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Rio Open amplia estrutura e mira salto de patamar no tênis mundial a partir de 2027

Torneio terá 67 mil m², quadra central para 9.500 pessoas e expectativa de receber 50% mais público; diretor Lui Carvalho também falou ao Surto Olímpico sobre a possibilidade de o evento, no futuro, chegar ao nível de Masters 1000

Jamis Gomes Jr. 6 min
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Marcia Casz e Lui Carvalho apresentando detalhes da expansão do Rio Open
Marcia Casz e Lui Carvalho apresentando detalhes da expansão do Rio OpenFoto: Jamis Gomes Jr / Surto Olímpico

O Rio Open terá uma nova cara a partir de 2027. O ATP 500, que será disputado entre 13 e 21 de fevereiro, anunciou nesta terça-feira (25) uma ampla expansão dentro do Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro. A área do torneio passará de 40 mil para 67 mil metros quadrados, enquanto a capacidade da quadra central subirá para 9.500 espectadores.

A mudança será feita no espaço conhecido como Pião do Prado, área a céu aberto dentro do Jockey que já recebe grandes eventos. A expectativa da organização é aumentar em 50% o número de espectadores em relação à edição de 2026, que reuniu aproximadamente 70 mil pessoas ao longo dos nove dias de competição.

A nova configuração terá quatro quadras de jogos. Além da quadra central, com capacidade para 9.500 pessoas, aumento de 54%, a Quadra 1 passará a comportar até 2.500 espectadores, crescimento de 110%. As Quadras 2 e 3 terão capacidade para 400 e 200 pessoas, respectivamente.

A expansão também prevê uma área gastronômica maior, ampliação da Praça Rio Open, novos espaços de convivência e uma estrutura maior para patrocinadores. A área coberta será três vezes superior à existente atualmente.

Segundo a diretora geral do Rio Open, Marcia Casz, o crescimento acompanha a evolução do tênis brasileiro e o aumento do interesse do público pela modalidade.

“Foi esse crescente interesse dos brasileiros pelo tênis que nos inspirou a buscar um espaço maior para o Rio Open. Ao entregar essa nova estrutura, queremos que mais pessoas possam se inspirar com grandes atletas e grandes jogos, e ter uma experiência inesquecível”, afirmou.

Em 2026, o torneio também registrou recorde de 44 patrocinadores, além de 334 jornalistas credenciados, sendo 33 estrangeiros. A transmissão alcançou mais de 180 países.

Rio Open quer crescer sem deixar o Jockey

Uma das principais características do novo projeto é a permanência do Rio Open no Jockey Club Brasileiro. De acordo com o material divulgado pela organização, a parceria entre as partes será mantida pelos próximos dez anos.

A mudança de espaço dentro do próprio Jockey é justamente o que permite ao torneio crescer sem precisar deixar sua atual casa.

O diretor do Rio Open, Lui Carvalho, explicou durante a coletiva de imprensa que a nova área resolve uma limitação que existia na estrutura anterior.

Segundo ele, a capacidade de 9.500 pessoas da nova quadra central pode até se tornar pequena nos próximos anos caso o tênis brasileiro continue crescendo.

“Possivelmente 9.500 lugares vão ficar pequenos em dois, três anos, se o João Fonseca continuar nessa ascendente, se vier o Guto Miguel, se vier outros meninos que estão vindo por trás”, afirmou.

Lui também citou a possibilidade de o Brasil contar futuramente com uma geração numerosa de jogadores entre os 100 melhores do mundo, o que aumentaria ainda mais a demanda por ingressos e partidas.

Mapa do Pião do Prado, área aberta situada no centro do Jockey Club Brasileiro, para o Rio Open 2027. Foto: Reprodução / Rio Open

João Fonseca será a grande atração

O crescimento do Rio Open acontece em um momento de alta do tênis brasileiro, impulsionado principalmente pela ascensão de João Fonseca.

Lui confirmou que o carioca será a principal estrela brasileira da edição de 2027 e afirmou que a organização trabalha para montar um elenco internacional forte.

O diretor revelou que existem negociações com atletas que ainda não disputaram o torneio e mostrou confiança no lineup da próxima edição.

“Estou bastante confiante com o lineup de 2027. Acho que a gente está em boas discussões, tem bons atletas engajando com a gente, novidades, enfim, atletas que nunca jogaram no Rio Open antes”, disse.

