Entidade propõe compensação olímpica para premiar atletas

Presidente do COI se recusa a acrediar que atletas devam ser pagos para competir nos Jogos

Torre Eiffel

A organização internacional delineou medidas imediatas para melhorar o apoio financeiro a atletas, incluindo indenizações por participação, partilha de receitas e maior liberdade comercial, após o debate provocado por Kirsty Coventry.

A questão da compensação financeira para atletas, recentemente abordada pela presidente do Comitê Olímpico Internacional, ganhou novo fôlego com a publicação de uma proposta da Global Athlete, grupo que promove os direitos e a representação dos atletas. A proposta apresenta uma série de reformas destinadas a aumentar o apoio financeiro direto sem alterar formalmente o seu estatuto jurídico no Movimento Olímpico.

O documento surge como resposta direta aos comentários recentes de Coventry, que afirmou não acreditar que os atletas olímpicos devam ser pagos para competir. Para a GA, essa posição reabre uma discussão mais ampla sobre a distribuição do valor económico gerado pelo desporto olímpico.

Coventry esclareceu posteriormente que se referia aos prémios em dinheiro olímpicos, argumentando que tal modelo beneficiaria apenas um pequeno número de atletas, e insistindo que o COI deve encontrar mais formas de apoiar os atletas diretamente.

A GA defende que o objetivo fundamental continua a ser a obtenção de um acordo coletivo que garanta uma partilha justa das receitas e a representação formal dos atletas. Entretanto, a GA propõe medidas imediatas que permitiriam ao COI fornecer apoio financeiro significativo sem criar uma relação tradicional de empregador-empregado.

A GA afirmou ter desenvolvido a proposta em resposta aos apelos de atletas de todo o mundo por uma remuneração justa, insistindo que a questão não deveria ser encarada como caridade, mas sim como participação econômica no valor gerado pelos competidores. “Os atletas não estão pedindo caridade. Estão pedindo uma participação justa no valor que criam”, declarou a organização.

A GA argumenta ainda que o COI é uma organização multibilionária cujo valor comercial depende em grande parte dos atletas, mas menos de 0,5% de sua receita é distribuída diretamente a eles, e mesmo essa parcela limitada não chega a todos os competidores.

Entre as iniciativas mais significativas está a criação de uma indenização de participação olímpica de US$ 25.000 (€ 21.600) para cada atleta que competir nos Jogos. De acordo com os cálculos incluídos no documento, uma edição dos Jogos Olímpicos de Verão com aproximadamente 10.500 participantes exigiria um gasto total de cerca de US$ 262,5 milhões (€ 227 milhões). A GA alega que tal medida seria financeiramente viável utilizando os recursos existentes do COI. O documento observa que a organização detém cerca de US$ 5 bilhões (€ 4,32 bilhões) em reservas, gerou aproximadamente US$ 291,9 milhões (€ 252,5 milhões) em rendimentos de investimentos durante 2025 e recebeu mais de US$ 3,2 bilhões (€ 2,77 bilhões) dos direitos de transmissão associados a Paris 2024.

A proposta também destaca que as demonstrações financeiras auditadas da organização mostram que a receita gerada por Paris 2024 foi distribuída entre as Federações Internacionais, os Comitês Olímpicos Nacionais e o próprio COI, enquanto os atletas não receberam uma parcela direta equivalente.

Outro elemento central é a liberalização completa da Regra 40 e dos direitos de nome, imagem e semelhança dos atletas. A GA argumenta que os competidores devem ter liberdade para negociar contratos de patrocínio durante o período olímpico, uma medida que, segundo a organização, aumentaria as oportunidades de ganhos sem exigir gastos adicionais do COI.

A organização propõe a criação de um Fundo de Partilha de Receitas para Atletas, financiado pela alocação de 5% das receitas olímpicas. Segundo o documento, esse montante poderia gerar mais de 100 milhões de dólares (86,5 milhões de euros) anualmente para programas ligados a bolsas de estudo, assistência médica, seguro contra lesões, planos de aposentadoria e apoio educacional.

Além disso, o texto apela a uma maior transparência financeira no Movimento Olímpico. Entre outras medidas, busca mais informações públicas sobre indenizações e remunerações de dirigentes, despesas administrativas, custos operacionais e programas de apoio a atletas.

A proposta também se concentra na mudança das expectativas dos patrocinadores. De acordo com a GA, um número crescente de empresas deseja que seus investimentos tenham um impacto direto nos atletas, em vez de apenas apoiar as estruturas organizacionais do esporte.

Num dos trechos mais contundentes do documento, a organização questiona o argumento de que a experiência olímpica, as instalações ou as vilas olímpicas constituem compensação suficiente para aqueles que dedicam anos de preparação para chegar aos Jogos. O texto observa que muitos atletas olímpicos continuam a financiar parte de suas carreiras por meio de empregos adicionais, apoio familiar ou dívidas.

A iniciativa não constitui uma proposta formal do COI, nem faz parte de uma negociação institucional em curso. No entanto, coloca no centro do debate uma questão que está ganhando cada vez mais destaque no esporte internacional: como distribuir os benefícios econômicos gerados por um das maiores espetáculos esportivos do mundo entre aqueles que, em última análise, sustentam seu valor competitivo e comercial.

Regys Silva

Regys Silva

O surtado original. Criador do site em 2011 e louco pelas disputas da final olímpica do badminton até a final C do skiff simples do remo.Cearense e você pode me achar em Regys_Silva
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