Competição aconteceu na Bulgária
A ginasta russa que deu as costas durante pódio da Copa do Mundo foi advertida pela World Gymnastics.
O comitê ad hoc da federação anunciou na terça-feira sua decisão a respeito do incidente envolvendo a atleta russa durante a final do arco na Copa do Mundo na Bulgária, onde ela permaneceu de costas no pódio durante o hino nacional ucraniano.
Após analisar o ocorrido na cerimônia de premiação do torneio de ginástica rítmica realizado em Sófia, em 30 de março, a Federação Mundial de Ginástica decidiu advertir Sofiia Ilteriakova, que competiu como atleta neutra individual, sob a alegação de que sua conduta poderia ser objetivamente considerada incompatível com o padrão exigido para quem participa nessa condição.
A decisão se refere a um episódio que se agravou rapidamente a partir do próprio pódio: Ilteriakova, medalhista de prata na prova, atrás da ucraniana Taisiia Onofriichuk e à frente da italiana Sofia Raffaeli, foi a única ginasta que não se virou para as bandeiras enquanto o hino da vitória era executado, em uma cerimônia regida por um protocolo que exige que as medalhistas fiquem de frente para os símbolos nacionais durante as atividades oficiais.
Em comunicado, a Federação Internacional de Ginástica explicou que, quando o hino da Ucrânia foi tocado e as bandeiras foram exibidas eletronicamente na tela atrás do pódio, a ginasta “não se virou para as bandeiras, como exigido pelas Regras da FIG para Cerimônias de Premiação”, uma infração que motivou a intervenção do comitê ad hoc. A federação acrescentou que os atletas da AIN “têm total responsabilidade de evitar qualquer ação que possa ser percebida como desrespeitosa ou politicamente motivada” e ressaltou que foi justamente por esse motivo que o caso foi submetido à revisão formal, de acordo com as regras vigentes e os procedimentos estabelecidos.
O órgão disciplinar afirmou ter levado em consideração “todas as circunstâncias, incluindo os esclarecimentos fornecidos pela atleta” antes de tomar sua decisão. Mesmo assim, concluiu que uma advertência formal deveria ser emitida. O alcance dessa decisão foi claramente definido pela própria federação: qualquer infração semelhante às regras da cerimônia, ou qualquer outra violação das regras ad hoc por parte de Ilteriakova, resultará na cassação de seu status de AIN.
A Federação Mundial de Ginástica afirmou que este “incidente lamentável” destacou a necessidade de esclarecer o protocolo que rege suas cerimônias de premiação “em conformidade com a Carta Olímpica”. Segundo a federação, já estão sendo feitos trabalhos para aprimorar tanto a implementação desse protocolo quanto a forma como ele é comunicado a todas as partes envolvidas, com o objetivo de garantir seu pleno cumprimento daqui para frente. “O esporte deve permanecer separado da política. Isso se aplica igualmente a todos os atletas, independentemente da nacionalidade”, declarou a entidade.
O caso gerou uma controvérsia sobre como o episódio deveria ser interpretado a partir do dia seguinte à cerimônia. A Federação Ucraniana de Ginástica afirmou, em comunicado, que a atleta neutra Ilteriakova “deliberadamente se afastou da bandeira da Ucrânia, demonstrando abertamente desrespeito ao símbolo nacional do nosso país e aos princípios fundamentais da Carta Olímpica”. No mesmo comunicado, argumentou que o gesto constituiu “uma violação direta das regras de conduta em cerimônias oficiais” e que o episódio confirmou que “o status de atleta neutro está sendo usado como pretexto para a expressão de opiniões políticas”.
A posição ucraniana foi além da esfera estritamente processual. A federação afirmou que “virar as costas para a bandeira ucraniana enquanto a guerra está em curso é um ato de hostilidade política” e classificou o ocorrido como uma forma de pressão psicológica sobre os atletas que competiam enquanto suas cidades continuavam sendo bombardeadas.









