Neste domingo (31) no horário nobre do esporte brasileiro, João Fonseca entrou para jogar a sua primeira oitavas de final de Grand Slam, na mítica quadra Philippe-Chatrier onde Guga foi tricampeão e onde o próprio João venceu de forma épica Novak Djokovic na rodada anterior. O adversário da vez foi o norueguês Casper Ruud, cabeça de chave nº 15, duas vezes finalista de Roland Garros e três vezes finalista de Grand Slam. A grande dúvida para esse jogo era sobre a questão física e emocional do brasileiro dado o desgaste do jogo contra Djokovic. Tendo 19 anos, a recuperação biológica é mais acelerada, mas dada a inexperiência nessas situações acaba se tornando uma incógnita. Todavia, Ruud também já fez dois jogos de cinco sets nesse torneio, assim como o João, os dois chegaram incrivelmente com a mesma duração de jogos.
João fez um jogo extremamente sólido, decisivo nos principais pontos, com muita coragem, ousadia e firmeza. Quando precisou sair das dificuldades, saiu com ótimos saques. O terceiro set escapou no detalhe, mas já no quarto voltou se perdoando e conseguiu definir neste set. O jogo todo teve uma duração de 3h58, o que exigiu do físico do João que já vinha de duas partidas longas e o físico tão criticado por pessoas precoces, deu muita conta do recado. João fez apenas dois aces, mas um deles para ter o 40-0 quando sacava para o jogo. Ele obteve 73% de primeiro serviço em quadra com 72% dos pontos ganhos no primeiro serviço e 61% com o segundo, superando Ruud nos dois quesitos. Ambos tiveram 51 winners e 52 erros não forçados. Outro ponto que chamou a atenção foi a solidez de backhand, altamente sólido e confiante com este golpe no dia de hoje.
João ganhou o sorteio e escolheu começar sacando e foi muito sólido nos seus games de serviço, mas quando teve 30-30 soube sair do sufoco. João teve as primeiras chances de quebra de saque, foram 3 chances no quarto game mas não conseguiu aproveitar. No último game recebendo em 6/5, João conseguiu ter dois set points e aproveitou no segundo. Para ter o set point decisivo, o brasileiro teve que dar uma passada de backhand linda para ganhar o ponto, e para ganhar o set contou com o erro não forçado de forehand do norueguês logo após o saque. A parcial foi fechada em 7/5 em 58 minutos.
O segundo set começou em 2/0 com o João quebrando Ruud no segundo game buscando um 30-0, mas não conseguiu sustentar a quebra, sendo quebrado logo na sequência em um game mal jogado. No sétimo game, Ruud teve um 15-40 pra quebrar e o João salvou o game com muita coragem e firmeza no saque. Em 5/5, João sacou e foi o game mais longo até então com mais de 12 minutos onde o brasileiro teve que salvar 3 break points. Foi um game em que Ruud jogou muito bem e se defendeu de todas as formas possíveis, inclusive fazendo dois pontos espetaculares que levantaram a quadra e o encheram de confiança. No game seguinte também muito longo com mais de 10 minutos, João teve o set point em 30-40, chegou com o forehand acessível mas preferiu dar uma curta que foi para fora. No iguais, João teve mais um set point mas o forehand na paralela saiu por muito pouco, tão pouco que ele comemorou com o grito estendido. O set foi decidido no tie-break com o Ruud abrindo 5-2, João salvou três set points com o norueguês sacando e o brasileiro conseguiu fechar em 10-8 num tie-brek extremamente tenso com o juiz de linha chamando duas bolas foras do João em que foram dentro. O segundo set teve 1h24 de duração.

