Resiliência, lidar com frustrações e um olhar para LA28: Surto Entrevista o paraciclista Lucas Prado

Nesta edição do Surto Entrevista, Prado falou da transição do atletismo para o paraciclismo e o mundo novo a se descobrir da modalidade

Foto: Thiago Lemos
Foto: Thiago Lemos

Esta semana, o paraciclista Lucas Prado concedeu entrevista ao Surto Olímpico para falar da carreira, passagens pelo goalball e futebol de 5, além do seu longo período no atletismo, que lhe rendeu participações em Paralimpíadas e Parapans.

Abaixo você pode conferir a entrevista na íntegra:

SO: Desde já, Lucas, obrigado por aceitar o convite. E a minha primeira pergunta era sobre esse começo no esporte, que foi em 2004, com o Futebol de 5. Lá se vão quase 22 anos. Como foi esse começo? 

Lucas: Prazer, meu nome é Lucas Prado. Cara, minha história se resume em pequenos comecinhos, né? Em 2000, entrei no Banco do Brasil. Em 2002, acabei tendo um acidente de trabalho. Foi um descolamento de retina. Acabei ficando cego. E passei por um ano de cirurgia, e onde que acabou não podendo ter mais salvação, de voltar a enxergar. E daí pra cá, entrei num estado de depressão muito grande. E aí eu tinha um amigo meu cego, que era do futebol de cegos, da seleção brasileira. E onde ele falou que tinha esporte pra cego. Eu já conhecia ele antes de ficar cego. E onde ele fez o convite. E eu falei: cara, como que cego pode jogar bola sem ver? Ele falou, não, você vai ver, você vai gostar. E fui com ele pra Cuiabá. E onde que eu fiquei, no Instituto de Cegos, lá no CTA. Aprendi a me locomover, comecei a jogar no esporte. E daí foi a trajetória que começou tudo. Que foi onde houve a minha reabilitação, minha salvação. De voltar a ser alguém de novo, ser vivo de novo. Porque foi um estado depressivo muito grande, com a perca da visão. E comecei a gostar. Eu sempre gostei do esporte. Comecei a treinar, comecei a jogar futebol. E aí como eu sou um cara muito individualista. Gosto de me dedicar muito. E aí acabei indo pro goalball junto também. E daí, cara, eu brigava muito com meus parceiros dentro de quadra. Brigava muito pra se dedicarem mais. Aí acabei recebendo um convite. Finalzinho de 2005, pelos amigos meus que eu tinha. Falavam: cara, você é um cara que corre bem. Por que você não faz um teste no atletismo? E acabei fazendo esse teste de atletismo. E daí pra cá, estou até hoje no esporte. No atletismo. E aí, depois de 20 anos no atletismo, eu comecei a pedalar, eu sempre gostei de pedalar. Na época da pandemia, eu tive uma trajetória pra ficar em casa. Pra treinar, pra manter o nível, acabei comprando uma bicicleta. E eu e meu piloto começamos… o meu guia. Começamos a pedalar em Joinville. E aí, meu treinador, que é do atletismo, viu. Nossa, você pedala bem.Você tem que fazer um teste no ciclismo. E aí, eu vinha de cirurgia de quadril, de lesões. Aí, cara, acabei aceitando esse teste aí. E estou aí agora no ciclismo.

SO: É, você transitou por vários esportes, né? Passou pelo goalball também? 

Lucas: Passei. No goalball, nós fomos campeões brasileiros.Pelo futebol também. Fomos cinco vezes campeão brasileiro pela EMC. Mas, assim, o esporte que eu me destaquei realmente foi o atletismo. E agora, tenho um novo sonho aí de me destacar no ciclismo. Estou no começo agora, né? Fazendo a transição em atletismo e ciclismo ainda. Acabei acabando aqui agora a Taça Maringá e a Taça Brasil.Eu estou indo pra São Paulo pra disputar o Open Internacional de Atletismo, né? Que é uma competição importante durante o ano no atletismo. Que é uma prova que eu ainda gosto muito. 

