Presidente da federação polonesa de vôlei achava que retorno da Rússia as competições era fake news

O COI levantou de forma provisória a suspensão russa no último dia 7

Foto:  Jacek Marczewski / Agencja Wyborcza.pl
Foto: Jacek Marczewski / Agencja Wyborcza.pl

O presidente da federação polonesa de vôlei achava que retorno da Rússia as competições era fake news.

Sebastian Świderski revelou que a decisão do Comitê Olímpico Internacional de readmitir a nação eurasiática foi frustrante e o surpreendeu.

“Ninguém entrou em contato conosco. Acho que soube da decisão do COI pelas redes sociais. Nenhuma informação oficial nos foi enviada. Tive certeza de que era fake news. Confirmei a informação por meio de rumores. Agora aguardo uma ligação da Volleyball World para ouvir uma explicação”, disse ele, segundo relatos, em entrevista à TVP Sport.

O COI anunciou, em 7 de julho, a suspensão provisória das sanções impostas à Rússia, mesmo enquanto o país continua a travar uma guerra contra a Ucrânia — nação que também faz fronteira com a Polônia. Świderski classificou a decisão de readmitir atletas russos como “estranha”, observando que “nada mudou em nossa fronteira leste”.

“Convido os senhores que tomaram essa decisão a visitar a Ucrânia para que possam ver como é o dia a dia por lá. Fico imaginando como eles reagiriam se a Rússia atacasse o próprio país deles e se tomariam decisões assim tão rapidamente nessas circunstâncias”, acrescentou.

Poucos dias após o anúncio da decisão do COI, a FIVB justificou a readmissão com base no direito dos atletas de praticar esportes. “Essa abordagem reflete o compromisso da FIVB em proteger o direito fundamental dos atletas de praticar esportes, independentemente de sua nacionalidade”, afirmou a entidade máxima da modalidade.

“Fiquei chocado. Há apenas duas semanas, estive em uma reunião no Ministério do Esporte e Turismo com Ugo Valensi, chefe da Volleyball World (responsável pela organização de torneios internacionais sob a égide da FIVB). Quando questionado sobre a participação de russos e bielorrussos no Campeonato Mundial do ano que vem, na Polônia, ele respondeu que muito dependia do COI, mas que a decisão sobre o retorno deles às competições não ocorreria tão cedo.”

“No entanto, duas semanas se passaram e recebemos essa notícia. Ontem, Valensi me ligou para pedir desculpas. Ele enfatizou que tudo aconteceu fora de seu controle”, revelou Świderski ao Przegląd Sportowy.

Świderski acrescentou que eles enviariam uma carta à FIVB reiterando a posição de longa data da federação polonesa contra a disputa de competições com equipes russas. “Prezado Presidente, em nome da Federação Polonesa de Voleibol e da comunidade do voleibol na Polônia, gostaria de informar que, à luz da invasão da Ucrânia, não vemos qualquer possibilidade de participar de competições esportivas contra equipes da Rússia e de países que apoiam a agressão do Kremlin”, dizia a carta.

O ex-jogador de vôlei também ressaltou que a participação da Rússia na Polônia é impossível devido a decisões políticas: os jogadores de vôlei daquele país não receberão vistos nem autorizações de residência. Świderski, no entanto, prevê pressão por parte da FIVB. Ele acrescentou que, caso a Polônia perca o direito de sediar o evento por não receber os russos no Campeonato Mundial, a federação exigirá compensação por todas as despesas incorridas durante a preparação e a promoção do campeonato.

Świderski também comentou sobre o sistema de ranking, uma vez que os pontos da Rússia foram “descongelados” e retornaram ao patamar anterior às sanções, colocando a equipe na terceira posição.

“Para mim, isso é uma farsa do sistema. Se alguém é removido da competição, deveria começar a acumular pontos do zero. Em vez disso, basta que nós ou a Itália tropecemos em algumas partidas e percamos pontos para que os russos saltem para o primeiro lugar. Além disso, como os pontos acumulados anteriormente pelos russos foram restaurados, isso significa que vale a pena ficar fora das quadras por quatro anos e retornar à competição pouco antes das Olimpíadas. Ao manter seus pontos, é possível se classificar facilmente para os Jogos de Los Angeles graças a um ranking suficientemente alto. Com essa decisão, a FIVB provou que não valeu a pena para algumas equipes competirem durante todo esse tempo e lutarem por esses pontos preciosos”, disse o ex-atleta olímpico.

Świderski enfatizou que a federação ainda aguarda a confirmação da FIVB, ressaltando que “a questão da exibição das cores nacionais e da execução do hino seria resolvida em consulta com as organizações esportivas internacionais competentes”.

Regys Silva

Regys Silva

O surtado original. Criador do site em 2011 e louco pelas disputas da final olímpica do badminton até a final C do skiff simples do remo.Cearense e você pode me achar em Regys_Silva
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