reforçar a credibilidade internacional do país em futuros processos de seleção.
A fonte oficial informou à SABC Sport que a fundação começará com apoio externo e uma estrutura de liderança dedicada. “Vamos lançar a Fundação Olímpica e Paralímpica Sul-Africana, trabalhando com o ex-CEO da Fundação Nelson Mandela como prestador de serviços para desenvolver o documento conceitual original e o programa de ação”, disse Hendricks. “Também nomearemos um conselho para orientar seu trabalho.” O novo órgão faz parte de uma estratégia de longo prazo para construir uma base mais estável para atletas, programas e grandes eventos.
Nesse contexto, 2026 parece menos um ano de transição do que um de intensa preparação. No horizonte imediato está a participação da África do Sul em competições internacionais como os Jogos Olímpicos da Juventude de Inverno e os Jogos da Commonwealth em Glasgow, agendados para 23 de julho a 2 de agosto, bem como a possível visita da presidente do Comitê Olímpico Internacional, Kirsty Coventry, que ainda não visitou oficialmente o país desde sua eleição em 2025.









