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“Sem contar, né, o primeiro ano de 2022 e 2023, que foi quase inteiro fazendo o tratamento para retornar após o acidente ainda com fisioterapia, com consultas médicas. Até hoje em dia, eu ainda tenho muitas dores no meu pé esquerdo, ainda uma sequela do acidente, então eu tenho algumas coisas que eu preciso adaptar, mas isso virou parte da rotina, né? A partir de um ponto você precisa se adaptar de alguma forma, se você quiser atingir tal objetivo e ir pro jogo sempre foi meu princípio, não? Ok, o que a gente precisa fazer para amenizar um pouco, ah hoje não tá dando muito certo, vamos fazer um treinamento um pouco mais, de parte superior e tentar deixar o pé relaxado um pouco mais. Então, esse tipo de adaptação a gente teve bastante”, complementou a esquiadora.
A atleta ainda brincou com o fato de não acreditar que está classificada, “caiu a ficha de certa forma, mas eu tô tão feliz que ao mesmo tempo é difícil de acreditar que isso tá acontecendo. Sabia que poderia ser um resultado totalmente diferente totalmente pro outro lado,(…) caiu a ficha ao mesmo tempo que parece surreal. Ontem eu competi na Itália, foi uma prova que não contaria pro ranking, mas eu estava ali então tive que fazer o melhor tempo, porque como eu disse, eu tive um problema com provas de distância no início da temporada e agora que está indo um pouco melhor, eu queria também sentir como que eu tô desempenhando nas provas longas.
“Eu vou ter uma prova longa também em Cortina. E terminar essa prova com o meu segundo melhor resultado de toda a minha carreira, foi muito legal. Tá realmente no caminho certo, uma forma muito boa de terminar esse esse ciclo né, toda essa busca por pontuação, terminar com com os melhores pontos de distance dessa temporada. Eu fiquei muito feliz com isso”, finalizou a brasileira.
A principal disputa na fase final da temporada de Bruna foi contra a compatriota Jaqueline Mourão, multiatleta com oito participações olímpicas que aos 50 anos buscou a nona classificação, que também estava com possibilidade de ocupar a vaga brasileira.
Sobre a briga contra Jaque, Bruna comentou, “eu não tenho como descrever quão feliz eu estou com essa com essa classificação, como o Anders (presidente da CBDN) mesmo mencionou, foi uma disputa muito árdua, muito difícil. Eu já imaginava que seria dessa forma, porque bom, nós estamos falando de Jaqueline Mourão, né? Então, eu sempre tive muito respeito por ela, pela trajetória dela, por todos os resultados que ela que ela atingiu até aqui e eu sabia que essa classificação não viria de forma fácil. Precisava ter uma temporada muito boa.”
“No começo, nas provas de distância não deu muito certo, tive alguns problemas, uma lesão que acabou me afastando das provas de distância na primeira parte da temporada. Então eu tive que focar nos resultados de sprint, o ranking consistia em três provas de cada modalidade e eu fico muito feliz que isso tenha dado certo. Até mesmo durante o ano, a gente já tinha pensado um pouco em um ritmo mais forte por ser sprint, a gente tinha que aprimorar um pouco mais para garantir pontos muito bons, porque já sabia que a diferença para a Jaque nas provas de distância. Independente de qualquer coisa, precisaria tirar um pouco essa vantagem e no final deu tudo certo. Bom ver que o plano deu certo, que apesar de todas essas voltas, essas subidas e descidas dessa montanha russa, não só dessa temporada, mas também de todos esses quatro anos desde o acidente, foi que a gente chegou nesse no final dessa montanha segura e classificada. Isso é muito difícil descrever. Eu tô muito feliz, muito feliz mesmo”, completou Moura.