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Rússia adverte países que colocam dificuldades para participação de atletas do país em competições internacionais

COI retirou de forma provisória a suspensão da Rússia dos eventos esportivos em julho

Regys Silva 3 min
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Rússia adverte países que colocam dificuldades para participação de atletas do país em competições internacionais
Foto: Reprodução/X TASS

O presidente do Comitê Olímpico e Ministro do Esporte da Rússia, Mikhail Degtyarev, afirmou que as nações não devem decidir quais atletas podem competir em torneios internacionais nem ditar as condições de sua participação.

As declarações de Degtyarev surgem em meio ao que a Rússia considera uma mudança significativa no cenário esportivo internacional, após a decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI), em julho, de reintegrar o Comitê Olímpico Russo (ROC) e recomendar a suspensão das restrições à participação de atletas russos em torneios internacionais.

Falando à margem do Fórum Econômico Oriental de 2026, em Vladivostok, Degtyarev defendeu que as competições internacionais sejam organizadas de modo a permitir a participação de atletas elegíveis, sem que restrições políticas ou nacionais impeçam sua presença.

"O esporte mundial não se curvará aos 'caprichos' de Estados individuais, e as principais competições do calendário do COI serão realizadas onde não existam obstáculos para os participantes individuais", disse Degtyarev. "Os países que discordarem terão de organizar eventos menores ou de âmbito nacional."

Suas palavras representam uma crítica contundente a países e organizações esportivas que apoiaram restrições aos atletas russos desde 2022.

Degtyarev também destacou a experiência da Rússia nos últimos anos, argumentando que a forma como o país foi tratado pelas entidades esportivas internacionais contribuiu para um debate mais amplo sobre os rumos do esporte mundial.

"O caso da Rússia tornou-se um importante catalisador nesse processo", afirmou Degtyarev. Ele observou que a situação dos atletas e das federações esportivas russas mudou consideravelmente em relação ao período imediatamente posterior à imposição das restrições internacionais.

"Antes de 2024, eles apertavam o cerco contra nossos atletas e federações, mas nos últimos anos — especialmente após a decisão do COI de restaurar o status do Comitê Olímpico Russo — a situação mudou drasticamente", acrescentou.

Em 28 de fevereiro de 2022, o COI recomendou que federações esportivas internacionais e organizadores impedissem a participação de atletas e dirigentes da Rússia e da Bielorrússia em eventos esportivos internacionais. A recomendação ocorreu após o início da guerra da Rússia na Ucrânia e foi posteriormente adotada, de diversas formas, pela maioria das federações internacionais.

Consequentemente, atletas russos e bielorrussos foram excluídos de inúmeras competições, e as equipes nacionais de ambos os países também foram impedidas de participar de muitos eventos internacionais.

Mais tarde, o COI começou a caminhar para um retorno mais restrito dos atletas individuais. Em março de 2023, recomendou-se que atletas russos e bielorrussos tivessem permissão para competir internacionalmente sob condições específicas. Tais condições incluíam competir sem representação nacional e demonstrar que não apoiavam ativamente a operação militar da Rússia na Ucrânia. O COI também manteve sua posição de que as equipes russas e bielorrussas deveriam permanecer excluídas de competições internacionais.

A disputa estendeu-se posteriormente ao próprio ROC. Em outubro de 2023, o COI suspendeu o órgão olímpico russo depois que este incorporou ao seu quadro de membros conselhos olímpicos das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, bem como das regiões de Zaporizhzhia e Kherson.

A decisão do COI, em julho, de reintegrar o ROC foi, portanto, vista em Moscou como um desdobramento importante. Degtyarev apresentou a medida como prova de que a posição da Rússia na comunidade esportiva internacional está mudando após vários anos de restrições.

Os comentários de Degtyarev surgem num momento em que entidades esportivas internacionais continuam a enfrentar questionamentos sobre como atletas russos e bielorrussos devem ser tratados em futuras competições e se a participação deve ser definida por critérios de elegibilidade esportiva ou por considerações políticas mais amplas.

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