*Por Matheus Maia
FICHA TÉCNICA
Local de disputa: Milano Speed Skating Stadium
Período: 07/02 a 21/02
Delegações participantes: 24
Total de atletas: 164 atletas (82 homens e 82 mulheres)
Brasil: não se classificou
A prática da Patinação de Velocidade é uma das mais antigas do mundo. Há relatos na Antiguidade de humanos fabricarem sapatos especiais com ossos de animais para atravessarem lagos e rios congelados nos Países Baixos, Escandinávia e demais países do norte da Europa.
A atividade cresceu nos séculos posteriores e chegou à América do Norte no Século XIX, popularizando ainda mais as provas de velocidade em pistas de gelo. A União Internacional de Patinação (ISU) foi criada em 1891 e, dois anos depois, aconteceu o primeiro Mundial de Patinação de Velocidade, sendo uma das mais antigas competições de inverno entre países.

As corridas são disputadas no sentido anti-horário em uma pista oval de 400 metros. Em todas as modalidades individuais, apenas dois patinadores podem competir simultaneamente. Os patinadores devem trocar de raia a cada volta. O patinador que muda da raia externa para a interna tem a preferência.
Os patinadores podem ser desclassificados por largadas falsas, obstrução e corte de pista. Se um patinador perder sua bateria ou cair, ele tem a opção de correr a distância novamente. Não há eliminatórias ou finais no patins de longa distância; todas as classificações são feitas por tempo.
A patinação em velocidade fez parte do programa olímpico dos Jogos de verão em Londres 1908 e está presente desde a primeira edição da olimpíada de inverno em 1924, não ficando de fora de nenhuma edição. As mulheres passaram a fazer parte da modalidade dos jogos em Squaw Valley em 1960.
Maiores vencedores
Os Países Baixos são os maiores vencedores da patinação em velocidade em Jogos Olímpicos, com 133 medalhas conquistadas – sendo 48 de ouro, 44 de prata e 41 de bronze. Os Estados Unidos (30 ouros) e a Noruega (28) completam o pódio dos países com mais medalhas na modalidade.

A neerlandesa Ireen Wüst é a maior medalhista olímpica, com 13 láureas conquistadas, sendo 6 de ouro, 5 de prata e 2 de bronze.
Como foi em Pequim?
Nos Jogos Olímpicos de Pequim 2022, na China, os Países Baixos lideraram o quadro com seis ouros, em segundo a Suécia somou dois ouros e seis nações acumularam um ouro cada: Canadá, Japão, Noruega, Estados Unidos, Bélgica e China. Irene Schouten (NED) dominou com três ouros.
Como será em Milão-Cortina?
Nos Jogos Olímpicos são disputadas provas de 500m, 1000m, 1500m, 3000m (apenas feminina), 5000m e 10000m (apenas masculina), além das provas de perseguição por equipes e largada em massa, totalizando 14 eventos. com exceção das provas de 500m, em todas as outras o patinador só compete uma vez
Nas provas de uma distância específica, os atletas competem de dois em dois e quem terminar com o menor tempo é o campeão.
A perseguição por equipes é composta por oito voltas no masculino e seis no feminino, em que três competidores de cada país se alternam na frente de seus companheiros, que formam uma fila. O tempo é determinado pelo último atleta a cruzar a linha de chegada.
Já na prova de largada em massa (que estreou nos Jogos de 2018), os atletas largam todos juntos. A classificação é definida por pontos que os patinadores recebem em sprints ao longo da corrida.
O Brasil na Patinação de Velocidade
Os primeiros passos do Brasil na Patinação de Velocidade foram dados com Felipe de Souza. Entre 2004 e 2007 ele competiu em diversos torneios de patinação de velocidade em pista curta, migrando para a pista longa em 2009.
Em 2015, após uma reestruturação, a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG) voltou a investir na modalidade, mas ainda não conseguiu levar nenhum brasileiro para os Jogos Olímpicos.
No ano de 2021, Larissa Paes se tornou a primeira brasileira a participar de uma Copa do Mundo da modalidade, disputando a prova de largada em massa. Atualmente, a patinadora é acompanhada por Éder Lopes Moraes e a jovem Julia Pereira de Vos, atleta que recentemente trocou os Países Baixos pelo Brasil e buscou classificação olímpica, sem sucesso.

Curiosidades
Patinadores de velocidade famosos
Muitos nomes históricos do século XVIII e XIX eram grandes fãs da patinação de velocidade: Além vários membros da monarquia inglesa da época, Napoleão III e o escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe eram assíduos praticantes da modalidade
O mais antigo
Sem dúvida o mundial de patinação de velocidades é um dos mais antigos do mundo. Sua primeira edição aconteceu em 1889 nos Países Baixos, três anos antes da fundação da ISU, federação que rege os esportes de patins no gelo.
O feito de Heiden

O estadunidense Eric Heiden é o maior campeão em uma mesma edição com 5 ouros, em Lake Placid-1980. Heiden venceu as provas dos 500m até os 10.000m, batendo recorde olímpico em todas as provas. Nos 10.000m, ele ainda baixou o recorde mundial em 6.2 segundos. Até hoje, ninguém conseguiu repetir o feito dele nas olimpíadas de Inverno.
Eu sou a velocidade!
Nas corridas de sprint, os patinadores atingem velocidades máximas de mais de 62 km/h . Mesmo em distâncias maiores, eles mantêm uma velocidade próxima a 50 km/h. O astro neerlandês Kjeld Nuis certa vez levou os limites ao extremo, tornando-se o primeiro patinador a ultrapassar a barreira dos 100 km/h em uma pista reta preparada ao ar livre. Embora isso tenha exigido condições especiais, demonstra o quão longe a velocidade humana sobre patins pode chegar.
Destaques
Masculino
500m e 1000m: A surpresa dos Jogos de Milão será o jovem estadunidense Jordan Stolz. Atual líder da Copa do Mundo de patinação velocidade nas provas de 500m e 1000m, Stolz teve a quinta colocação nos 500m dos Jogos da Juventude Lausanne-2020, na Suíça, como melhor posição em edições olímpicas. Em Pequim 2022, na China, Stolz foi 13ª (500m) e 14º (1000m).

Stolz venceu nove das onze etapas da Copa do Mundo 25/26 na soma das provas de 500m e 1000m. Em ambas as distâncias, o polonês Damian Żurek e o neerlandês Jenning de Boo são concorrentes próximos de Stolz e também são candidatos à vitória.
Para o pódio, o japonês Wataru Morishige, o norueguês Bjørn Magnussen e o neerlandês Sebas Diniz estão na briga dos 500m, enquanto nos 1000m o neerlandês Tim Prins, o alemão Finn Sonnekalb e o estoniano Marten Liiv são cotados.






