O presidente do Comitê Olímpico e Ministro do Esporte da Rússia, Mikhail Degtyarev, afirmou que as nações não devem decidir quais atletas podem competir em torneios internacionais nem ditar as condições de sua participação.
As declarações de Degtyarev surgem em meio ao que a Rússia considera uma mudança significativa no cenário esportivo internacional, após a decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI), em julho, de reintegrar o Comitê Olímpico Russo (ROC) e recomendar a suspensão das restrições à participação de atletas russos em torneios internacionais.
Falando à margem do Fórum Econômico Oriental de 2026, em Vladivostok, Degtyarev defendeu que as competições internacionais sejam organizadas de modo a permitir a participação de atletas elegíveis, sem que restrições políticas ou nacionais impeçam sua presença.
"O esporte mundial não se curvará aos 'caprichos' de Estados individuais, e as principais competições do calendário do COI serão realizadas onde não existam obstáculos para os participantes individuais", disse Degtyarev. "Os países que discordarem terão de organizar eventos menores ou de âmbito nacional."
Suas palavras representam uma crítica contundente a países e organizações esportivas que apoiaram restrições aos atletas russos desde 2022.
Degtyarev também destacou a experiência da Rússia nos últimos anos, argumentando que a forma como o país foi tratado pelas entidades esportivas internacionais contribuiu para um debate mais amplo sobre os rumos do esporte mundial.
"O caso da Rússia tornou-se um importante catalisador nesse processo", afirmou Degtyarev. Ele observou que a situação dos atletas e das federações esportivas russas mudou consideravelmente em relação ao período imediatamente posterior à imposição das restrições internacionais.
"Antes de 2024, eles apertavam o cerco contra nossos atletas e federações, mas nos últimos anos — especialmente após a decisão do COI de restaurar o status do Comitê Olímpico Russo — a situação mudou drasticamente", acrescentou.
Em 28 de fevereiro de 2022, o COI recomendou que federações esportivas internacionais e organizadores impedissem a participação de atletas e dirigentes da Rússia e da Bielorrússia em eventos esportivos internacionais. A recomendação ocorreu após o início da guerra da Rússia na Ucrânia e foi posteriormente adotada, de diversas formas, pela maioria das federações internacionais.