Além de Fonseca, o dirigente destacou Guto Miguel, jovem brasileiro que vem ganhando espaço no circuito. Lui revelou que o Rio Open acompanha o atleta há alguns anos e o vê como uma das grandes promessas do tênis nacional.

“Certamente daqui a uns dois, três anos, ele vai ser uma das grandes novas estrelas do tênis brasileiro”, projetou.

Mudança de piso segue nos planos, mas não para 2027

Apesar da ampliação da estrutura, o Rio Open seguirá sendo disputado no saibro em 2027. O calendário também será mantido em fevereiro.

A possibilidade de uma mudança para piso duro vem sendo discutida há anos pela organização, principalmente porque o saibro pode dificultar a presença de alguns dos principais jogadores do circuito.

Lui afirmou que a alteração continua sendo um pedido feito à ATP e que uma eventual mudança poderia acontecer a partir de 2028 ou 2029, mas ainda não existe uma decisão.

“Em 2027 o torneio se mantém no saibro, o calendário se mantém exatamente igual e aí existe uma possibilidade de mudança do calendário a partir de 28 ou 29”, explicou.

A definição, segundo o diretor, depende de uma série de fatores dentro do calendário da ATP. Ele destacou ainda que os próprios jogadores têm preferência por evitar mudanças frequentes de superfície, especialmente pela preocupação com lesões e longevidade das carreiras.

A organização também não descarta uma alteração na data. Fevereiro continua sendo considerado um período de grande sucesso para o evento, mas a decisão final cabe à ATP.

Masters 1000? “Não é o nosso objetivo”

Questionado pelo Surto Olímpico sobre se a nova estrutura, com a expansão dentro do Jockey Club, poderia abrir caminho para o Rio Open futuramente se tornar um Masters 1000 sem precisar mudar de sede, Lui Carvalho afirmou que essa possibilidade não é o foco atual da organização.

O diretor reconheceu que disputar um Masters 1000 no Rio é um sonho, mas ressaltou que a promoção depende de fatores que vão muito além do torneio.

“O Masters 1000 não é algo que a gente vai colocar no radar, porque está fora do nosso controle, é um processo muito mais demorado e complicado”, afirmou.

Lui explicou que o objetivo imediato é utilizar a expansão para colocar o Rio Open entre os maiores e melhores ATP 500 do mundo.

“A gente está tentando se posicionar como um dos melhores e maiores torneios ATP 500 do mundo e eu acredito que essa mudança posiciona a gente exatamente nesse lugar.”

O dirigente, porém, não fechou completamente a porta para um cenário futuro.

“O Rio é algo que está no radar por um curto prazo, médio prazo. Eu acho que é um sonho ainda bastante, mas é isso: há 12 anos atrás a gente também não esperava, há três anos atrás a gente não esperava anunciar um plano de expansão aqui.”

Para Lui, o momento atual do mercado brasileiro cria condições para que o torneio continue crescendo. Ele citou o desempenho nas redes sociais, o interesse de patrocinadores e a velocidade na venda de ingressos como sinais da força do tênis no país.

Rio Open não terá torneio feminino em 2027

Apesar do aumento da estrutura, o Rio Open também não pretende voltar a receber simultaneamente as competições masculina e feminina.

O antigo formato, que reunia um ATP 500 e um WTA 250, deixou de existir, e a vaga do torneio feminino passou a ser ocupada pelo SP Open, em São Paulo.

Lui avaliou que o atual modelo, com o Rio Open em fevereiro e o SP Open em setembro, funciona melhor para o desenvolvimento do tênis masculino e feminino no país.

Ingressos ainda não têm preço definido

A organização ainda não definiu os valores dos ingressos para a edição de 2027. Lui afirmou que o objetivo é manter opções acessíveis, principalmente nas primeiras sessões, além de estudar novos formatos de entrada para aproveitar a expansão do espaço.

A nova estrutura representa, assim, um aumento físico do Rio Open, uma tentativa de preparar o evento para uma nova fase do tênis brasileiro, com João Fonseca como principal nome, uma geração de jovens talentos surgindo e a possibilidade de novas mudanças no torneio nos próximos anos.

Por enquanto, a única certeza é que 2027 será no saibro, em fevereiro e no Jockey Club Brasileiro, mas com um Rio Open muito maior para abraçar todos os presentes na Cidade Maravilhosa.

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