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Federação russa de atletismo diz que presidente da World Athletics deve ter algo pessoal contra o país

A entidade entrou com dois recursos junto ao CAS contra a World Athletics

Regys Silva 4 min
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Federação russa de atletismo diz que presidente da World Athletics deve ter algo pessoal contra o país
Foto: Franck Robichon/EPA

A Federação Russa de Atletismo (RusAF) alega que o presidente da World Athletics está dificultando seu retorno às competições internacionais e atrasando os processos, enquanto dois recursos apresentados ao CAS colocam as partes em lados opostos em relação às sanções ainda em vigor.

A disputa entre a Federação Russa de Atletismo e a World Athletics tornou-se um confronto cada vez mais pessoal e jurídico.

Em entrevista à agência de notícias russa TASS, publicada em 4 de setembro, o diretor executivo da RusAF, Boris Yaryshevsky, atacou diretamente o presidente da World Athletics, Sebastian Coe, afirmando que o dirigente britânico tem "algo pessoal" contra a federação russa.

Yaryshevsky relacionou essa acusação aos dois recursos apresentados pela RusAF ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS). O primeiro foi protocolado em 9 de julho contra a decisão da World Athletics de estender a exclusão de atletas russos de suas competições internacionais.

O segundo, anunciado em 10 de agosto, contesta as restrições que continuam afetando a federação como instituição. "Estamos focados, antes de tudo, no primeiro recurso, porque queremos que os atletas possam se classificar para os Jogos Olímpicos de 2028 e competir", disse Yaryshevsky. Los Angeles 2028 é, portanto, o principal alvo da estratégia jurídica da Rússia, juntamente com a possibilidade de recuperar o acesso aos campeonatos mundiais e outras competições internacionais até lá.

O dirigente foi além, retratando a posição de Coe como uma questão individual: "É claro que há algo pessoal aqui". Ele acrescentou: "Acredito que esta seja simplesmente a posição pessoal dele. Não é a posição da World Athletics".

Segundo Yaryshevsky, trata-se de "algum tipo de ressentimento ou insatisfação pessoal por parte de uma pessoa" que está obstruindo o retorno dos atletas russos ao cenário internacional. Seu argumento é que uma defesa baseada nessa posição seria motivada mais pela emoção do que por fatores objetivos.

Coe, no entanto, defendeu publicamente uma posição muito diferente. Em declarações à imprensa durante o Campeonato Europeu de Atletismo em Birmingham, conforme noticiado pelo Inside The Games em 16 de agosto, ele confirmou que pretende defender pessoalmente a política da entidade máxima do atletismo perante o CAS (Tribunal Arbitral do Esporte): "Estarei no tribunal arbitral defendendo essa posição. É assim que me sinto em relação a isso".

Em seguida, rejeitou as sugestões de que as restrições têm motivação política: "Não se trata de política ou passaportes. Trata-se da integridade da competição, e essa é a posição que defenderemos".

A posição da World Athletics não depende formalmente apenas de uma decisão de Coe. O Conselho da World Athletics reafirmou em julho as medidas adotadas após a guerra da Rússia contra a Ucrânia em 2022, mantendo atletas, dirigentes e pessoal de apoio russos e bielorrussos fora de suas competições internacionais.

A entidade máxima do atletismo afirmou na época que havia considerado possíveis caminhos para um futuro retorno, mas decidiu manter as restrições em vigor.

A disputa atual também deve ser diferenciada da suspensão anterior da RusAF (Federação Russa de Atletismo) por graves violações institucionais de doping. A World Athletics reintegrou a federação russa como membro em março de 2023, após sete anos de suspensão, mantendo, porém, as medidas relacionadas à guerra na Ucrânia.

O segundo recurso, portanto, não visa recuperar uma filiação já restaurada, mas sim suspender as restrições que continuam a limitar a participação institucional da RusAF.

Do ponto de vista jurídico, a atribuição da posição de Yaryshevsky a uma motivação pessoal por parte de Coe não torna, por si só, essa alegação passível de análise pelo Tribunal Arbitral do Esporte (CAS). O CAS terá que examinar as decisões contestadas, seus fundamentos e se foram adotadas de acordo com as regras aplicáveis.

Qualquer animosidade pessoal só teria peso jurídico se a RusAF pudesse vinculá-la à arbitrariedade, discriminação ou falhas no processo que levou às decisões contestadas.

Yaryshevsky também invocou o princípio da neutralidade política dentro do Movimento Olímpico para reforçar seu argumento. Segundo o dirigente russo, as alterações aprovadas pelo COI no final de junho reforçaram esse princípio na Carta Olímpica, um desenvolvimento que, segundo ele, deve ser levado em consideração na disputa com a World Athletics.

O dirigente russo também sugeriu que a World Athletics está tentando prolongar o processo até o fim do mandato de Coe: "Dá a impressão de que eles estão simplesmente fazendo todo o possível para atrasar esse processo".

A próxima eleição presidencial da World Athletics está marcada para setembro de 2027. Coe não poderá se candidatar a um novo mandato após completar o máximo de três mandatos de quatro anos permitidos pelas regras da organização.

Atualmente, não há data prevista para a resolução dos casos. Yaryshevsky afirmou que o cronograma processual ainda está sendo elaborado e expressou esperança de que haja progresso nos próximos meses.

Além do confronto cada vez mais pessoal, a essência da disputa permanece em aberto.

A decisão caberá à Corte Arbitral do Esporte (CAS): se a World Athletics pode manter legalmente restrições que Coe defende como uma questão de integridade esportiva e que a RusAF tenta derrubar por meio de arbitragem.

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#World Athletics#Rússia