SO: O Open Internacional é nesse fim de semana, né?

Lucas: É, no próximo fim de semana agora lá. Que vai ser no meio de semana, na verdade. Vai ser dia 12, 13 e 14. E vai ser no Ibirapuera. No estádio novo reformado agora, né, cara? Que é uma maravilha. Depois de tantos anos, eu voltar lá de novo pra competir. Minha primeira competição no Ibirapuera foi em 2007 no Mundial de Cegos. Onde eu fiz as minhas melhores marcas do mundo. E logo depois eu fui pro Pan-Americano no Rio de Janeiro. Onde que eu me destaquei bastante também.

SO: Exato. E a reforma do Ibirapuera ficou ótima. Bom, Lucas, você foi amplamente vitorioso no atletismo.Você já disputou duas Olimpíadas, quatro Parapans ao longo da história: Rio, Guadalajara, Toronto e Lima.No caso das Olimpíadas, você disputou Pequim e Londres 

Lucas: E Rio de Janeiro. 

SO: Rio de Janeiro também? 

Lucas: Rio de Janeiro e Tóquio.

Lucas: Então, mas assim, é porque eu machuquei. Eu tive uma lesão séria no Rio de Janeiro. É devido a 2015 que eu vim do Mundial de Doha, que eu tinha rompido o tendão do joelho. Aí faltando um mês pros Jogos do Rio. Eu tive uma lesão que ela tava quase cicatrizada e eu entrei na prova.Eu passei pra final e aí os médicos me vetaram porque era o risco de eu romper o músculo total. E em Tóquio foi a mesma coisa. Em Tóquio eu tive uma lesão no abdômen.E onde que eu tive quase a romptura total de todos os músculos do abdômen, do lado direito da barriga. E aí não deixaram eu competir a final porque era um risco muito grande à saúde. E aí foi duas competições que eu me frustrei muito, né, cara? Eu fiquei muito triste com isso.Bom, o quão as disputas e os resultados, as disputas tanto dos Parapans quanto das Olimpíadas podem agregar de lições, tanto na vida quanto na carreira? Cara, a do Rio de Janeiro foi um gosto amargo que eu tive, né? Por o jogo ser em casa. Eu estava numa expectativa muito grande, eu estava muito bem treinado pra isso. É o aprendizado que o corpo da gente chega no limite extremo e nem sempre é o que você quer, né? O mundo dá muita volta. Eu tive, em 2017, abri mão do Mundial de Londres que eu tinha lesionado no Rio. E aí logo em seguida depois era o Mundial em Londres e eu não quis ir pro Mundial porque eu falei que eu vou tratar, vou sarar essas lesões. Aí em 2019 eu vim como campeão do mundo, batendo o recorde mundial da prova, fazendo a melhor marca da minha vida, correndo 10,95. E o aprendizado é sempre, cara, que é… O esporte, ele te molda, né, cara? Ele te molda quando você tá no seu melhor… Eu falo pra todo mundo: quando você tá no melhor nível da sua performance, você tá no melhor nível pra se machucar. Então o esporte tem hora que ele é muito ingrato.Você treina um ano todinho pra correr 10, 11 segundos ali que passa muito rápido. E quando você para, você consegue alcançar o nível ou quando você não consegue, você para, reflete e você fala: cara, o que que deu errado? O que que não deu? O que que posso melhorar? O que que eu não posso? É muita coisa acontecendo na cabeça e isso tem muitos atletas, se não tiver a capacidade pra administrar isso, isso surta, fica depressivo. É um impacto muito forte, cara. Então o atleta, ele tem que estar muito bem preparado, porque se ele não estiver muito preparado, ele entra em depressão. É os dois lados. Eu falo que o esporte hoje é os dois lados da moeda. O mesmo tanto que ele te dá, ele te toma. Então se você não estiver preparado, é muito difícil, cara. É complicado. Já vi amigos do esporte cair em drogas, sair do esporte, entrar em depressão, entrar em drogas, entrar em bebidas. E já vi pessoas saírem da bebida, saírem da droga, entrar no esporte e ser um atleta excepcional. Então nós temos esses dois lados da moeda do esporte.

