Fim de uma era: Shamell se aposenta como maior cestinha da história do NBB

Após mais de duas décadas no basquete brasileiro, o agora ex-ala-armador do Caxias se despede das quadras com marca histórica, títulos e camisa aposentada em Mogi das Cruzes

Fim de uma era: Shamell se aposenta como maior cestinha da história do NBB
Shamell defendia o Caxias desde 2024 e participou de todas as edições do NBB até 2026 (Foto: Vinicius Schmidt/Metrópoles)

A apertada derrota do Caxias do Sul Basquete para o Caixa/Brasília, consumada no estouro do cronômetro na noite de quinta-feira (30) na Arena BRB Nilson Nelson, na capital federal, não só decretou a eliminação da equipe gaúcha nas oitavas de final, como também marcou a aposentadoria de Shamell, um dos maiores nomes da história do NBB.

Apesar do resultado negativo, o ala-armador marcou 14 pontos e, como de costume, foi o principal pontuador da equipe — juntamente ao armador Augusto — em sua despedida.

Maior cestinha de todos os tempos do NBB, Shamell é o único jogador a ultrapassar os nove mil pontos, com 9.959 e média de 16,65 por jogo. Presente em todas as 18 edições da liga, acumula 598 partidas (quarta maior marca) e 15 participações no Jogo das Estrelas, atrás apenas de Alex Garcia, que soma 16 aparições.

Shamell trabalhou com o atual treinador da seleção brasileira no início da carreira

Nascido em 7 de setembro de 1980, em Fresno, na Califórnia (EUA), Shamell Jermaine Stallworth atuou por quatro temporadas na NCAA (principal campeonato universitário norte-americano) pela Universidade de San Francisco e se formou em psicologia e business & marketing antes de iniciar a carreira profissional. Chegou a realizar treinos no New Jersey Nets (atual Brooklyn Nets), Sacramento Kings e Golden State Warriors, mas não foi selecionado no Draft da NBA.

Após um rápido período na Europa, Shamell recebeu, em 2004, uma proposta do Uniara/Araraquara e encontrou no Brasil o cenário ideal para se desenvolver e se destacar. Ao fim da temporada, foi contratado pelo Paulistano, onde atuou até 2007 e trabalhou pela primeira vez com Claudio Mortari, então diretor do clube. O bom relacionamento entre ambos fez com que a parceria se repetisse de 2009 a 2014, no Pinheiros, desta vez com Mortari como seu técnico.

Ao se transferir para o KK Zadar, o estadunidense foi comandado por Aleksandar Petrovic, atual treinador da seleção brasileira, e faturou o título croata, além de alcançar as semifinais da Liga Europa.

Em 2008, teve uma experiência de apenas cinco meses pelo Zhejiang, da China, mas, sem conseguir se adaptar, retornou ao Brasil. Na sequência, defendeu Limeira, Pinheiros, Mogi das Cruzes, São Paulo e, por fim, Caxias do Sul.

Títulos no Brasil e camisa aposentada em Mogi das Cruzes

Ao longo da carreira em solo brasileiro, “Showmell” conquistou títulos continentais e estaduais. Foi campeão e MVP da Liga das Américas (atual Basketball Champions League Americas) em 2013 pelo Pinheiros e vice-campeão Intercontinental na mesma temporada. Nove anos depois, voltou a levantar o troféu da BCLA pelo São Paulo.

Os títulos do Campeonato Paulista vieram por Limeira, Pinheiros, Mogi das Cruzes e São Paulo, além da conquista da Liga Sul-Americana com o Mogi, em 2016. Apesar do protagonismo, nunca venceu o NBB, tendo como melhor campanha o vice-campeonato na temporada 2017/18, também pelo clube mogiano.

A ligação com o Mogi Basquete se tornou uma das mais emblemáticas de sua carreira. Com duas passagens, entre 2014 e 2019 e na temporada 2023/24, Shamell foi homenageado em 24 de dezembro de 2025, quando se tornou o primeiro jogador a ter a camisa aposentada pelo clube. A cerimônia foi realizada na cidade paulista durante o intervalo da partida contra o Caxias do Sul, no ginásio Professor Hugo Ramos.

Shamell teve a camisa 24 aposentada pelo Mogi Basquete (Foto: reprodução/William Oliveira)

Aos 45 anos, o ex-jogador projeta os próximos passos fora das quadras. Em entrevista recente ao repórter Rômulo Maia, do Metrópoles Esportes, revelou o desejo de seguir no basquete como treinador. “Eu quero ser treinador, tenho duas escolinhas nos Estados Unidos que estão indo bem, quero seguir ajudando o basquete brasileiro e devolver as coisas boas que recebi aqui”, afirmou.

Thiago Chaguri

Thiago Chaguri

Jornalista apaixonado pelas emoções, histórias e diversidades estratégicas que os esportes proporcionam. Teve passagem pelo veículo Torcedores e está no Surto Olímpico desde março de 2025.
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