Caio, aos 34 anos, é treinado por seus pais desde a adolescência, quando deixou o futebol e fez um teste no atletismo por sugestão do pai. A família é totalmente envolvida com a prova e tem agregados de fora. Dos 26 atletas da seleção oito são do CASO-DF. O clube tem dez integrantes na seleção contando os dois treinadores.
Além de estarem juntos na seleção brasileira a família dirige o CASO, Centro de Atletismo de Sobradinho (DF), que trabalha na formação de crianças e jovens e com o alto rendimento, incluindo os atletas olímpicos Gabriela Muniz e Max Batista, além de Elianay Barbosa, a marchadora mais experiente da seleção.
”O nosso trabalho é muito bem dividido. Eu assumi a presidência do clube e ele é o gestor. Ele cuida mais da parte burocrática e diplomática da gestão. Também é quem faz a planilha de treino, o planejamento. Estou mais no dia a dia, mais na execução. A gente conversa. Sou eu que vejo a parte técnica, corrijo os erros, faço a hidratação – sempre consigo entregar a cafeína”, comenta. ”Eu não me importo de ser chata porque o Sena é muito pai, compreensível e eu não, é alto rendimento cobro e pronto”, completa.
”A marcha atlética entrou de forma natural na família Sena Bonfim. A mãe era uma marchadora e Caio encontrou o ambiente certo para treinar a prova. A marcha atlética é uma benção de Deus na nossa vida e vamos dar continuidade a esse trabalho”, afirma João de Sena Bonfim.
Caio, casado com Juliana, é pai de Miguel, Theo e Manuel (completa um ano em julho). ”É pro senhor, cara” – disse, referindo-se ao pai João Sena na TV quando conquistou o ouro nos 20 km no Mundial de Tóquio (Japão). Também colocou a medalha no pescoço da mãe, assim que saiu do pódio. E disse: ”Miguel, meu filho mais velho, Theo, o do meio, Manuel, meu caçula – ’ganhei a medalha dele’. Minha esposa, minha mãe. Obrigado por acreditarem.” A prata olímpica ”era de Miguel, a prata Mundial do Theo, e o ouro, a última medalha a ganhar mais recentemente, do Manuel. O irmão Evam não é atleta, mas sempre acompanha.
Gianetti, que foi octampeã nacional, medalhista sul-americana e ibero-americana passou a ser treinadora ao encerrar a carreira. Cinco anos depois de sua estreia no atletismo, Caio já estava disputando sua primeira Olimpíada, aos 21 anos, em Londres-2012.
”De lá para cá foram sonhos e mais sonhos realizados. E nem nos meus melhores sonhos eu imaginaria estar ao lado da minha família, competindo na nossa casa em um Mundial pela primeira vez no Hemisfério Sul do mundo”, diz Gianetti, eleita a Melhor Treinadora de 2025 pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) e pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).