A possível realização dos Jogos em 2038 já tinha uma presença considerável no debate público suíço. Três em cada quatro entrevistados disseram ter ouvido falar da candidatura, e uma grande parcela da população sabia que o projeto planejava distribuir as competições por diferentes locais do país. Em contrapartida, elementos essenciais como a estrutura financeira ou o compromisso de utilizar a infraestrutura existente ainda não eram tão amplamente conhecidos. O interesse em competições de inverno de elite também favoreceu o projeto, com 77% dos entrevistados tendo acompanhado o evento de inverno de Milão-Cortina.
O estudo da gfs.bern deixou claro que os argumentos a favor contavam com forte apoio. Um total de 79% dos entrevistados acreditava que o país possuía a infraestrutura e a rede de mobilidade necessárias para organizar um grande evento internacional, enquanto 74% consideraram a organização descentralizada, baseada em instalações já construídas e na experiência com competições internacionais, como um ponto forte. O apoio estava em consonância com o projeto apresentado em janeiro pela Suíça 2038, que distribuía os eventos entre cantões e municípios nas quatro regiões linguísticas, a fim de evitar a concentração do evento em uma única cidade ou região.
O componente social também teve peso, com 70% acreditando que os Jogos gerariam valor agregado, sobretudo como uma oportunidade para fortalecer a coesão interna entre as regiões. Além disso, a promoção do esporte juvenil emergiu como outro argumento forte: 74% acreditavam que o evento poderia motivar novos talentos e 20% identificaram isso como a principal razão para sediar o evento. De acordo com a Suíça 2038, várias dessas percepções estavam alinhadas com a consulta pública lançada pelo governo federal, especialmente em relação à infraestrutura, aos benefícios sociais e à promoção do esporte.
Frédéric Favre, diretor executivo da candidatura, explicou que ”usaremos as infraestruturas existentes e o conhecimento local para garantir que o país apoie um projeto nacional que unirá pessoas de diferentes regiões e origens linguísticas”. A pesquisa também apontou os pontos de atrito para uma candidatura que ainda precisava convencer os setores mais céticos, a começar pelos 57% dos entrevistados que temiam riscos financeiros e possíveis déficits que acabariam sendo arcados pelo setor público.
Em resposta a essa preocupação, a Suíça 2038 afirmou que seu modelo previa que 82% dos custos de organização seriam cobertos por financiamento privado e que o setor público estaria protegido de qualquer eventual déficit. O Conselho Federal havia proposto uma contribuição máxima de CHF 200 milhões (€ 218 milhões), incluindo apoio ao transporte público, mas havia descartado assumir a responsabilidade por déficits.