Seleção mostrou poder de reação com um terceiro set avassalador para virar o jogo e manter viva a esperança do título inédito
Após perder a parcial inicial, a seleção brasileira feminina se recompôs, derrotou o Japão por 3 sets a 1, com parciais de 24/26, 25/22, 25/16 e 25/20 nesta quarta-feira (22), em Macau, na China, e avançou à semifinal da Liga das Nações de Vôlei (VNL). Em busca de uma vaga na decisão, a equipe comandada por José Roberto Guimarães enfrentará a sua algoz Itália, que bateu facilmente os Países Baixos por 3 sets a 0.
Esta é a sétima vez, em oito edições, que o Brasil alcança a semifinal da competição. Apesar da regularidade, a seleção nunca conquistou o título e acumula quatro vice-campeonatos — o mais recente justamente diante das italianas.
Destaques
Magistral, Ana Cristina despejou toda sua potência e anotou espetaculares 30 pontos, sendo a maior maior pontuadora do jogo. Com expressivos 24 pontos, Julia Bergmann também teve importante colaboração para o resultado positivo. Destaque também para a boa atuação do sistema de bloqueio, fundamento responsável por 15 pontos — quatro deles feitos pela central Luzia.
A ponteira/oposta Yukiko Wada marcou 19 pontos e foi o principal nome ofensivo japonês na partida.
O jogo
1° set
Logo no quarto ponto do jogo houve um rali de 29 segundos, denotando a alta qualidade de ambas as equipes no setor defensivo. Lorena encerrou essa disputa com um belo bloqueio para cima de Sato e colocou 3 a 1 no marcador. O Brasil desconcentrou e o Japão passou à frente (9 a 7) com dois aces de Seki e um toque na rede de Rosamaria. As japonesas entraram com táticas claras: atacar com largadinhas para fugir do bloqueio, além de sacar em Ana Cristina para explorar suas deficiências no passe e também para minimizar sua atuação ofensiva.
Ao corrigir momentaneamente os desperdícios no saque, as brasileiras dificultaram o passe adversário e empataram em 16. A virada (19 a 18) veio com Ana Cristina pela entrada de rede, numa linda cravada na paralela. Roberta, que estava distribuindo bem os levantamentos, encontrou na ponteira sua bola de segurança. O equilíbrio seguiu até o fim, mas os seis erros ao longo da parcial e o bloqueio da central Yamada em Julia Bergmann deram o triunfo ao time asiático por 26 a 24.
2° set
Variando a estratégia em relação ao primeiro set, Roberta iniciou o segundo priorizando o trio das pontas, que correspondeu. A marcação do meio de rede gerou dois pontos de bloqueios, de Bergmann e Diana. No entanto, as japonesas não esmoreceram, demonstraram eficiência no ataque e abriram 12 a 10. A melhora no saque, que desestabilizou a recepção japonesa, e o forte bloqueio, com a entrada da central Luzia, contribuíram para o time de Zé Roberto tomar a dianteira em 17 a 15. Trocando bolas e administrando a vantagem, o Brasil contou com três pontos seguidos de Ana Cristina e com erros de ataque do oponente para fazer 25 a 22 e igualar a partida.
3° set
Diferente das parciais anteriores, as brasileiras largaram abrindo 4 a 0 com ataques de Ana Cristina e Rosamaria e ace de Bergmann. Surpreendentemente, as asiáticas cometeram erros na recepção, inclusive entregando várias bolas de cheque, e colapsaram no sistema defensivo. Não conseguiram conter o forte poderio ofensivo do adversário. Tudo fluiu tranquilamente para o Brasil, desde a defesa, consistente, ao ataque eficiente, principalmente com Rosamaria, responsável por seis dos 16 pontos no momento. Roberta desfilou nos levantamentos. Diana e Luzia ergueram o muro pelo meio de rede e o saque também seguia dificultando a recepção japonesa.
O treinador Ferhat Akbas promoveu várias mudanças ao longo do set tentando encontrar soluções, mas nada adiantou. O período foi tão fácil que Bergmann pontuou até “sem querer”, quando apenas empurrou a bola para a quadra adversária. O rolo compressor pintado de amarelo e azul passou por cima e virou o jogo numa pipe de Ana Cristina (25 a 16).
4° set
As japonesas juntaram os cacos e não se deram por vencidas. Voltaram mais fortes e deixaram o duelo mais parelho, como o esperado. Wada e Ishikawa dividiram a responsabilidade e mantiveram a equipe viva, enquanto do outro lado da rede Ana Cristina puxava a pontuação. A ponteira marcou metade dos pontos brasileiros (12 a 10). O time asiático anotou dois aces seguidos e chegou a abrir três de vantagem (18 a 15) ao impor uma forte marcação nos golpes pelas extremidades do ataque adversário, mas Zé Roberto pediu tempo técnico e sua equipe respondeu positivamente, principalmente com Ana Cristina.
Mais uma vez a jogadora mostrou sua importância no jogo para virar o set para o Brasil num ace (20 a 19). Além dela, sua parceira de posição, Julia Bergmann, teve papel fundamental no setor ofensivo na reta final. Também num ponto de saque, a ponteira deu números finais ao set em 25 a 20 e ao embate, por 3 a 1.









