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Guia da Superliga Feminina de vôlei: panorama do Osasco para a temporada 2026/27

Segundo maior campeão da competição, o clube faturou os títulos do estadual e da Supercopa, mas vive a incerteza sobre o futuro de Tifanny, a esperança no surpreendente reforço de alto nível vindo da Europa e a saudade de sua maior ídola, Camila Brait, aposentada na última temporada

Thiago Chaguri 7 min
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Guia da Superliga Feminina de vôlei: panorama do Osasco para a temporada 2026/27
Foto: Carol Oliveira/@carol__fotografia

O Osasco inicia sua jornada na temporada 2026/27 da Superliga Feminina de vôlei novamente com um elenco bastante reformulado. Luizomar de Moura, que fará seu 21° ano à frente do projeto, terá de lidar com perdas importantes, como a aposentadoria de Camila Brait e a provável ausência de Tifanny ao longo da temporada, em razão dos novos critérios de elegibilidade adotados pelo COI. Para compensar as baixas, o técnico montou um grupo apostando em atletas experientes e trouxe dois reforços de peso: uma oposta de alto nível internacional e uma líbero da seleção brasileira para ocupar a lacuna deixada pela maior jogadora da história osasquense.

Seis vezes campeão da Superliga, o clube é o segundo maior vencedor nacional ao lado do Minas Tênis Clube e atrás apenas do Rio de Janeiro, atualmente representado pelo Sesc Flamengo, que soma 12 troféus na competição.

Osasco é o único time brasileiro em atividade a conquistar todos os principais torneios do voleibol feminino: Mundial de Clubes, Sul-Americano, Superliga, Copa Brasil, Supercopa e campeonato estadual.

Osasco teve de reformular mais de 60% do elenco para a atual temporada

Após conquistar a tríplice coroa na temporada 2024/25, com os títulos da Superliga, da Copa Brasil e Campeonato Paulista, o Osasco se manteve na disputa pelo topo no ciclo seguinte. Novamente levantou os troféus da Copa Brasil e da Supercopa, faturou o bronze no Mundial de Clubes, foi vice-campeão Sul-Americano e caiu na semifinal da Superliga 2025/26.

Assim como aconteceu na transição entre as duas temporadas, a equipe comandada por Luizomar de Moura passou novamente por uma grande reformulação. Dez das 16 jogadoras (62,5%) deixaram o clube, entre elas a agora aposentada Camila Brait. A espinha dorsal do setor ofensivo, formada por Jenna Gray, Bianca Cugno e Caitie Baird, também foi desmontada.

Apenas seis atletas permaneceram no elenco: Ana Berto e Marina Sioto (levantadoras), Tifanny (ponteira/oposta), Rebecca Borges (ponteira), Mayhara e Larissa Besen (centrais).

Imbróglio envolvendo Tifanny e CBV provoca desconforto entre entidade, clube e jogadora

Tifanny, até o momento, está impedida de disputar a Superliga. Em março deste ano, o COI (Comitê Olímpico Internacional) adotou novos critérios de elegibilidade para atletas da categoria feminina, tornando obrigatória a apresentação do teste genético com resultado negativo para o gene SRY, relacionado ao sexo masculino.

A CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), que até então não havia se pronunciado sobre o caso, decidiu acatar as diretrizes do COI somente em agosto, quando Tiffany já havia renovado seu contrato com o Osasco. Tanto a atleta quanto o clube alegaram não ter recebido aviso prévio e o departamento jurídico contesta a decisão da entidade.

O primeiro episódio da batalha ocorreu na última sexta-feira (16), data da disputa da Supercopa. No período da tarde, o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) recusou um pedido de liminar apresentado pelo Osasco e negou a participação de Tifanny. A defesa recorreu à justiça comum e a reviravolta aconteceu momentos antes do início do jogo, com a liminar acatada pela Justiça do Rio de Janeiro, liberando a atleta para o torneio e para a estreia da Superliga.

A CBV cedeu momentaneamente à decisão, mas afirmou que apresentará as medidas necessárias para a reversão, alongando o impasse entre entidade, clube e jogadora.

Tifanny vive incerteza sobre seu futuro no voleibol (Foto: Carol Oliveira/@carol__fotografia)

A situação foi diferente na disputa do Campeonato Paulista. A FPV (Federação Paulista de Vôlei) manteve em vigor a regra anterior à nova diretriz da CBV e não se opôs à participação de Tifanny, que disputou normalmente o certame e fez o ponto do título osasquense.

Luizomar trouxe oposta cobiçada no mercado europeu e líbero da seleção brasileira

Para a temporada 2026/27, o Osasco foi ao mercado, encheu o carrinho e ainda esbanjou ao contratar um reforço de impacto mundial: Magdalena Stysiak. A oposta polonesa foi a maior pontuadora da Liga das Nações (VNL) em 2023 e também eleita para a seleção do Campeonato Europeu no mesmo ano.

Apesar de ser um nome bastante valorizado no mercado de seu continente, Stysiak, que atuava pelo Eczacibasi, da Turquia, atrela o acerto com Osasco à um antigo desejo. Em maio, quando questionada sobre o surpreendente movimento, afirmou:

“Para ser sincera, nunca fui de ficar enrolando. Acho que em uma entrevista antiga, quando eu era pequena e sonhava em jogar vôlei, eu disse para mim mesma: ‘Se eu tiver saúde, sonho em jogar na Itália, na Turquia, no Brasil e ir para as Olimpíadas’. Agora, a única coisa que falta é o Brasil”.

