Mãe e treinadora de Caio Bonfim falou em entrevista exclusiva ao Surto Olímpico
Gianetti Bonfim há tempos deixou de ser somente a mãe de Caio Bonfim, treinadora de sucesso, que tem o seu filho como maior expoente na marcha atlética, tem colhido os frutos de suas conquistas. No último mundial de marcha atlética, disputado no início de abril em Brasília, foram oito atletas do CASO Sobradinho, clube de marcha criado por ela, e seu marido, o também treinador João Sena, competiram e alguns deles foram ao pódio. Em entrevista exclusiva ao Surto Olímpico durante o CBC & Clubes Expo 2026, Gianetti contou com orgulho do trabalho no clube:
“É um legado que a gente tá deixando e isso é fruto de muito trabalho, né? Os resultados que o Caio vem obtendo mostram isso. E a gente sabe que precisa ter o ídolo, precisa da referência do esporte, pra ele se desenvolver mais rápido.”
Gianetti também comentou de forma bem humorada a declaração de Caio Bonfim sobre ele ter completado o ‘álbum de figurinhas’ dos pódios em competições: “A figurinha repetida, se vier a gente brinca de Bafo! Eu posso brincar com os meus netinhos! (risos)”
Confira abaixo a entrevista completa:
O mundial de marcha atlética em casa
Foi mágico. Maravilhoso. Sonho realizado, totalmente realizado com essa competição e e agradecida que a minha cidade, a minha confederação, a secretaria de esporte, ministério de esporte, governo, na forma geral, trabalharam juntos. Foi tudo perfeito, sem nenhuma falha. Quando a gente realizou uma conversa informal com o presidente da CBAt, falando o que a gente precisava trazer competições internacionais para Brasília, né? O Brasil é é um celeiro de produção de atletas e a gente precisava disso. E aí ele falou: “Vamos trazer um mundial de marcha para cá”, assim, quando a gente começou a sondar e, de repente, foi tornando-se real realizar o mundial aqui.
A visão que os estrangeiros da marcha tinham do Brasil
São dois pontos muito cruciais nessa história pra mim. Primeiro era mudar a imagem que as pessoas fazem do Brasil, né? A imagem da violência, corrupção e muitas outras coisas negativas, imagens aparecem lá fora. E a outra era de também mudar essa imagem que o brasileiro é fraco na marcha, sem tradição na marcha. E aí nesse campeonato, mudar todas essas imagens numa prova, numa competição só, foi lindo. O Brasil é lindo. E foi um campeonato mundial que jamais teve na história.
Participei de vários campeonatos mundiais de marcha quando eu era atleta. Como treinadora, nem sei mais quantos eu já fui. E a gente nunca teve uma festa dessa beleza, dessa logística, organização, então foi tudo muito bem feito, eu acho que a gente conseguiu apagar realmente essa imagem.Me senti muito realizada nessa competição.
Porque o Caio Bonfim disputou o Troféu Adhemar Ferreira da Silva
“Então, o mundo inteiro faz as provas de marcha de 5.000 metros. Tem a milha, tem 3.000, tem 10.000… Já o Brasil, fica focado muito nas provas oficiais, que a meia-maratona, e a maratona. E as provas são bastante cansativas, não dá para fazer sempre. E a gente conversou com o conselho técnico da confederação, para fazer provas mais curtas, não só a meia maratona. E a gente começando a já colocar as provas mais curtas, para todo mundo ir, para os atletas estarem com mais condições de participar. E aí no Adhemar vai ter os 5000, 10000, vai ser muito legal (Nota: A entrevista foi concedida um dia antes da prova do Caio, que venceu os 5000 metros) . E o Caio disse: ‘Não, eu quero ir também.’ E ele nunca participou (destas provas),né? porque geralmente o a gente tá na Europa, ou já tá Ásia, ou descansando de uma competição mais cansativa. E aí os 5000, vai dar essa essa visibilidade e o resultado também é importante. Nunca vamos pra brincar, vamos para ganhar.”

Um novo Bonfim vem aí?
No Caso, a gente tem muito menino novinho lá de 12, de 10 anos, 11, mas eles não podem competir ainda. E meu netinho de sete anos, fala comigo: ‘Vovó, não tem prova de marcha pra mim, eu queria tanto participar’. Então, assim, a gente tá fazendo essa escola de marcha atlética para as crianças, e eu espero que ela perdure por aí pra que venha uma nova geração. Tanto que quando eu e o Sena passarmos, que o Caio siga esse legado, e continue criando grandes atletas no Caso.
Como se manter no topo depois de chegar nele?
2024 foi um ano mágico, Maravilhoso, a medalha de prata, a medalha olímpica tão sonhada. Aí veio 2025, e nas provas da marcha, veio a prata e depois veio o ouro. E aí a gente consegue realizar o campeonato mundial na nossa casa medalhando medalhando e aí você começa a pensar ‘a gente já chegou aí no topo, mas.. E o que mais tem para melhorar?’. Porque o adversário também treina, investe e a marcha atlética é uma das provas mais democráticas do mundo no sentido de constância e equilíbrio.
Os melhores atletas de todos os tempos de muitos países estão nessa geração. O melhor sueco, o melhor chinês, o melhor italiano, o melhor colombiano, o melhor equatoriano…O nível está muito alto. Pra você ver, agora, em Brasília com 15 km de prova, já quase finalizando a prova, tinha 18 atletas no pelotão de frente. Caio disse que olhou para o lado, olhou para ouro e disse: “Cara, isso não vai esvaziar?”. Só foi lá pelas últimas três, duas últimas voltas, que ficou os três que definiram a prova.
Então, é uma prova de de atletas fortíssimos e de alto nível. Então, a gente tem que, sabe, tirar um coelho da cartola ali todas as vezes, mas a gente acredita muito no trabalho, né? Por que em questão de quantidade de treinamento, todo mundo treina igual. Não tem como, é pouca a diferença. O que vai diferenciar é essa parte psicológica, essa parte física, fazer essa parte de recuperação, comer bem, dormir bem, acordar bem no dia…
Figurinha repetida não enche álbum?
Figurinha repetida a gente brinca de bafo! Posso brincar com os meus netinhos! (risos)! A figurinha pode ser repetida, mas também pode ser de uma cor diferente! pode ser um ouro, Caio não tem não tem ouro Pan-Americano. Ele não tem um ouro olímpico. Então tem muita coisa para pensar, né?
E até Los Angeles tem outro Mundial, tem jogos Pan-americanos, tanta competição aí e a gente vai indo devagarzinho, uma competição de cada vez, se Deus quiser, né? Porque também não adianta, a gente pode fazer qualquer coisa, mas se ele não quiser não dá pra vencer. Mas a gente sabe que a gente vai trabalhar duro, vai se entregar. Vamos procurar nos cercar de tudo que a ciência e o esporte pode oferecer, para chegar lá na olimpíada no ague e fazer bonito.









