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Suécia busca meios legais para impedir a participação de atletas neutros russos no Mundial de Esqui Nórdico

A iniciativa surge na sequência de uma decisão da Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS) de ampliar seu programa de "status neutro" para a próxima temporada de inverno, permitindo que 13 esquiadores russos de cross-country participem de competições internacionais

Regys Silva 4 min
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Suécia busca meios legais para impedir a participação de atletas neutros russos no Mundial de Esqui Nórdico
Foto: Reprodução

A Suécia busca meios legais para impedir a participação de atletas neutros russos no Mundial de Esqui Nórdico em 2027.

Autoridades governamentais em Estocolmo estão avaliando meios jurídicos para negar autorizações de entrada a competidores de esqui cross-country, após órgãos internacionais terem concedido a eles elegibilidade para participar do principal torneio nórdico, previsto para o próximo ano.

O Mundial de 2027, em Falun, está agendado para fevereiro e março. A iniciativa surge na sequência de uma decisão da Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS) de ampliar seu programa de "status neutro" para a próxima temporada de inverno, permitindo que 13 esquiadores russos de cross-country participem de competições internacionais.

A emissora pública sueca SVT revelou que a Associação Sueca de Esqui (Svenska Skidförbundet) e a Confederação Sueca de Esportes (RF) solicitaram formalmente ao governo e ao Ministério das Relações Exteriores que restrinjam a entrada de competidores que competem sob status neutro.

"Como a decisão foi tomada, precisamos cumpri-la, mas não consideramos que seja uma boa decisão", afirmou à SVT Pernilla Bonde, secretária-geral da Associação Sueca de Esqui. "Levamos a questão à Confederação Sueca de Esportes (RF). Talvez o assunto possa ser encaminhado ao Ministério das Relações Exteriores, para que analisem quais cidadãos estrangeiros têm permissão para entrar no país."

Toralf Nilsson, vice-presidente da Confederação Sueca de Esportes, confirmou que estão em curso discussões formais com o governo sueco sobre as normas para a concessão de vistos a cidadãos russos.

Em declaração à agência de notícias Reuters, o ministro da Migração da Suécia, Johan Forssell, confirmou que o governo se opõe firmemente à participação de atletas russos e bielorrussos e está examinando os fundamentos jurídicos disponíveis para impedir a entrada deles no país. "Estamos analisando as bases legais que permitiriam a recusa de vistos para atletas russos e bielorrussos", disse ele à Reuters, ressaltando que permitir a entrada desses indivíduos traz um "risco evidente de que isso leve à normalização da agressão da Rússia contra a Ucrânia".

Forssell indicou à SVT que poderiam ser invocadas disposições de segurança já existentes na legislação sueca, a qual permite a recusa de vistos caso os solicitantes sejam considerados uma ameaça à segurança nacional.

A Suécia foi um dos 11 países europeus que, no início deste ano, enviaram uma carta conjunta à Comissão Europeia solicitando a proibição, em toda a União Europeia, da emissão de vistos não essenciais para cidadãos russos. Como não se espera uma análise da Comissão Europeia antes da primavera, as autoridades suecas estão avaliando se regulamentações nacionais podem ser implementadas de forma independente antes do campeonato em Falun.

As restrições propostas geraram críticas por parte de atletas russos que foram autorizados a competir sob o status de neutros. O esquiador russo Savelii Korostelev, que participou dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 como atleta neutro, expressou sua decepção com a iniciativa sueca. "É triste quando tentam misturar esporte e política", afirmou.

A estrela sueca Ebba Andersson reconheceu a complexidade da questão em declaração ao jornal sueco Expressen.

"Sim, na minha opinião, é uma questão extremamente complexa. Fico muito contente que a Associação Sueca de Esqui esteja cuidando disso, assim não preciso me posicionar pessoalmente", disse ela.

Ao ser questionada se se sentiria confortável competindo ao lado de esquiadores russos no Campeonato Mundial, Andersson observou que já o fez no circuito da Copa do Mundo. "Portanto, a meu ver, não há diferença entre um Campeonato Mundial e uma Copa do Mundo", acrescentou. "Enquanto não houver uma política realmente clara sobre o que acontecerá no próximo inverno, os atletas precisam simplesmente aceitar a situação como ela é."

O atrito diplomático na Suécia ocorre após a recente controvérsia no Campeonato Mundial de Ginástica Artística, em Roterdã, onde as autoridades de imigração holandesas negaram vistos de entrada a importantes ginastas russas — incluindo a atual campeã mundial do individual geral, Angelina Melnikova; a campeã olímpica Viktoria Listunova; e a campeã europeia Anna Kalmykova —, alegando preocupações com as relações internacionais e a segurança.

A questão mais ampla das restrições de entrada na Europa foi abordada diretamente em Moscou, durante uma reunião no Kremlin na terça-feira, na qual o ministro do Esporte da Rússia, Mikhail Degtyarev, informou o presidente Vladimir Putin sobre os esforços para a reintegração dos atletas russos no cenário internacional.

Degtyarev afirmou que os países europeus que se recusarem a conceder vistos enfrentarão consequências jurídicas, conforme as normas atualizadas do Comitê Olímpico Internacional, que exigem que as nações candidatas a sediar eventos ofereçam garantias juridicamente vinculativas de acesso igualitário a todos os competidores elegíveis. Degtyarev alertou que os países europeus que não cumprirem esses requisitos de entrada correm o risco de perder o direito de sediar futuros grandes eventos esportivos.

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#Mundial de Esqui Nórdico#Rússia#Guerra da Ucrânia#Suécia