Relógio de contagem regressiva para as Olimpíadas levanta questões sobre prazos das instalações em Brisbane 2032

Quarta feira foi celebrada a data de 6 anos para os Jogos de 2032

Foto: Darren England/AAP Image via AP
Foto: Darren England/AAP Image via AP

Uma ave nativa insistente surgiu no pódio, quase como se estivesse combinada, no momento em que os organizadores se preparavam para revelar um relógio de contagem regressiva marcando os seis anos restantes para as Olimpíadas de 2032.

O prefeito Adrian Schrinner mencionou a presença oportuna da íbis-branca em seu discurso de boas-vindas, brincando com o público que não seria um evento em Brisbane sem a aparição de uma “bin chicken” (algo como “frango de lixeira”), apelido coloquial dado à ave.

Existe um movimento local, feito com bom humor, para que a íbis se torne a mascote dos Jogos de Brisbane, em vez de um dos animais nativos mais conhecidos da Austrália, como o canguru ou o coala.

Schrinner não perdeu o ritmo, e a ave se afastou antes que o grande relógio digital da Omega iniciasse oficialmente a contagem regressiva na quinta-feira, no calçadão da Queen Street, no centro da cidade.

Isso ocorreu poucas horas depois de a Autoridade Independente de Infraestrutura e Coordenação dos Jogos publicar projetos reformulados para o Centro Aquático Nacional, que sediará eventos olímpicos.

O novo relógio destacou ainda mais o tempo cada vez menor para as obras olímpicas; quase cinco anos após Brisbane conquistar o direito de sediar os Jogos de Verão, nenhuma grande obra foi iniciada no estádio principal, orçado em 3,6 bilhões de dólares australianos (2,6 bilhões de dólares americanos).

Andrew Liveris, presidente do comitê organizador de Brisbane 2032, afirmou que não há motivo para pânico.

“Seis anos é um prazo perfeitamente adequado para a construção, mesmo sob condições de pressão”, disse ele. “Estou muito confiante de que as contingências foram planejadas para permitir que isso aconteça.”

Liveris contou que se reuniu com a presidente da comissão do COI, Kirsty Coventry, recentemente — na segunda-feira, em Nova York —, logo após a final da Copa do Mundo.

“Tivemos uma longa conversa sobre cronogramas, instalações e esportes, e estamos confiantes de que não estamos chegando ao limite do prazo final”, afirmou.

No ano passado, o Comitê Olímpico Internacional apoiou o plano revisado de instalações do governo de Queensland, após várias tentativas frustradas, declarando que os Jogos de Brisbane estavam “no caminho certo”.

Ainda existem grupos que se opõem à construção de grandes instalações esportivas nas áreas verdes do centro da cidade, além de uma preocupação mais ampla com o aumento dos custos para a realização dos Jogos. A GIICA, autoridade coordenadora, só assumiu a posse do local em Victoria Park — destinado ao estádio principal com capacidade para 63.000 espectadores — no mês passado, após a polícia retirar os manifestantes.

O controle do local adjacente, destinado às competições aquáticas, só será obtido em setembro. Os organizadores não revelaram se a capacidade temporária para os Jogos — inicialmente projetada em 25.000 lugares — foi reduzida para evitar estouros no orçamento.

Independentemente de qual seja essa capacidade temporária, Schrinner afirmou que o legado — uma instalação permanente com 8.000 lugares — seria “fantástico”.

O governo do estado de Queensland, principal financiador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2032 (com o apoio dos governos federal e local), devolveu o projeto original da instalação aquática para a fase de planejamento devido a questões orçamentárias.

O governo de Queensland “está agindo de forma responsável, dadas as condições e a variação de custos”, disse Schrinner. “É preciso fazer ajustes no plano, e é exatamente isso que está acontecendo; é uma atitude responsável.”

Mais de uma dúzia de novas instalações esportivas estão sendo planejadas, incluindo um controverso centro de remo em Rockhampton, uma cidade costeira no centro de Queensland. Críticos argumentam que o impacto das marés e a presença de habitat de crocodilos no rio Fitzroy tornam o local inadequado para sediar eventos olímpicos.

Liveris afirmou que todas as instalações ainda passavam por processos de validação e análise, incluindo a de remo.

“Até o momento, não tivemos ‘sinais vermelhos’, mas sim alguns ‘sinais verdes’ muito bons e alguns ‘amarelos'”, disse ele. “E estamos trabalhando neles para uma definição ainda este ano.”

Liveris informou que está preparando uma revisão orçamentária detalhada (do tipo bottom-up, ou seja, construída a partir dos custos individuais de cada item) para apresentar no início do próximo ano, após a finalização do programa esportivo pelo COI.

Regys Silva

Regys Silva

O surtado original. Criador do site em 2011 e louco pelas disputas da final olímpica do badminton até a final C do skiff simples do remo.Cearense e você pode me achar em Regys_Silva
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