História do Brasil no Mundial – O Brasil disputou o Mundial de Marcha Atlética por Equipes pela primeira vez em 1989, na cidade catalã de L’Hospitalet de Llobregat. O país teve uma equipe completa para a competição que contou com 341 atletas (162 homens e 106 mulheres) de 33 países.
Na disputa masculina, levou três atletas para a prova dos 20 km (Sérgio Galdino, Marcelo Moreira Palma – o primeiro brasileiro a disputar uma Olimpíada na marcha, em Seul-1988 – e Nelson Ferreira Rocha) e três para os 50 km (Dirceu Cassimiro dos Santos, Cícero Sabino de Moura e Antônio Mauricio Nogueira). Na competição feminina, Ivana Henn, Rosemar Piazza e Denise Volker marcharam os 10 km.
Na competição por equipes, o Brasil terminou na 15ª posição entre os homens e na 22ª colocação entre as mulheres. O melhor resultado individual foi de Sérgio Galdino, com o 16º lugar (1:22:47) nos 20 km.
Em 1989, o catarinense Galdino tinha recém-completado 20 anos, e o Mundial por Equipes foi sua primeira grande competição adulta pelo Brasil – logo depois, se tornaria campeão sul-americano da distância, sempre sob a orientação do treinador Ivo da Silva, em Blumenau (SC). Galdino é, até hoje, o maior participante do Brasil em Mundiais por Equipes de marcha atlética: são nove aparições, a última delas em 2006. Caio Bonfim disputará, em Brasília, seu 8º Mundial.
Entre as mulheres, as pernambucanas Cisiane Lopes e Erica de Sena somam cinco participações cada. É Erica quem tem os melhores resultados individuais do Brasil no Mundial, entre homens e mulheres. Ela conquistou duas medalhas de bronze, a primeira em Roma-2016 e a segunda em Antalya-2024.
A ex-atleta Gianetti Bonfim, mãe e treinadora de Caio Bonfim, tem três participações em Mundiais como marchadora e outras tantas acompanhando o filho, atual campeão mundial e vice-campeão olímpico dos 20 km. ”Minha primeira participação foi em Mézidon-Canon, na França, em 1999, ano em que comecei a marchar. Foi muito legal, muito animador, embora as coisas fossem desorganizadas”.
Gianetti lembra que o Brasil tinha dificuldades em enviar equipes completas, e não contava com um time multidisciplinar, o que impactava nos resultados. ”A gente chegava um dia antes, às vezes na madrugada”. Em 1999, apenas ela e Sérgio Galdino viajaram para a França. ”Eu fiz a hidratação dele, e ele a minha, durante a prova. A marcha atlética não tinha o olhar que hoje recebe da Confederação”. Gianetti ainda esteve nas edições de Turim-2002 e Naumburg-2004.
”Para ir à Alemanha, em 2004, foi uma guerra. Conseguimos classificar a equipe completa porque fomos campeãs sul-americanas por equipes – eu, Cisiane Lopes e Alessandra Picagevicz. Os campeões de área tinham a viagem para o Mundial pagas pela Federação Internacional, e compramos uma briga terrível para podermos participar. No fim, conseguimos ir, e a Alessandra fez o índice para a Olimpíada”. Graças ao resultado em Naumburg, o 58º lugar (1:38:01) nos 20 km, Alessandra se tornou a primeira mulher brasileira a marchar em uma Olimpíada, em Atenas-2004.
O Brasil só voltou a ter uma equipe completa em Mundiais na edição de 2022, disputada em Muscat (Omã). A equipe masculina terminou em 6º lugar e as mulheres, em 5º, nos 35 km, melhores resultados do país por equipes. No último Mundial, em Antalya (Turquia), em 2024, o Brasil novamente foi com time completo e conquistou a classificação olímpica para a maratona de revezamento misto, graças ao 5º lugar de Caio Bonfim e Viviane Lyra. ”A partir de então, a modalidade só vem crescendo, ganhando mais adeptos, porque estamos sendo valorizados”, acrescentou Gianetti Bonfim.