Coordenadora técnica das Meninas do Vozão concedeu entrevista exclusiva ao Surto Olímpico esta semana
Esta semana, o Surto Olímpico entrevistou a coordenadora técnica do futebol feminino do Ceará, Clara Ferreira. Nesta entrevista, Clara falou sobre seu começo na modalidade, desafios para essa retomada do Ceará no futebol feminino, dentre outros assuntos.
Confira abaixo a entrevista na íntegra:
SO: Para começar, Clara: como o futebol, de um modo geral, entrou na sua vida?
Clara: Desde sempre eu gostei de futebol. Toda a minha família é louca por futebol. Desde criança gostava de jogar bola, com 14 anos participei de um projeto chamado Menina Olímpica, hoje se chama Meninas Campeãs. Então foi onde aprimorou esse amor, e do Meninas Campeãs, já vim para o Ceará nessa função de gestão, estou aqui no clube há oito anos. Faço o trabalho com amor e gosto muito disso aqui, de trabalhar aqui com as meninas, eu sempre amei isso.
SO: Como o futebol feminino entrou na sua vida e quando veio o desejo de querer crescer na modalidade?
Clara: O crescimento foi acontecendo de acordo com o meu trabalho. Na verdade, eu não tinha noção ainda de como poderia crescer, quando cheguei ao clube, mas graças a Deus foi e é gratificante esse crescimento, esse desempenho, essa vontade de fazer as coisas acontecerem.
SO: No seu entendimento, qual o maior desafio para essa retomada do futebol feminino do Ceará?
Clara: O retorno ao Brasileiro é sempre um desafio muito grande. Existem expectativas, a gente sempre quer dar o nosso melhor, no trabalho, tanto a comissão quanto as atletas, a gente tem o encargo da gestão também. De acordo com o que vai acontecendo nos jogos, as expectativas vão aumentando.
SO: Comente sobre essa sequência final do Ceará na Série A2: o Ceará briga com Pérolas Negras, Rio Negro e Taubaté por uma vaga na próxima fase e pega Minas Brasília, Vila Nova e Sport. O que falar sobre?
Clara: Essa briga por uma vaga na 2ª fase é real. A gente vai fazer o possível para ter essa vaga, os adversários são fortes, porém a gente não vai desanimar, vamos continuar brigando. Sem menosprezar o adversário, sempre entendendo o nosso processo.
SO: Existe um planejamento a longo prazo para refazer as categorias de base e formar atletas no próprio clube?
Clara: A gente tem esse sonho de retomar a categoria de base, não agora, infelizmente. Essa pausa foi bem dolorida, mas a intenção é de que, futuramente, a gente retorne com as categorias de base, que seja o início do sonho das meninas, que a gente consiga dar continuidade nesse processo de formação das meninas, inclusive temos algumas atletas com idade de base na equipe profissional. São atletas de bom desempenho e a gente tenta encaixá-las pra que elas não percam, infelizmente, a situação no nosso estado é bem difícil quanto a essas questões de categorias de base dos clubes. Espero que a gente consiga mudar isso e formar grandes atletas.
SO: Pode falar algo no quesito contratações? O Ceará pretende contratar alguém no futebol feminino para esse restante da temporada?
Clara: Todas as questões relacionadas a contratações serão definidas após a participação do Ceará na Série A2. O elenco é constantemente avaliado na busca de preencher lacunas e qualificar a base montada no início do ano.
Ao ser perguntada sobre uma possível participação do clube na Copa Maria Bonita, Ferreira afirmou que o Ceará não recebeu o convite ainda.
SO: No seu entendimento, o que falta para os clubes do Nordeste manterem projetos sólidos e de durabilidade no futebol feminino?
Clara: Nossa briga no Nordeste é relacionada a pausas, que infelizmente a gente acaba tendo que dar, por estar dependendo da equipe profissional masculina. Seria uma ótima se conseguíssemos recursos próprios, patrocínio, para dar continuidade apesar do masculino. Espero que a gente consiga mudar essa realidade não só no Nordeste, por ser uma região mais precária no sentido de pausas. No sul e sudeste o futebol feminino é mais desenvolvido, mas cada vez mais vai ficando claro que o futebol feminino precisa depender de si, e não poder de terceiros para se manter, precisando ser independente. E também deixar de lado essas questões de obrigatoriedade, a gente tem que ser independente e capaz pra poder seguir e evoluir.
SO: Gostaria que você falasse da alegria de ver o estado do Ceará, especificamente Fortaleza, ser uma cidade-sede de uma Copa do Mundo Feminina em 2027. Como ela pode ser importante para que a modalidade ganhe cada vez mais terreno, especialmente numa região que a modalidade ainda não engrenou?
Clara: Futebol feminino vem em crescente, a visibilidade aumenta quando a Copa se aproxima, o foco aumenta. A gente faz o possível, as atletas se esforçam para estar em visibilidad. Infelizmente, as atletas no Nordeste tem visibilidade menor. Pra gente é uma alegria enorme ser sede da Copa, espero que a gente consiga se mexer, se organizar melhor, que não seja moda, seja continuidade e o sustento das atletas, que elas não necessitem fazer bicos para complementar a renda.









