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Recorde de Alison dos Santos, o Piu, reforça importância do investimento em formação esportiva no Brasil

Velocista contou com infraestrutura dos clubes e apoio de Bolsa Atleta para seguir no atletismo

Redação Surto Olímpico 3 min
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Recorde de Alison dos Santos, o Piu, reforça importância do investimento em formação esportiva no Brasil
Foto: Christian Saneh/World Athletics

Na última quinta-feira (27), Alison dos Santos, o Piu, quebrou o recorde mundial dos 400m com barreiras, na etapa de Zurique da Diamond League, principal circuito de atletismo do planeta. Com um tempo de 45 segundos e 80 milésimos, o brasileiro superou a marca anterior do norueguês Karsten Warholm em 14 milésimos.

A conquista, no entanto, não veio da noite para o dia. Alison começou a treinar com 14 anos no Instituto Edson Luciano Ribeiro, mas foi no projeto social “Correndo para Vencer” que ganhou o apelido de “Piu” e ganhou mais destaque. Porém, o velocista, hoje brincalhão e extrovertido, era extremamente tímido quando mais jovem e quase abandonou as pistas aos 15 anos para se tornar empacotador de mercado.

Felizmente, após se juntar à equipe de Ana Cláudia Fidélis e ser terceiro colocado nos 300m com barreiras no Campeonato Brasileiro Mirim, em 2015, Alison passou a receber Bolsa Atleta, auxílio pago pelo Governo Federal a atletas brasileiros de alto rendimento e categorias de base, e manteve-se com o atletismo como principal fonte de renda.

"O resultado do Piu mostra que grandes conquistas não acontecem de forma isolada. Por trás de um recorde e de uma trajetória de sucesso, existe um processo de formação que exige acesso à infraestrutura, profissionais qualificados, competições e apoio financeiro, como o Bolsa Atleta, para que o profissional possa se desenvolver e seguir no esporte. Essa estrutura e incentivo são fundamentais para ampliar as oportunidades e garantir que mais talentos, independentemente de onde venham, tenham condições de transformar o potencial em resultados", afirma Vanessa Pires, CEO da Brada, plataforma que conecta investidores a projetos de impacto positivo.

Além do apoio governamental, o velocista compete no cenário nacional representando o Esporte Clube Pinheiros desde 2017, agremiação paulista que ofereceu a infraestrutura de ponta, fisioterapia e preparação física essenciais para a sua transição ao profissionalismo.

“Alisson é mais um dos grandes atletas brasileiros que têm nos clubes uma base fundamental para sua formação esportiva. Hoje, ele é um dos principais velocistas do mundo, e muito disso se deve à infraestrutura de ponta oferecida no início de sua carreira, que proporcionou o suporte necessário para seu desenvolvimento e para que pudesse alcançar os principais palcos do esporte em seu auge”, ressalta Paulo Maciel, presidente do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), entidade responsável por contribuir para a formação de atletas em diversas modalidades olímpicas.

Com o recorde mundial, Piu se tornou o único brasileiro a deter o melhor resultado histórico em provas de pista e o primeiro recordista do Brasil no atletismo desde 1998, quando Ronaldo da Costa alcançou a melhor marca do mundo na maratona. Na história, os brasileiros quebraram o recorde mundial no atletismo em nove oportunidades.

“Resultados como esse mostram que o alto rendimento começa muito antes do pódio. É preciso oferecer infraestrutura, acompanhamento técnico e condições adequadas para que o atleta possa se desenvolver desde a base. Quando existe esse ambiente, o talento encontra suporte para se transformar em resultado e, principalmente, em uma carreira esportiva sustentável”, afirma Sergio Schildt, presidente da Recoma, principal empresa produtora de pistas e instalações de atletismo na América Latina.

Alison dos Santos é uma das grandes esperanças do Brasil para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. Ao longo de sua carreira, o brasileiro acumula dois bronzes olímpicos, em Tóquio 2020 e Paris 2024, duas medalhas de ouro nos Jogos Pan-Americanos, em Lima 2019 e Santiago 2023, e o título do Mundial de Atletismo, em Eugene, no Oregon.

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