Um grupo de atletas de atletismo enviou uma petição direta a organizações esportivas e de direitos humanos, alegando que sua contínua exclusão de competições internacionais ameaça suas carreiras esportivas.
Conforme noticiado pela agência de notícias britânica Reuters, uma carta aberta datada de 10 de setembro foi endereçada diretamente à Comissão de Atletas do Comitê Olímpico Internacional (COI), ao Comitê Consultivo de Direitos Humanos do COI e ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Em seu apelo, os atletas pediram uma intervenção urgente para acabar com a proibição generalizada e contínua imposta pela World Athletics aos competidores russos devido à guerra de seu país contra a Ucrânia.
No documento, os atletas descreveram o grave impacto pessoal e profissional causado pela suspensão prolongada, que manteve muitos deles afastados de grandes eventos internacionais por mais de quatro anos. "Para nós, essa não é uma questão jurídica ou política abstrata. O atletismo é a nossa vida", escreveram os atletas. "Quatro anos é muito tempo na vida de qualquer pessoa. Na vida de um atleta, podem ser os anos mais significativos."
Os atletas argumentaram na carta que a abordagem rigorosa da World Athletics equivale a uma punição coletiva, enfatizando que o atletismo tornou-se uma exceção marcante no cenário esportivo internacional mais amplo. "O atletismo permanece como uma das poucas exceções em que atletas russos continuam enfrentando uma exclusão total e generalizada", acrescentou a carta. Os signatários ressaltaram que inúmeras outras federações esportivas internacionais implementaram com sucesso mecanismos regulamentados que permitem o retorno de competidores russos e bielorrussos a eventos internacionais sob uma condição de neutralidade.
Essa intervenção direta dos atletas ocorre enquanto a federação russa de atletismo prossegue com sua contestação jurídica contra a World Athletics, questionando a decisão da entidade de manter a suspensão de seus membros. O Conselho da World Athletics reafirmou a exclusão de atletas russos e bielorrussos em 3 de julho, mantendo as sanções rigorosas impostas inicialmente após o início da guerra da Rússia contra a Ucrânia, em 2022.
A federação russa de atletismo apresentou um recurso oficial à Corte Arbitral do Esporte (CAS) seis dias depois, em 9 de julho, e protocolou uma nova contestação jurídica no mês passado. Segundo a Reuters, a federação nacional argumenta que as sanções em vigor a impedem de cumprir suas obrigações fundamentais de representar os atletas russos no cenário global e de participar dos processos internos de tomada de decisão da World Athletics.
Durante o evento inaugural World Athletics Ultimate Championship, em Budapeste, o presidente da World Athletics, Sebastian Coe, insistiu que a federação mundial não tem planos de alterar sua posição antes dos próximos procedimentos na CAS. "Não se trata de política ou passaportes. Trata-se da integridade da competição", disse Coe a repórteres em Budapeste.
Coe não quis discutir a estratégia jurídica específica da World Athletics enquanto o recurso aguarda julgamento pelo tribunal, mas reconheceu que o impasse atual precisa, em última análise, ser resolvido. Ele também ressaltou que a ambição geral de longo prazo da federação — promover a participação global no atletismo — permanece intacta.