SO: E assim, Lucas, pra lidar com essas dores, com essas frustrações até de, por exemplo, não ter competido nas Paralimpíadas do Rio em 2016, de precisar se ausentar em Tóquio, precisar tratar essas lesões, o quão a força mental, especificamente, a resiliência e a força mental podem ser preponderantes pra essas coisas, podem ser fatores essenciais?

Lucas: Cara, eu falo que isso é o primeiro passo. Não adianta só o atleta ser bom. Hoje eu falo por mim, e como eu digo, e vejo em muitos atletas hoje que nós temos bons atletas, talentosos, só que nós não temos atletas com capacidade mentais de suportar a prática disso, de você levar seu corpo ao extremo e a mente ao extremo. Então, não vou falar pra você que nunca cheguei a pensar, caraca, tá difícil, vou desistir, vou parar. Não, mas eu falo, não, calma aí. Por que eu tenho que parar? Não. Se tá vindo essa dificuldade é porque eu aguento, então vou. E eu tenho uma equipe muito boa que trabalha comigo, eu tenho o meu psicólogo, que é o Fabrício, que estamos há uma longa data já juntos, que eu me cobro muito, eu gosto de estar em alta performance, eu me dedico, eu vou ao limite mesmo. E aí quando eu vejo que as coisas, quando tá encaixando, começa a dar errado, eu falo, cara, ele sempre fala pra mim, não, o que você pode fazer de diferente? Aí eu falo, opa, calma aí, então eu posso fazer isso. Então é isso, cara, que hoje é o grande link, de você ser bom, de você não ser bom e você trabalhar pra ser bom, e de você ter o dom e não saber aproveitar. Então assim, hoje eu até falo pro meu treinador, os outros falam assim, eu não nasci com talento, eu não tive esse privilégio de ter talento, mas eu sou um cara muito determinado no que eu quero. Então assim, quando eu quero alguma coisa, eu boto na minha cabeça e vou até o final, entendeu? Independente da circunstância. Quando eu comecei no atletismo, hoje eu falo pra todo mundo que eu tive muitas pessoas que fez eu chegar a ser o que eu sou hoje, tem pessoas que me ajudaram, pessoas que me encaminharam, pessoas que me deram dificuldade pra isso e que me fez eu passar pra chegar onde que eu estou hoje, que acho que quando vem muito de mão beijada hoje, que eu vejo hoje com esse treinamento, a estrutura que tem, eu cometei paralímpico brasileiro, aparecem atletas que já chegam no melhor nem nunca sofreu e não se formam com caráter, com bons assim, então esse é o grande lado ruim, entendeu? Então assim, tem hora que as dificuldades fazem a gente criar uma forma boa. Que não precisava, não precisamos ter dificuldade sem ter uma estrutura boa, legal, mas quando eu falo pra todo mundo, quando eu comecei no esporte, eu andava cento e poucos quilômetros de Curitiba a São Paulo pra treinar com o meu treinador, eu voltava, porque eu não tinha guia, hoje eu comecei um esporte, saí lá do centro de treinamento, que é uma estrutura surreal, fui pra Indaiatuba pra começar um ciclismo, pra começar uma coisa nova, é tudo diferente, é um mundo diferente, então assim, tem dificuldades, tem limitações, e eu tô lá, tô tentando, e eu quero ser um campeão do mundo em 28, no ciclismo, quero também poder correr no atletismo, uma prova ainda, quero treinar ainda pra me fechar com chave de ouro, que eu acho que não é injusto ter duas performances boas em duas Olimpíadas e ter duas performances ruins no atletismo, então eu quero fechar esse ciclo aí no atletismo com uma medalha pra me redimir comigo mesmo das lesões que eu tive nas provas, que eu não poder competir, porque aí não é você, aí é o seu corpo que não aguenta, então quero chegar a fazer isso ainda pra 28, e é isso, cara.