Stysiak, destaque da seleção polonesa e novo reforço osasquense (Foto: Carol Oliveira/@carol__fotografia)

Para substituir Camila Brait, a equipe contratou Marcelle, líbero medalhista de bronze na Copa do Mundo pela seleção brasileira e que estava no Fluminense.

Luizomar novamente recorreu ao Tricolor das Laranjeiras para comprar no atacado e trouxe a ponteira Amanda Campos e a central Lays Freitas para adicionar experiência ao elenco.

O clube ainda investiu em mais duas atletas estrangeiras. A levantadora italiana Marta Bechis integrava o elenco do Scandicci, campeão mundial na temporada passada. Sua compatriota Anastasia Guerra, ponteira, desembarca no Brasil após atuar no voleibol da Indonésia.

Osasco também apostou em atletas que atingiram a fase da carreira onde a juventude já se mistura à maturidade. Mari Brambilla, ex-companheira de Julia Bergmann no voleibol universitário dos Estados Unidos, na Georgia Tech, e com passagem pela Europa, chega junto da oposta Lorrayna, formada pelo Barueri e que estava em hiato na carreira após dar a luz à pequena Loretta.

Por fim, a líbero Lara Molinari, vinda do sub-21 do clube, foi efetivada. Key Alves teve uma passagem curta, findada após o título da Supercopa. A líbero, que já defendeu a camisa osasquense entre 2021 e 2023, embarca para Los Angeles para disputar a LOVB (League One Volleyball), onde será comandada por José Roberto Guimarães.

Elenco para a Superliga 2026/27

Levantadoras: Marta Bechis (ITA), Marina Sioto e Ana Berto.

Opostas: Magdalena Stysiak (POL) e Lorrayna.

Ponteiras: Tifanny, Amanda Campos, Mari Brambilla, Anastasia Guerra (ITA) e Rebecca Borges.

Centrais: Mayhara, Lays Freitas, Larissa Besen e Lara Nascimento.

Líberos: Marcelle Arruda e Lara Molinari.

Técnico: Luizomar de Moura.

Clube inicia a temporada sem Camila Brait pela primeira vez em 18 anos

Revelada pelo União Recreativa Sacramentana, Camila Brait passou por Sesi e Praia Clube, ambos de Uberlândia, e São Caetano antes de chegar ao Osasco, em 2008.

Foram 18 anos defendendo o clube, período em que conquistou todos os títulos possíveis: o Mundial de Clubes de 2012, três títulos da Superliga, quatro do Sul-Americano, cinco da Copa Brasil, uma Supercopa e 11 troféus do Campeonato Paulista.

Ao completar 800 partidas com a camisa osasquense, Brait, medalhista olímpica e de Copa do Mundo com a seleção brasileira, demonstrou a importância do clube em sua trajetória profissional e pessoal:

“Cheguei uma menina, me tornei mulher e mãe. Osasco é minha casa e, dentro dessa casa, o Liberatti é a sala de estar, onde me encontro com minha família e recebo as pessoas que gosto”, declarou a ex-capitã. 

Brait recebeu placa e atuou com uma camisa comemorativa em alusão ao seu 800° pelo clube (Foto: Carol Oliveira/@carol__fotografia)

Início da temporada osasquense foi bastante movimentado e rendeu títulos

O início da temporada osasquense foi bastante agitado. Além da disputa da fase de classificação do Campeonato Paulista, o elenco viajou a Belém para participar da Brasil Cup e acabou derrotado para o Minas Tênis Clube na final do torneio amistoso, que reuniu também o Fluminense e o Alianza Lima, do Peru.

Naquele estágio, a exigente torcida já estava com uma pulga atrás da orelha, pois a equipe já havia sofrido reveses para Pinheiros e Sesi-Bauru. O mau momento logo passou e o mês de outubro trouxe bons ventos — e muitas decisões em sequência.

Classificado à final após dar o troco no Pinheiros, Osasco também conseguiu a revanche contra as bauruenses. Em casa, no José Liberatti, venceu o jogo de ida no tie-break. Na volta, foi superado por 3 a 1, resultado que forçou a disputa do golden set. Nesta parcial decisiva, venceu pela contagem mínima (25/23) e conquistou o título estadual em pleno ginásio Paulo Skaf.

Elenco do Osasco comemorando o título paulista junto de sua torcida, em Bauru (Foto: Carol Oliveira/@carol__fotografia)

O plantel mal teve tempo de comemorar e já precisou embarcar para São Luís, capital do Maranhão, para duelar com o Praia Clube pela Supercopa. Emendando seu terceiro jogo em nove dias, com direito a longas viagens, o Osasco ainda encontrou energia para bater o time mineiro por 3 a 0 e ergueu mais um troféu antes de sua estreia na principal competição nacional.

Equipe fará os dois primeiros jogos fora de casa

Osasco disputará as duas primeiras partidas da Superliga fora de casa. A equipe estreia diante do Brasília na segunda-feira (19), as 18h30.

No dia 24, a parada será em Belo Horizonte para enfrentar o Mackenzie.

O primeiro compromisso diante da torcida, no ginásio José Liberatti, será em 31 de outubro, contra o Londrina.

 

 

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