A World Aquatics autorizou o uso dos símbolos de Rússia e Belarus em abril
A Federação Europeia de Esportes Aquáticos solicita adiamento do retorno de atletas da Rússia e da Bielorrússia
Após a reunião do Bureau na quinta-feira, a federação continental solicitou que a implementação do novo regulamento AQUA, que permite que atletas de ambos os países compitam sob suas bandeiras e hinos nacionais, seja adiada até 1º de setembro.
A consequência imediata seria a manutenção do princípio da neutralidade em torneios continentais durante todo o verão, incluindo o Campeonato Europeu de Paris 2026, programado para acontecer na França de 31 de julho a 16 de agosto e que contará com natação, saltos ornamentais, águas abertas e natação artística. Não se trata de impedir a participação de atletas já autorizados, mas sim de evitar, pelo menos até depois do campeonato, o retorno dos uniformes, bandeiras e hinos nacionais.
A declaração oficial da Federação Europeia de Esportes Aquáticos fundamenta o pedido no “regulamento AQUA recentemente aprovado referente à participação de atletas da Rússia e da Bielorrússia em competições aquáticas internacionais”. A federação reconhece que a regra permite “o retorno desses atletas à participação plena em todas as modalidades aquáticas”, mas pede que ela não seja aplicada em sua jurisdição antes da data estabelecida; em outras palavras, que não seja “implementada pela Federação Europeia de Esportes Aquáticos até 1º de setembro de 2026”.
Até lá, a entidade continental deseja preservar o quadro atual. A declaração não deixa margem para ambiguidades: “Até essa data, atletas e equipes da Rússia e da Bielorrússia que foram aprovados de acordo com os critérios de elegibilidade existentes continuarão podendo competir em competições da Federação Europeia de Esportes Aquáticos exclusivamente sob o status de Atletas Neutros Individuais”. Essa fórmula permitiria que aqueles que passarem pelas verificações existentes continuassem competindo, embora sem a representação completa de seus respectivos países.
A iniciativa surge após a Federação Mundial de Esportes Aquáticos anunciar, em 13 de abril, uma grande mudança na política aplicada desde a guerra na Ucrânia. A federação internacional afirmou na época que os atletas seniores com nacionalidade russa ou bielorrussa não estariam mais sujeitos às diretrizes excepcionais aprovadas para um “período de conflito político” e poderiam competir novamente “vestindo seus respectivos uniformes, hasteando suas respectivas bandeiras e executando seus respectivos hinos nacionais, da mesma forma que seus colegas que representam outras nações esportivas”.
A World Aquatics defendeu a medida como resultado de uma decisão de seu Conselho, tomada em consulta com a Unidade de Integridade Aquática (AQIU) e o Comitê de Atletas. O presidente, Husain Al Musallam, argumentou que, nos últimos três anos, a federação e a AQIU ajudaram a manter os conflitos fora dos locais de competição, uma ideia que ele usou para justificar o retorno dos símbolos nacionais sob supervisão.
A reabertura, no entanto, não foi apresentada como uma anistia automática. Os atletas devem realizar pelo menos quatro testes antidoping consecutivos em cooperação com a Agência Internacional de Testes e passar pelas verificações de antecedentes da AQIU antes de competir com os símbolos nacionais. A federação internacional também lembrou que mais de 700 testes foram realizados em atletas com nacionalidade esportiva russa ou bielorrussa desde 2023, quando o retorno como Atletas Neutros Individuais teve início.
O processo avançou em etapas. Após a exclusão de eventos globais decretada em março de 2022, juntamente com a retirada do direito de sediar competições, a via neutra foi aberta primeiro. Em 2024, equipes neutras foram autorizadas a participar de revezamentos de natação, duetos de saltos ornamentais sincronizados e eventos de natação artística; em 2025, isso foi estendido ao polo aquático; e em fevereiro de 2026, os juniores foram autorizados a representar seus países novamente.
Essa aceleração já teve efeitos visíveis. A seleção russa feminina de polo aquático competiu na segunda divisão da Copa do Mundo e garantiu uma vaga na Super Final, enquanto atletas de polo aquático e natação artística apareceram recentemente sob as bandeiras nacionais. Ao mesmo tempo, a seleção ucraniana masculina de polo aquático se recusou a jogar uma partida da Copa do Mundo contra uma equipe russa em Malta. A Federação Internacional de Esportes Aquáticos (World Aquatics) concedeu a vitória à Rússia por 5 a 0 porque a Ucrânia “optou voluntariamente por não participar”.
O pedido europeu reflete uma sensibilidade particularmente aguda no continente. Em dezembro, no Campeonato Europeu de Natação em Piscina Curta, em Lublin, nenhum nadador de origem russa ou bielorrussa competiu, e nas últimas semanas federações como as da Polônia e da Noruega alertaram para possíveis boicotes ou para a recusa em sediar competições já agendadas caso o retorno total fosse imposto imediatamente. A posição da Ucrânia também tem peso: seu Ministro da Juventude e Esportes, Matvii Bidnyi, condenou a decisão internacional, afirmando que devolver a bandeira a um país que desrespeita as regras “é um alerta para toda a comunidade esportiva”.
Na Rússia, por outro lado, a medida da Federação Internacional de Esportes Aquáticos foi interpretada como uma normalização às vésperas do ciclo olímpico de Los Angeles 2028. O Ministro do Esporte, Mikhail Degtyaryov, agradeceu a Al Musallam por sua “firmeza”.
O Comitê Olímpico Internacional, por sua vez, lembrou que cabe a cada federação internacional decidir sobre os símbolos nacionais fora dos Jogos Olímpicos. Com seu pedido, a Federação Europeia de Esportes Aquáticos busca separar o calendário continental dessa normalização imediata e adiar qualquer retorno completo para depois do verão.









