Como o Brasil se insere na história do Mundial de Marcha Atlética, que chega em Brasília para a sua 31ª edição

Disputado desde 1961, evento é um dos mais longevos do atletismo mundial, e será realizado no Hemisfério Sul pela primeira vez; Galdino é, até hoje, o maior participante do Brasil em Mundiais de marcha atlética: são 9 aparições, a última delas em 2006. Caio Bonfim disputará o seu 8º Mundial

Foto: World Athletics
Foto: World Athletics

O Mundial de Marcha Atlética por Equipes é uma das competições mais longevas do atletismo. Disputado desde 1961, chega em Brasília, no dia 12 de abril, para a sua 31ª edição. E, pela primeira vez na história, será realizado no Hemisfério Sul. O Campeonato Mundial de Marcha Atlética Caixa por Equipes 26 será transmitido ao vivo pelo SporTV e ainda terá cobertura do GE TV e da TV Globo.

A primeira edição do Mundial de Marcha Atlética foi realizada na cidade suíça de Lugano, entre os dias 15 e 16 de outubro de 1961. Batizada como Copa do Mundo de Marcha Atlética, a competição nasceu da insistência do suíço Armando Libotte (1917-2008), marchador, árbitro da marcha atlética e jornalista esportivo.

De 1961 até 1985, a Copa do Mundo de Marcha Atlética foi dividida em duas fases – de grupos regionalizados e a final. Em 1961, na primeira etapa, os dez países participantes (Grã-Bretanha, Alemanha, Bélgica, Suécia, Dinamarca, Noruega, Itália, França, Suíça e Hungria) foram divididos em quatro grupos, por proximidade geográfica. Os quatro melhores de cada grupo disputaram a final, em Lugano.

Cada país disputou duas provas – 20.000 m e 50.000 m –, com três participantes, apenas homens. Grã-Bretanha, Dinamarca, Itália e Hungria foram os finalistas, e os britânicos venceram a primeira competição mundial por equipes da marcha atlética.

A participação feminina começou apenas na 7ª edição, em 1975, na cidade francesa de Le Grand Quevilly. Foram 38 mulheres convidadas que marcharam 5 km. Já a disputa dos 10 km para atletas sub-20 passou a ser realizada em 2004, na edição de Naumburg (Alemanha).

História do Brasil no Mundial – O Brasil disputou o Mundial de Marcha Atlética por Equipes pela primeira vez em 1989, na cidade catalã de L’Hospitalet de Llobregat. O país teve uma equipe completa para a competição que contou com 341 atletas (162 homens e 106 mulheres) de 33 países.

Na disputa masculina, levou três atletas para a prova dos 20 km (Sérgio Galdino, Marcelo Moreira Palma – o primeiro brasileiro a disputar uma Olimpíada na marcha, em Seul-1988 – e Nelson Ferreira Rocha) e três para os 50 km (Dirceu Cassimiro dos Santos, Cícero Sabino de Moura e Antônio Mauricio Nogueira). Na competição feminina, Ivana Henn, Rosemar Piazza e Denise Volker marcharam os 10 km.

Na competição por equipes, o Brasil terminou na 15ª posição entre os homens e na 22ª colocação entre as mulheres. O melhor resultado individual foi de Sérgio Galdino, com o 16º lugar (1:22:47) nos 20 km.

Em 1989, o catarinense Galdino tinha recém-completado 20 anos, e o Mundial por Equipes foi sua primeira grande competição adulta pelo Brasil – logo depois, se tornaria campeão sul-americano da distância, sempre sob a orientação do treinador Ivo da Silva, em Blumenau (SC). Galdino é, até hoje, o maior participante do Brasil em Mundiais por Equipes de marcha atlética: são nove aparições, a última delas em 2006. Caio Bonfim disputará, em Brasília, seu 8º Mundial.

Entre as mulheres, as pernambucanas Cisiane Lopes e Erica de Sena somam cinco participações cada. É Erica quem tem os melhores resultados individuais do Brasil no Mundial, entre homens e mulheres. Ela conquistou duas medalhas de bronze, a primeira em Roma-2016 e a segunda em Antalya-2024.

A ex-atleta Gianetti Bonfim, mãe e treinadora de Caio Bonfim, tem três participações em Mundiais como marchadora e outras tantas acompanhando o filho, atual campeão mundial e vice-campeão olímpico dos 20 km. “Minha primeira participação foi em Mézidon-Canon, na França, em 1999, ano em que comecei a marchar. Foi muito legal, muito animador, embora as coisas fossem desorganizadas”.

Gianetti lembra que o Brasil tinha dificuldades em enviar equipes completas, e não contava com um time multidisciplinar, o que impactava nos resultados. “A gente chegava um dia antes, às vezes na madrugada”. Em 1999, apenas ela e Sérgio Galdino viajaram para a França. “Eu fiz a hidratação dele, e ele a minha, durante a prova. A marcha atlética não tinha o olhar que hoje recebe da Confederação”. Gianetti ainda esteve nas edições de Turim-2002 e Naumburg-2004.

“Para ir à Alemanha, em 2004, foi uma guerra. Conseguimos classificar a equipe completa porque fomos campeãs sul-americanas por equipes – eu, Cisiane Lopes e Alessandra Picagevicz. Os campeões de área tinham a viagem para o Mundial pagas pela Federação Internacional, e compramos uma briga terrível para podermos participar. No fim, conseguimos ir, e a Alessandra fez o índice para a Olimpíada”. Graças ao resultado em Naumburg, o 58º lugar (1:38:01) nos 20 km, Alessandra se tornou a primeira mulher brasileira a marchar em uma Olimpíada, em Atenas-2004.

O Brasil só voltou a ter uma equipe completa em Mundiais na edição de 2022, disputada em Muscat (Omã). A equipe masculina terminou em 6º lugar e as mulheres, em 5º, nos 35 km, melhores resultados do país por equipes. No último Mundial, em Antalya (Turquia), em 2024, o Brasil novamente foi com time completo e conquistou a classificação olímpica para a maratona de revezamento misto, graças ao 5º lugar de Caio Bonfim e Viviane Lyra. “A partir de então, a modalidade só vem crescendo, ganhando mais adeptos, porque estamos sendo valorizados”, acrescentou Gianetti Bonfim.

Redação Surto Olímpico

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Desde 2011, vivendo os esportes olímpicos e paralímpicos com intensidade o ano inteiro. Estamos por trás de cada matéria, cobertura e bastidor que conecta atletas e torcedores com informação acessível, atualizada e verdadeira.
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