O Comitê Olímpico Internacional apresentará uma reforma da Carta Olímpica em sua 146ª Sessão, em Lausanne, nesta quarta-feira, com o objetivo de fortalecer a autonomia do esporte, revisar o programa dos Jogos e moldar o debate sobre o futuro dos atletas russos.
A reunião representa um importante teste institucional para Kirsty Coventry, presidente da organização, tendo o programa ”Fit for the Future” (Preparado para o Futuro) no centro de uma agenda que combina mudanças para proteger o esporte de pressões externas, novos critérios para definir quais modalidades integram os Jogos e ajustes no processo de definição das futuras sedes. O dia de abertura focará nesse pacote de reformas, enquanto a quinta-feira abordará as contas de 2025, questões relacionadas aos membros da organização e relatórios sobre os preparativos para Dakar 2026 e Alpes Franceses 2030.
Entre as reformas que serão votadas, a questão da neutralidade é a que carrega maior peso político. As emendas buscam reforçar a obrigação de as organizações esportivas do Movimento Olímpico atuarem de forma independente em relação aos governos e aplicarem a neutralidade política ”em todos os momentos”, além de acrescentar à missão da organização o dever de permanecer ”livre de pressões governamentais, culturais, sociais ou econômicas”.
A justificativa oficial é que atletas e competições devem ser protegidos de interferências externas e que os Jogos Olímpicos não podem ser utilizados como instrumento político, social ou econômico. Essa ideia baseia-se em um princípio fundamental da Carta Olímpica, que define os Jogos como competições entre atletas, e não entre países.

