*Por Laura Leme
FICHA TÉCNICA
Local de disputa: Milano Ice Skating Arena
Período: 6 a 19 de fevereiro
Delegações participantes: 35
Total de atletas: 142 (71 homens e 71 mulheres)
Brasil: não se classificou
Um dos esportes de invernos mais belos e populares, a patinação no gelo começou a ser praticada ainda na antiguidade, em lagos d’água congelados. No século XIX, a atividade começou a ser organizada, com o surgimento da União Internacional de Patinação (ISU), que comanda as competições internacionais de patinação artística e de velocidade até hoje.
Inicialmente, a patinação artística consistia em desenhar figuras no gelo utilizando as lâminas dos patins – o nome em inglês “figure skating” faz alusão a essa origem. O esporte mudou através do trabalho de Jackson Haines, considerado o “pai da patinação artística moderna”. Haines era bailarino e incorporou música e elementos de dança nos seus programas.

Em 1896, foi realizado o primeiro Campeonato Mundial de Patinação Artística. Com uma boa popularidade, o esporte fez sua estreia olímpica nos jogos de verão, em Londres-1908, e também esteve no programa de Antuérpia-1920 – sendo também considerado o mais antigo das edições de inverno, com estreia em 1924. Em 1976, foi incluída a modalidade de dança no gelo (em pares, sem saltos) e, em 2014, a disputa por equipes.
Maiores Vencedores
Os Estados Unidos são os maiores campeões olímpicos da modalidade, com 17 ouros, 16 pratas e 21 bronzes. A Rússia fica em segundo, mas se juntar a União Soviética e o Comitê Olímpico da Rússia, eles ficam em primeiro com 26 ouros, 21 pratas e 10 bronzes. Em terceiro fica a Áustria com sete ouros, nove pratas e seis bronzes.
Como foi em Pequim?
Os Estados Unidos foram os grandes vencedores da patinação artística, com os ouros de Nathan Chen no individual masculino e por equipes.
Outros momentos marcantes foram os ouros com recordes mundiais dos pares Sui Wenjing e Han Cong da China e da dança no gelo Gabriella Papadakis e Guillaume Cizeron da França, e do doping da prodígio russa Kamila Valieva de apenas 15 anos, que foi desqualificada dos Jogos e suspensa por quatro anos.

Como Será em Milão-Cortina?
A Milano Ice Skating Arena será palco das cinco modalidades de patinação no gelo: individual masculino, individual feminino, pares, dança no gelo e equipes. No masculino, feminino e nos pares, os patinadores fazem duas apresentações compostas por saltos, giros e elementos de dança. O programa curto tem duração de 2min50 e o programa longo 4min.
Na dança no gelo, também são feitas duas apresentações. Com origem na dança de salão, a dança no gelo não tem saltos na sua composição (o que é a principal diferença em relação aos pares).
O programa curto é a dança rítmica. Com 2min50 de duração, ela deve seguir um estilo musical que é determinado pela ISU a cada temporada. Para 2025/26, o tema é a “música, estilo de dança e sentimentos dos anos 1990”. Já no programa longo dança livre, pode-se escolher livremente a sua música.
Notas
As notas de cada programa da patinação artística são divididas em duas partes: os elementos técnicos e os componentes do programa. A parte técnica é a soma dos elementos feitos na apresentação. Cada elemento tem um valor base, que pode aumentar ou diminuir dependendo da execução do atleta.
Os pontos dos componentes do programa são feitos com os juízes dando nota de 0 a 10 para cinco quesitos na apresentação: habilidade com os patins, transições, performance, composição e interpretação da música.
Nas quatro provas individuais e em duplas, a classificação final é decidida pela soma da pontuação dos dois programas. Todos competem no programa curto, com os melhores (24 no individual e 20 nos pares e dança no gelo) fazendo a segunda apresentação.
Competição por equipes
Na competição por equipes, competem dez países que obtiveram os melhores resultados na temporada. Todos competem no programa curto, com as equipes recebendo pontos para a classificação final (10 para o 1º, 9 para o 2º, 8 para o 3º e assim sucessivamente). As cinco equipes com mais pontos avançam para o programa longo. O time com mais pontos leva a medalha de ouro.
O Brasil na Patinação Artística
A prática da modalidade no Brasil começou na década de 1960 com a instalação de pistas de gelo em shoppings e centros de eventos. Mas somente em 2006, a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo se filiou à ISU podendo mandar atletas para representar o Brasil em competições internacionais. No começo de 2007, o Brasil estreou internacionalmente na modalidade com Simone Pastusiak participando da Universíade e Stephanie Gardner competindo no troféu quatro continentes (o campeonato continental para países fora da Europa).
No ano seguinte, o Brasil participou do Mundial Júnior com Kevin Alves no masculino e Elena Rodrigues no feminino. A estreia em Mundiais sênior veio em 2009. Kevin Alves foi o 37º entre os homens e Stacy Perfetti terminou na 51ª posição entre as mulheres.

A principal representante do Brasil na patinação artística foi Isadora Williams. Nascida nos Estados Unidos, mas filha de mãe brasileira, Isadora começou a patinar com 5 anos de idade. Em 2010, participou de seu primeiro Mundial Júnior ficando no 41º lugar.
Isadora Williams continuou evoluindo e, em 2012, conquistou a primeira medalha brasileira em competições internacionais ao ficar em terceiro lugar no Golden Spin, em Zagreb, na Croácia. No ano seguinte, ela conseguiu um feito inédito: ficou em 12º lugar no Troféu Nebelhorn, conquistando uma vaga nos Jogos Olímpicos de Inverno Sochi 2014, onde ela não foi muito bem, terminando na 30ª e última colocação entre as participantes.






