Em 2026, é impossível falar do atletismo brasileiro sem citar o nome de Caio Bonfim (CASO-DF). O atleta de 35 anos é um dos grandes responsáveis por fazer a marcha atlética se tornar conhecida no país, graças às suas relevantes conquistas. Reconhecido internacionalmente, é um dos grandes nomes do Mundial de Marcha Atlética Caixa por Equipes 26, que será disputado neste domingo, 12 de abril, em Brasília.
Campeão dos 20 km e vice-campeão dos 35 km no Mundial de Tóquio, em 2025, tornou-se o atleta brasileiro mais laureado na competição. No ano anterior, Caio já havia colocado a marcha definitivamente em lugar de destaque, com a medalha de prata nos 20 km dos Jogos Olímpicos de Paris-2024. Agora, experimenta a popularidade em casa, marchando diante dos torcedores brasilienses e brasileiros.
Tal status é um feito e tanto para o atleta, que assim como outros marchadores, precisou enfrentar o preconceito com uma prova cuja técnica demanda o movimento ritmado dos quadris. A diferença, no caso de Caio, é que a marcha atlética foi mais do que uma escolha: foi praticamente uma herança de família. Afinal, ele é filho de Gianetti Oliveira de Sena Bonfim, ex-marchadora octampeã nacional, medalhista sul-americana e ibero-americana, e de João Evangelista de Sena Bonfim, que foi técnico da esposa nessa trajetória vencedora.
Todos estão envolvidos na disciplina, dentro e fora das pistas, já que a família também é condutora do Centro de Atletismo de Sobradinho (CASO-DF), que trabalha com crianças e jovens como projeto social, e como clube de alto rendimento. Além de Caio, outros sete atletas do CASO estão na seleção brasileira que disputa o Mundial de Equipes, incluindo os olímpicos Gabriela Muniz, Max Batista e Lucas Mazzo.
Apesar de a marcha ser assunto doméstico, a opção do atleta pela prova foi tardia. Caio, que foi um menino muito ativo, sempre havia sido incentivado à prática esportiva pelos pais, nas mais diversas modalidades. Sua primeira opção foi o futebol, como a de tantos pequenos brasileiros. Ele chegou a atuar nas categorias de base do Brasiliense mas, aos 13 anos, fez testes no atletismo a pedido do pai.
Em 2007, com 16 anos, decidiu virar atleta da marcha atlética. E essa decisão veio da certeza de que, além dos desafios do esporte, teria também que superar o preconceito. Caio optou pela marcha sabendo que teria de enfrentar aqueles que ridicularizavam a prova e seus atletas.
Após a conquista da medalha de prata olímpica, em 2024, Caio deu seu recado aos preconceituosos. Afinal, ele inaugurava uma nova era para a marcha atlética brasileira. ”Não estamos brincando de rebolar, somos potência, somos medalhistas olímpicos. Eu fui muito xingado no primeiro dia que marchei com meu pai. Eu só comecei aos 16 anos porque era muito difícil ser marchador. Mas eu decidi ser xingado e não ter problema com isso.”
Caio, de fato, nasceu para marchar. Apenas cinco anos depois de sua estreia na prova, já disputava sua primeira Olimpíada. Em Londres-2012, aos 21 anos, realizou um sonho que não era só seu, mas também de Gianetti, que não pôde ter uma experiência olímpica como atleta. Mas, ao lado do filho, já esteve em quatro edições.
A segunda Olimpíada foi em 2016, no Rio. Caio lembra do privilégio de disputar os Jogos em casa, e do ”quase” na classificação final. O brasileiro foi quarto colocado, a apenas 5 segundos da medalha de bronze. Naquele momento, o marchador começou a ver uma mudança de mentalidade. Depois de uma Olimpíada em casa, mais pessoas conheceram a marcha atlética. As palavras ofensivas que ouvia ao treinar na rua diminuíram, e os incentivos aumentaram.