SO: Bom, até emendando esse tópico de Los Angeles, enfim, você tava falando aí da questão de conquistar uma medalha, como você enxerga esse cenário, o ciclo paralímpico do Brasil pra Los Angeles, como é que ele tá ficando no seu entendimento? 

Lucas: Cara, o ciclo paralímpico ele tá tendo uma reformulação muito grande no paralímpico, então assim, tão mudando muitas coisas, os atletas velhos tão saindo, indo pras outras modalidades, o Misael, ele criou um projeto de transição de carreira lá no CPB, pra aproveitar esses atletas de outras provas, de outras modalidades, que podem, que já tem um perfil de atleta, que já são atletas renomados, se adaptar em outras modalidades, que tem talento, que leva um tempo pra você melhorar, mas que você não precisa formar do zero, é uma ferramenta que você consegue aproveitar esses atletas em outras modalidades, isso foi uma ideia genial dele, tá sempre pegando aqueles atletas que tem, querendo ou não, tem um talento escondido, que não foi aproveitado, então isso é muito bom, e o tempo que dá pra pegar esses atletas novos, que tão começando, até chegar no nível que é o nível da performance, então isso é muito bom. O esporte tá crescendo muito, o esporte cresceu muito no Brasil inteiro em si, tanto olímpico como paralímpico, e é muito bom, isso é muito gratificante, hoje eu tô no ciclismo, no paraciclismo, e treinando com atletas olímpicos lá em Indaiatuba, então o aprendizado é muito bom. 

SO: E pra além disso, como que você analisa, o que você pensa sobre o cenário atual do esporte paralímpico no Brasil? Há muito pra se evoluir, há muito pra se percorrer? 

Lucas: Ah sim, hoje eu vejo que o esporte, tanto olímpico como paralímpico, nós temos muita mão de obra, nós temos muitos atletas bons, só que infelizmente, hoje, tanto das confederações como dos comitês hoje, tanto olímpico como paralímpico, é muitos atletas pra poucos espaços, igual hoje, meu ponto de vista hoje, meu ponto de vista, eu Lucas Prado, eu pra mim, tinha de ter em cada estado um centro de treinamento, e eu pra mim, em cada escola hoje, de formação, de pré até o último ano, terceiro ano, faculdade, o esporte tinha de ser uma matéria, entendeu? Aprender, passar por todas as modalidades hoje, então não só esperar um treinador olhar, então isso tinha de ser uma matéria dentro das escolas, pra fomentar, pra ter estrutura, pra ter condições, mas nós estamos novos ainda, nós estamos aprendendo muito ainda, nós temos muito potencial e pouca infraestrutura, pouca mão de obra, porque quando aparece um atleta, o cara já sofreu muito quando chega naquele nível lá, o cara pra ganhar uma medalha, o cara quer ir embora do país, porque o país não comporta, não tem uma estrutura digna pra um atleta se manter. Então isso é o lado ruim hoje do esporte. 

SO: Resumidamente, no seu entendimento, falta investimento e falta valorização, um pouco mais de valorização no sentido de infraestrutura? 

Lucas: Falta infraestrutura, falta valorização, o atleta ter condições de treinar, entendeu? Ter, não precisar se deslocar, não precisar sair do seu estado, não precisar ir embora, não sair do porto seguro que é a família, ainda falta muito isso, falta o Brasil que tem que evoluir muito nisso, tanto no Olímpico como no Paralímpico. Tá melhor, tá melhorando, porque assim, eu tô há 22 anos e não tinha isso, o que tem hoje. Mais falta, mas tá sendo construído devagarzinho, eu acho que, igual eu falei, como nós não temos essa cultura e pra essa cultura ser emplacada, tem que mudar muita coisa ainda no Brasil. 

SO: O que mudou de 22 anos pra cá, desde o seu começo no esporte até os dias de hoje e qual a sensação de ter passado por vários esportes, você estar onde está hoje, ter conhecido vários lugares, disputado olimpíadas, jogos pan-americanos e hoje ter um novo desafio, né? Praticar um novo esporte é sempre algo desafiador, né? Enfim, como tá sendo esse novo desafio no paraciclismo? 

