Por Lucas Felix
Tema que passa ao largo das entrevistas com os presidenciáveis realizadas pelos veículos gerais de comunicação (as sabatinas do Surto Olímpico ficam para 2030, pessoal), o esporte surge como pauta na maioria dos programas de governo dos principais candidatos ao Palácio do Planalto. Os documentos submetidos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelas campanhas dos concorrentes que pontuam nas pesquisas de intenções de votos listam a transversalidade do universo esportivo com diversas frentes.
Candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva destaca a preparação para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Los Angeles, ressaltando a continuidade da política de patrocínio das estatais como um complemento ao Bolsa Atleta para o alto rendimento. Atualmente, são destacadas as relações entre o Banco do Brasil e o vôlei e a Caixa Econômica Federal e a ginástica.
O programa petista ressalta ainda que o próximo presidente será o comandante do Executivo durante a Copa do Mundo de futebol feminino. “Continuaremos trabalhando para o sucesso do evento, que ocorrerá em 8 capitais brasileiras, e que tem o potencial de promover ainda mais o Brasil no exterior, estimulando também a atividade turística”, afirma o texto. Independentemente do resultado das urnas, Lula será o presidente em 11 de dezembro, data do sorteio dos grupos do Mundial. Em dezembro de 2013, a então presidenta Dilma Rousseff compareceu ao evento da Copa masculina na Costa do Sauípe.
Entre os legados construídos durante o mandato iniciado em 2023, o mandatário exalta a recriação do Ministério do Esporte após a pasta ter sido desativada no governo de Jair Bolsonaro. A pasta, que começou a gestão sob o comando da medalhista olímpica Ana Moser, foi chefiada durante boa parte do tempo pelo deputado André Fufuca (Progressistas). A aprovação pelo Congresso Nacional da Universidade do Esporte é outro ponto salientado, com a promessa de implementação da instituição ao longo dos próximos quatro anos.
Em contraponto à presença de estatais do imaginário lulista, Flávio Bolsonaro (PL) aponta a preparação olímpica e paralímpica sendo ligada especialmente em parcerias com o setor privado. Entre as propostas do principal opositor de Lula para o segmento, está a ampliação do espaço esportivo no ensino básico, abrindo as escolas nas férias para atividades na área. O esporte “ensina disciplina, resiliência, trabalho em equipe e mérito, tira a criança da rua e do celular, dá saúde ao corpo e à mente e, para alguns, abre a porta de uma profissão”, afirma o plano.
Em relação ao esporte feminino, a principal bandeira é a “proteção da lisura da competição de agendas ideológicas”. Toda a temática do recorte ligado às mulheres foca na garantia das exclusão de pessoas transexuais das competições femininas, citando as recentes revisões de regras por parte de diferentes confederações internacionais.
Ronaldo Caiado, do PSD, repete a postura vista na bancada do Jornal Nacional e apresenta propostas mais vagas, ressaltando que planeja iniciar políticas de longo prazo. Sobre o alto rendimento, por exemplo, afirma “priorizar modalidades com base, potencial e plano consistente, garantir calendário internacional e infraestrutura”. Ele promete ainda dialogar com os Comitês Olímpico e Paralímpico do Brasil, entre outros entes, para a construção de um plano válido até 2035. O candidato lembra que conduziu um programa próprio de bolsas para os esportistas goianos enquanto foi governador do estado. O Pró-Goiás Atleta, segundo ele, ofertava 1.200 oportunidades mensais.
O programa versa ainda sobre a manipulação de resultados, prometendo o monitoramento de apostas facilitado com a cooperação entre reguladores, polícias e Ministério Público. Ainda no âmbito da governança, prevê também medidas de transparência e auditoria das organizações beneficiadas com verbas públicas.

