A Seleção Brasileira de halterofilismo estreou no Open das Américas neste domingo, 4, na Cidade do México, com a conquista de quatro medalhas, sendo dois ouros, uma prata e um bronze, além de dois recordes das Américas. Os resultados também colocaram os brasileiros em posições de destaque no ranking que define a classificação para os Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028.
Com o desempenho do primeiro dia, os brasileiros largaram na frente do quadro geral de medalhas da competição, com quatro pódios, um a mais do que o segundo colocado Chile, que estreou com dois ouros e um bronze.
O Open das Américas integra o calendário obrigatório do World Para Powerlifting (WPPO), braço do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) responsável pela modalidade, para os atletas que buscam uma vaga no megaevento nos Estados Unidos daqui a dois anos. Além dessa competição, somente os próximos Mundiais de halterofilismo dentro do ciclo paralímpico contarão pontos para o ranking de LA 2028.
O halterofilista mineiro Marco Túlio Cruz começou com força a participação brasileira na competição ao conquistar a medalha de ouro na categoria até 49kg com 178kg erguidos e, de quebra, estabelecer o novo recorde das Américas. A marca superou o antigo índice do próprio brasileiro, de 177kg, obtido no Mundial do Cairo no ano passado.
Além do título e do recorde continental, o levantamento de 178kg colocou Marco Túlio bem posicionado na corrida por uma vaga nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028. A marca passou a representar a segunda melhor do ranking utilizado como critério de classificação para a próxima edição dos Jogos, somente um quilo a menos do que o registrado pelo indonésio Abdul Hadi.
Para o atleta, que teve diagnosticada uma acondroplasia, o resultado também representa a confirmação de uma evolução que vem sendo construída ao longo do ciclo. Em julho deste ano, o mineiro conquistou o ouro na mesma categoria nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar, com 175kg.
“É a melhor sensação do mundo. É o meu primeiro Open das Américas, uma competição importante para o caminho de Los Angeles, e conseguir esses resultados já mostra que estamos em um bom caminho. As marcas saíram com muita excelência. Temos outras missões pela frente, mas estamos muito feliz com o que conseguimos hoje”, afirmou o brasileiro, que terminou à frente do colombiano Jhonny Gonzalez, que fez 163kg, e do equatoriano Duval Moran, bronze com 142kg.
O outro ouro do dia também foi obtido por uma atleta de Minas Gerais. Lara Lima, que até então competia na categoria entre mulheres até 41kg, migrou recentemente para competir entre atletas com quatro quilos a mais e venceu a disputa com 110kg entre suas três tentativas. As colombianas Cristina Granados, com 107kg, e Maria Jose Perea, com 103kg, completaram o pódio.
Com a marca, a brasileira, que nasceu com mielomeningocele, ainda igualou o recorde das Américas até então em vigor na categoria feminina até 45kg, feito pela venezuelana Clara Sarahy Monasterio no Parapan do Chile em 2023. A mineira também assegurou a segunda colocação do ranking atual para o megaevento nos Estados Unidos em 2028.
“Essa mudança de categoria até que foi tranquila para mim. Foi uma decisão estratégica para entendermos como eu iria reagir nesta competição. Fiquei bem feliz [com a medalha e ter igualado o recorde], é um lugar que eu queria estar. Estamos nos preparando muito para isso. É óbvio que nunca estamos contentes, sempre queremos mais. Entendo que posso melhorar bastante até os Jogos Paralímpicos”, ponderou Lara.
A paulista Brenda Pepe de Souza e o potiguar João Maria França também subiram ao pódio no primeiro dia de disputas. A atleta da categoria até 41kg conquistou o bronze ao levantar 87kg – o ouro ficou com a equatoriana Kerly Lascano, com 108kg, e a prata, com a venezuelana Amada Bastidas (92kg).