Lucas: Cara, essa trajetória minha de 22 anos pra cá, eu saí de Santa Catarina, fui pra São Paulo pra fundar o Comitê Paralímpico Brasileiro ali no centro de treinamento, que se não fosse eu mais 5, 6 atletas, acho que o centro de treinamento não existiria, que nós saímos da nossa casa pra ir pra lá. Muita gente não sabe disso. E esses atletas hoje, que a maioria se aposentaram de eu que tô aí ainda nativa, é muito gratificante. Você chega lá, vê o centro de treinamento e fala assim, se não fosse nós isso aqui não existiria. É muito bom.Então, esse legado que nós deixamos pra esses atletas, que talvez amanhã, mas depois ainda nós não vamos ver, meu sonho é, são 28 estados, em cada estado tem um centro de treinamento desse top pra cada atleta sair, treinar, fomentar, tanto olímpico como paralímpico. E essa minha jornada pro ciclismo, cara, ir pro paraciclismo é poder levar essa estrutura e mostrar pros outros atletas que todo mundo pode. Porque, querendo ou não, o ciclismo é um esporte muito caro hoje. Pra você ter uma bicicleta boa, você ter equipamentos bons, viagens, você disputar no nível dos caras lá fora, eu fui disputar agora uma Copa do Mundo lá fora, os caras tão muito na nossa frente em termos de estrutura, muito mesmo. Então, assim, mas não é impossível chegar no nível dos caras. Tô agora vindo pra cá, tô conversando muito com o coordenador Tubiba, e é um cara que me conhece já do atletismo, ele foi coordenador, diretor do atletismo por muitos anos. E isso, essa parceria agora, mais 10 anos aí, mais pra frente, nós vamos fazer o ciclismo paralímpico chegar a ter uma medalha nas paralimpíadas em 28. Isso daí pode gravar que nós vamos chegar nesse nível aí. 

SO: E o quão essa parceria de longa data pode te ajudar no paraciclismo e até pra esse decorrer de uma já vitoriosa carreira que já vem de outros carnavais, de outras épocas?

Lucas: Cara, essa parceria é muito bom porque o Tubiba já conhece meu perfil, sabe como que eu já sou determinado. Eu sou o guerreiro, gosto de desafios novos, e acho que pra isso é o essencial pra ter essa confiança, entendeu? Então nós estamos nessa batalha, eu quero como foi pra Pequim, na minha primeira competição paralímpica, a ter um cego mais rápido do mundo a bater, a ser o único atleta do mundo do Brasil a ter três medalhas nos jogos da edição. Então eu quero fazer isso no ciclismo. Já falei pro meu treinador, que é o Armando Carmada, que é um atleta do ciclismo, um cara que tô aprendendo muito com ele. E eu falei pra ele que eu quero ser campeão nos 200, no 1000 e no 4000. Ele falou: rapaz, não é impossível. Eu falei, é difícil, mas não é impossível. Então eu tô nessa busca aí, porque são três provas. Não é igual o atletismo, são especificadas diferentes.Então assim, eu tô querendo muito chegar nisso. Mas se eu não conseguir chegar nas três, pelo menos uma dourada eu quero trazer.

SO: E como é que anda a preparação pras competições que vêm pela frente? 

Lucas: Cara, eu finalizei agora a Taça Brasil Internacional, que é onde abre vaga pro Mundial na Holanda, que vai ser o Mundial de Pista do dia 28 a 1º de novembro. Que já tô com umas marcas muito boas. Foi a minha primeira competição que eu nunca tinha pedalado em pista. Fiz umas marcas muito boas. Vou tentar melhorar agora nessa Taça Maringá Internacional também. Eu acho que é esse nome.Não sei ainda o que o congresso foi ontem, eu não sei o nome do campeonato. É duas competições dentro de uma. Finalizei com três ouro.Fiz minhas melhores marcas. E agora eu quero, dessas marcas que eu fiz agora essa semana, que foi terça, quarta e quinta, eu quero repetir agora, melhorar essa marca que vai ser sexta, sábado e domingo. Trouxe três horas nesse primeiro campeonato. E agora eu quero trazer mais três nesse outro campeonato agora. E focar também que vai ser o campeonato brasileiro de pista lá em Dayatuba, que vai ser no mês de outubro. Depois desse campeonato brasileiro, já vai pro Mundial na Holanda, em Abrador.

