O Osasco inicia sua jornada na temporada 2026/27 da Superliga Feminina de vôlei novamente com um elenco bastante reformulado. Luizomar de Moura, que fará seu 21° ano à frente do projeto, terá de lidar com perdas importantes, como a aposentadoria de Camila Brait e a provável ausência de Tifanny ao longo da temporada, em razão dos novos critérios de elegibilidade adotados pelo COI. Para compensar as baixas, o técnico montou um grupo apostando em atletas experientes e trouxe dois reforços de peso: uma oposta de alto nível internacional e uma líbero da seleção brasileira para ocupar a lacuna deixada pela maior jogadora da história osasquense.
Seis vezes campeão da Superliga, o clube é o segundo maior vencedor nacional ao lado do Minas Tênis Clube e atrás apenas do Rio de Janeiro, atualmente representado pelo Sesc Flamengo, que soma 12 troféus na competição.
Osasco é o único time brasileiro em atividade a conquistar todos os principais torneios do voleibol feminino: Mundial de Clubes, Sul-Americano, Superliga, Copa Brasil, Supercopa e campeonato estadual.
Osasco teve de reformular mais de 60% do elenco para a atual temporada
Após conquistar a tríplice coroa na temporada 2024/25, com os títulos da Superliga, da Copa Brasil e Campeonato Paulista, o Osasco se manteve na disputa pelo topo no ciclo seguinte. Novamente levantou os troféus da Copa Brasil e da Supercopa, faturou o bronze no Mundial de Clubes, foi vice-campeão Sul-Americano e caiu na semifinal da Superliga 2025/26.
Assim como aconteceu na transição entre as duas temporadas, a equipe comandada por Luizomar de Moura passou novamente por uma grande reformulação. Dez das 16 jogadoras (62,5%) deixaram o clube, entre elas a agora aposentada Camila Brait. A espinha dorsal do setor ofensivo, formada por Jenna Gray, Bianca Cugno e Caitie Baird, também foi desmontada.
Apenas seis atletas permaneceram no elenco: Ana Berto e Marina Sioto (levantadoras), Tifanny (ponteira/oposta), Rebecca Borges (ponteira), Mayhara e Larissa Besen (centrais).
Imbróglio envolvendo Tifanny e CBV provoca desconforto entre entidade, clube e jogadora
Tifanny, até o momento, está impedida de disputar a Superliga. Em março deste ano, o COI (Comitê Olímpico Internacional) adotou novos critérios de elegibilidade para atletas da categoria feminina, tornando obrigatória a apresentação do teste genético com resultado negativo para o gene SRY, relacionado ao sexo masculino.
A CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), que até então não havia se pronunciado sobre o caso, decidiu acatar as diretrizes do COI somente em agosto, quando Tiffany já havia renovado seu contrato com o Osasco. Tanto a atleta quanto o clube alegaram não ter recebido aviso prévio e o departamento jurídico contesta a decisão da entidade.
O primeiro episódio da batalha ocorreu na última sexta-feira (16), data da disputa da Supercopa. No período da tarde, o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) recusou um pedido de liminar apresentado pelo Osasco e negou a participação de Tifanny. A defesa recorreu à justiça comum e a reviravolta aconteceu momentos antes do início do jogo, com a liminar acatada pela Justiça do Rio de Janeiro, liberando a atleta para o torneio e para a estreia da Superliga.
A CBV cedeu momentaneamente à decisão, mas afirmou que apresentará as medidas necessárias para a reversão, alongando o impasse entre entidade, clube e jogadora.

Tifanny vive incerteza sobre seu futuro no voleibol (Foto: Carol Oliveira/@carol__fotografia)
A situação foi diferente na disputa do Campeonato Paulista. A FPV (Federação Paulista de Vôlei) manteve em vigor a regra anterior à nova diretriz da CBV e não se opôs à participação de Tifanny, que disputou normalmente o certame e fez o ponto do título osasquense.
Luizomar trouxe oposta cobiçada no mercado europeu e líbero da seleção brasileira
Para a temporada 2026/27, o Osasco foi ao mercado, encheu o carrinho e ainda esbanjou ao contratar um reforço de impacto mundial: Magdalena Stysiak. A oposta polonesa foi a maior pontuadora da Liga das Nações (VNL) em 2023 e também eleita para a seleção do Campeonato Europeu no mesmo ano.
Apesar de ser um nome bastante valorizado no mercado de seu continente, Stysiak, que atuava pelo Eczacibasi, da Turquia, atrela o acerto com Osasco à um antigo desejo. Em maio, quando questionada sobre o surpreendente movimento, afirmou:
“Para ser sincera, nunca fui de ficar enrolando. Acho que em uma entrevista antiga, quando eu era pequena e sonhava em jogar vôlei, eu disse para mim mesma: ‘Se eu tiver saúde, sonho em jogar na Itália, na Turquia, no Brasil e ir para as Olimpíadas’. Agora, a única coisa que falta é o Brasil”.

Stysiak, destaque da seleção polonesa e novo reforço osasquense (Foto: Carol Oliveira/@carol__fotografia)
Para substituir Camila Brait, a equipe contratou Marcelle, líbero medalhista de bronze na Copa do Mundo pela seleção brasileira e que estava no Fluminense.
Luizomar novamente recorreu ao Tricolor das Laranjeiras para comprar no atacado e trouxe a ponteira Amanda Campos e a central Lays Freitas para adicionar experiência ao elenco.
O clube ainda investiu em mais duas atletas estrangeiras. A levantadora italiana Marta Bechis integrava o elenco do Scandicci, campeão mundial na temporada passada. Sua compatriota Anastasia Guerra, ponteira, desembarca no Brasil após atuar no voleibol da Indonésia.
Osasco também apostou em atletas que atingiram a fase da carreira onde a juventude já se mistura à maturidade. Mari Brambilla, ex-companheira de Julia Bergmann no voleibol universitário dos Estados Unidos, na Georgia Tech, e com passagem pela Europa, chega junto da oposta Lorrayna, formada pelo Barueri e que estava em hiato na carreira após dar a luz à pequena Loretta.
Por fim, a líbero Lara Molinari, vinda do sub-21 do clube, foi efetivada. Key Alves teve uma passagem curta, findada após o título da Supercopa. A líbero, que já defendeu a camisa osasquense entre 2021 e 2023, embarca para Los Angeles para disputar a LOVB (League One Volleyball), onde será comandada por José Roberto Guimarães.
Elenco para a Superliga 2026/27
Levantadoras: Marta Bechis (ITA), Marina Sioto e Ana Berto.
Opostas: Magdalena Stysiak (POL) e Lorrayna.
Ponteiras: Tifanny, Amanda Campos, Mari Brambilla, Anastasia Guerra (ITA) e Rebecca Borges.
Centrais: Mayhara, Lays Freitas, Larissa Besen e Lara Nascimento.
Líberos: Marcelle Arruda e Lara Molinari.



