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Rumo a Los Angeles 2028: como foi a primeira parte do ciclo olímpico do Time Brasil

Preparação da equipe brasileira para os Jogos Olímpicos destaca conquistas e renovação, com foco em repetir sucesso das últimas edições

Redação Surto Olímpico 5 min
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Rumo a Los Angeles 2028: como foi a primeira parte do ciclo olímpico do Time Brasil
Foto: Marina Sá/COB

Metade do período de preparação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 foi concluído e o Time Brasil acumulou grandes conquistas e campanhas na primeira parte do ciclo olímpico, considerado estratégico para o planejamento esportivo. Além disso, iniciou-se um novo momento de renovação em diferentes esportes, que confirmou o potencial de uma nova geração de atletas, com campanhas expressivas no cenário internacional.

O bom desempenho neste início de ciclo também reflete a estrutura e o suporte oferecidos pelos clubes formadores no país, com protagonismo do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), responsável por contribuir com a formação de atletas em diversas modalidades olímpicas.

"Os dois anos iniciais representam um momento essencial para preparar os talentos que chegarão aos Jogos Olímpicos em seu ápice. Nesse sentido, a integração entre Clubes, Confederações e o Comitê Olímpico do Brasil (COB) é fundamental e decisiva para garantir aos atletas as condições necessárias para alcançar o melhor desempenho possível", analisa Paulo Maciel, presidente do CBC.

Entre os destaques individuais está Hugo Calderano, número 9 do mundo no tênis de mesa, que fez história ao conquistar a Copa do Mundo da modalidade, em Macau, se consagrando como o primeiro jogador das Américas a erguer o troféu, além de conseguir um conseguir um vice campeonato no Mundial, em Doha, quebrando um domínio histórico de europeus e asiáticos. Calderano ainda venceu três etapas do WTT e se destacou nas duplas mistas ao lado de Bruna Takahashi, atingindo a segunda posição no ranking da modalidade.

Nas quadras, a nova promessa do tênis brasileiro é João Fonseca. Com apenas 20 anos, o jovem tenista ocupa a 26ª posição no ranking da ATP e é o segundo mais jovem entre os 50 mais bem colocados. Neste ano, o carioca atingiu a melhor colocação em um Grand Slam na carreira após derrotar Djokovic por 3 sets a 2 em Roland Garros e alcançar as quartas de final, feito que o Brasil não registrava desde 2004, com Gustavo Kuerten.

“João Fonseca representa uma nova geração que chega com muita força e mostra que o tênis brasileiro tem capacidade de formar atletas para competir no mais alto nível. Resultados como o dele ajudam a renovar o interesse pela modalidade e inspiram crianças e jovens que estão começando no esporte. Para o próximo ciclo olímpico, ter um atleta desse nível em ascensão é muito importante para o desenvolvimento e para as perspectivas do tênis brasileiro”, comenta Danilo Gaino, presidente da Federação Paulista de Tênis.

O surfe é outra modalidade em que o Brasil segue em alta. No ano passado, Yago Dora se sagrou campeão mundial após liderar a temporada regular e confirmar o favoritismo na etapa decisiva, em Cloudbreak, Fiji, conquistando seu primeiro título da WSL. Ítalo Ferreira, medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio, é o atual líder do ranking mundial, enquanto Gabriel Medina, medalhista de bronze em Paris, se recuperou de uma lesão no ombro e está de volta à elite do surfe.

Entre as brasileiras, Luana Silva chegou a liderar a categoria e é atualmente o principal destaque do país. Por outro lado, Tatiana Weston-Webb, medalhista de prata em Paris, afastou-se das pranchas nos últimos anos para se dedicar aos cuidados com a filha. Com isso, a surfista deve retornar ao circuito mundial em 2027.

Com o título do SLS Rio Takeover, Rayssa Leal retomou a boa fase e atingiu a 5ª conquista no ciclo olímpico. A skatista ficou três meses afastada das pistas devido a uma lesão óssea no joelho direito durante o Mundial de Skate, em São Paulo. Recuperada, a Fadinha buscará o ouro inédito em Los Angeles, após ser prata em Tóquio e bronze em Paris.

Nos esportes coletivos, o vôlei feminino brasileiro é outra força no início do ciclo. Com uma equipe repleta de novas jogadoras, a seleção foi vice-campeã da Liga das Nações em 2025 e 2026. As comandadas de José Roberto Guimarães ainda terminaram o Campeonato Mundial de 2025, na Tailândia, na terceira colocação.

O basquete masculino brasileiro também vive um grande momento. O Brasil se sagrou pentacampeão da Copa América de Basquete, em campanha que contou com vitória de virada sobre os Estados Unidos e revanche na final contra a Argentina, atual campeã do torneio. A seleção brasileira de basquete universitário ainda conquistou o ouro nos Jogos Mundiais Universitários de Rhine-Ruhr 2025, após 62 anos, em mais uma remontada contra os norte-americanos na final.

No cenário continental, o Brasil fez uma campanha histórica e quebrou o próprio recorde de medalhas no Pan-Americano Júnior, realizado em Assunção, no Paraguai, garantindo 48 vagas para o Pan Adulto 2027, que será em Lima, no Peru. Essa foi a primeira grande competição do ciclo para LA-2028 e vitrine para atletas que devem compor o futuro do Time Brasil.

“Os resultados dessa primeira metade do ciclo mostram a força que o esporte brasileiro tem quando existe uma estrutura adequada para o desenvolvimento dos atletas. A preparação para uma Olimpíada começa muito antes dos Jogos, e ter clubes, centros de treinamento e profissionais capacitados é fundamental para que esses talentos possam evoluir e chegar ao alto nível. Los Angeles 2028 ainda está pela frente, mas essa nova geração já demonstra que o Brasil tem atletas com potencial para manter o país competitivo e buscar grandes resultados”, afirma Arthur Zanetti, medalhista olímpico e embaixador da Recoma, empresa brasileira especializada em infraestrutura esportiva.

Campeãs em Paris aproveitam de período sabático

Uma coincidência do início do ciclo olímpico foi que as medalhistas de ouro Rebeca Andrade, na ginástica artística, Beatriz Souza, no judô, e Ana Patrícia e Duda, no vôlei de praia, decidiram passar por um período de descanso após as conquistas em Paris.

A ginasta, dona do recorde de medalhas da história do Brasil nos Jogos Olímpicos, anunciou uma pausa na carreira após o Campeonato Brasileiro de Ginástica Artística de 2024 e retornou às competições em julho deste ano. Em sua volta, Rebeca registrou a maior nota do mundo no salto em 2026: 14,800, após realizar um Yurchenko com dupla pirueta.

Já a judoca optou por um período quase sabático em 2025, deixando de participar de torneios internacionais no segundo semestre. Para se manter no circuito mundial, Beatriz Souza disputou apenas três competições no ano passado: foi campeã no Campeonato Pan-Americano de Santiago, ficou em quinto lugar no Grand Slam de Astana e foi derrotada na segunda luta do Mundial de Budapeste.

Por fim, a dupla do vôlei de praia conciliou momentos de pausa e competição no período pós-Jogos Olímpicos de Paris. Inicialmente, as campeãs mantiveram o alto nível, mas os problemas começaram a surgir. A dupla anunciou a primeira pausa após Ana Patrícia sofrer uma lesão na coxa. Paralelamente, Duda enfrentou questões relacionadas à saúde mental e decidiu se afastar do esporte em algumas ocasiões ao longo dos dois anos. Apesar disso, esportivamente, a dupla se manteve no topo e conquistou o Circuito Brasileiro em 2025.

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