Por proibições, Rússia desiste de competição de ginástica rítmica na Romênia

A competição está sendo disputada em Cluj-Napoca

Foto: REUTERS/Hannah Mckay
Foto: REUTERS/Hannah Mckay

Por proibições de hino e bandeira, a Rússia desistiu de competição de disputar a Challenger Cup de ginástica rítmica na Romênia

A desistência foi motivada pela proibição imposta pelas autoridades locais, impedindo atletas do país sancionado pelo COI de exibir sua bandeira e hino nacionais na World Challenge Cup, em conformidade com a posição da União Europeia sobre a guerra na Ucrânia.

“Os organizadores nos informaram verbalmente que a bandeira nacional da Federação Russa não será exibida na arena e que o hino nacional não será tocado em caso de vitória de ginastas russos”, disse Linar Ginatullin, porta-voz do departamento de ginástica rítmica da Federação Russa de Ginástica, segundo informou nesta sexta-feira a agência de notícias nacional TASS.

Estava tudo pronto para que a competição começasse neste fim de semana e terminasse no domingo em Cluj-Napoca, a cidade romena que sedia o evento do calendário internacional. No entanto, na quinta-feira, o prefeito local, Emil Boc, declarou que tanto a bandeira quanto o hino nacional seriam proibidos durante a competição esportiva. O oficial argumentou que, quando a cidade concordou inicialmente em sediar o torneio, ainda vigoravam as sanções impostas em fevereiro de 2022 pelo Comitê Olímpico Internacional devido à invasão da vizinha Ucrânia pela Rússia — conflito que ainda persiste —, as quais impediam efetivamente que seus atletas competissem sob seus símbolos nacionais. Contudo, a Federação Internacional de Ginástica havia alterado recentemente tais regras para permitir a representação plena.

“A bandeira e o hino da Rússia não podem ser usados ​​em Cluj-Napoca. Respeitamos a posição da Romênia e da União Europeia sobre essa questão”, escreveu Boc nas redes sociais. “Apoio o esporte e as competições esportivas, mas não concordo que símbolos políticos de um Estado agressor na Europa sejam utilizados em um país membro da União Europeia”.

Para Ginatullin, “isso constitui uma violação direta da decisão tomada em maio pelo Comitê Executivo da Federação Internacional de Ginástica, segundo a qual os ginastas russos tiveram seus direitos plenamente restabelecidos”. A Federação Russa afirmou que buscará fazer valer as decisões da Federação Internacional de Ginástica por meio de mecanismos jurídicos internacionais.

O conflito decorre de uma recente mudança de política por parte da entidade máxima da modalidade, ocorrida após a Rússia e a Bielorrússia receberem sanções esportivas na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia — com o apoio da Bielorrússia —, situação em que seus atletas só podiam competir como neutros nos Jogos Olímpicos seguintes e em outras competições internacionais.

Em 18 de maio, o Comitê Executivo da Federação Internacional de Ginástica decidiu suspender as restrições anteriormente impostas aos atletas russos, permitindo que competissem internacionalmente sob a bandeira russa. A European Gymnastics seguiu o exemplo dias depois. Em dezembro de 2025, o Conselho Executivo do Comitê Olímpico Internacional já havia emitido recomendações permitindo que atletas da Rússia e da Bielorrússia participassem de competições internacionais utilizando e exibindo seus símbolos nacionais. Inicialmente, várias federações internacionais aderiram a essa proposta, com mais organizações se juntando gradualmente, incluindo a entidade máxima da modalidade.

Ginatullin afirmou que a decisão tomada na Romênia “viola a Carta da World Gymnastics e as disposições atualizadas da Carta Olímpica, concebidas para proteger o esporte e os atletas de qualquer pressão política, estatal, social ou econômica externa”, e acrescentou que a equipe nacional está pronta para competir em eventos onde as exigências da World Gymnastics sejam respeitadas.

A decisão da equipe russa de abandonar o torneio ocorre após uma forte reação em Moscou à postura das autoridades locais. O Ministro do Esporte, Mikhail Degtyarev, que também preside o Comitê Olímpico Russo, condenou a decisão do prefeito de Cluj-Napoca, descrevendo-a como um ataque direto às estruturas esportivas internacionais. O ministro afirmou que isso constituía “uma violação flagrante da Carta Olímpica e do princípio de neutralidade política no esporte”.

Antes da desistência da equipe nacional, a World Gymnastics tentou mediar a situação entre as autoridades locais e a federação nacional. “Estamos negociando atualmente com as partes envolvidas para encontrar uma solução adequada”, disse um porta-voz da World Gymnastics à agência de notícias estatal russa RIA Novosti na quinta-feira.

Degtyarev também afirmou que o lado russo fará todo o possível para garantir que a Romênia perca o direito de sediar competições internacionais de ginástica, ou mesmo competições internacionais de qualquer natureza. “Isso deve servir de lição para este país e para seus funcionários locais mesquinhos”, disse ele.

Regys Silva

Regys Silva

O surtado original. Criador do site em 2011 e louco pelas disputas da final olímpica do badminton até a final C do skiff simples do remo.Cearense e você pode me achar em Regys_Silva
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