SO: Perfeito. E agora na Taça Brasil algumas provas foram adiantadas. Nesse fim de semana, como você disse, já tem essas novas competições pela frente. E pensando nisso, conta pra gente como foi essa disputa da Taça Brasil pra você e em quais provas você obteve os três ouros?

Lucas: Foi uma disputa muito emocionante, né cara? Que eu nunca tinha corrido, né? Eu tô com um piloto novo, que é um piloto que não treina comigo lá em Indaiatuba. Mas nós já estamos vendo isso pra levar ele pra lá, pra nós treinar. E foi uma primeira pra ele pilotar uma Thunder, muito difícil. Uma prova muito rápida, é uma prova que a bicicleta vai no limite. Hoje eu sou atleta dos 200 metros, sou atleta do 1KM, eu sou atleta dos 4KM, que é a prova de perseguição. Eu consegui as três medalhas de ouro nessas três provas. Foi uma prova muito técnica, muito difícil, assim, por ser minha primeira. Mas é aquele nervosismo, né? Todo atleta tem esse nervosismo, mas agora quebramos o gelo da primeira prova, e agora nós vamos entrar pra fazer agora a performance mesmo, pra performar nas três provas de novo. 

SO: Perfeito. E diante dessa sua transição do atletismo pro paraciclismo, o que você espera encontrar na modalidade e quais os seus objetivos com o paraciclismo?

Lucas: Cara, com o paraciclismo é ser o primeiro atleta cego a trazer a medalha de ouro pro Brasil. Na prova de pista, e tentar uma medalha de ouro na prova da estrada também, que nós não temos até hoje um atleta ainda que faça isso. Então eu quero essa meta, esse é o meu objetivo pra 28. E o objetivo pro ano que vem é estar nos Jogos Parapanamericanos, que onde foi tudo um começo, eu tô vendo o paraciclismo como um começo. Em 2005 pra 2006 eu comecei o atletismo, e agora de 26 pra 27 eu tô começando o ciclismo. Então tá sendo… meu primeiro Mundial com pouco tempo de treinamento, tô indo pro meu primeiro Mundial de pista, que foi o que aconteceu comigo em 2005 pra 2006, que foi meu primeiro Mundial no atletismo, e na Holanda, que foi em Arcen. Então eu vejo que eu tô reescrevendo uma história onde tudo começou no atletismo, e onde vai tudo começar no ciclismo também. E eu pretendo performar-se uma boa trajetória nessa carreira aí do ciclismo. 

SO: E diante dessas coincidências, acho que deve passar um filme na sua cabeça, né? 

Lucas: Cara, passa, e por isso que eu quero ir nesse Mundial.No Mundial de Arcen eu fui medalha de prata. Então agora nesse Mundial de Abrador na Holanda eu quero tentar trazer a medalha também pro Brasil aí. Independente das cores, eu quero o ouro, né? Mas como vai ser meu primeiro, eu quero entrar com o pé mais firme agora, porque quando eu entrei no atletismo, eu achei que eu conseguiria ganhar a medalha de ouro e não foi.Então agora eu quero treinar bastante pra chegar lá no Mundial, trazer a medalha pro Brasil. 

SO: Tem mais algum sonho em mente com o paraciclismo? 

Lucas: Cara, é levar o Brasil na medalha de ouro em 2028, que é o meu sonho mesmo. Me consagrar pros atletas que tudo é possível, mostrar pra todos os atletas que eu já ajudei nessa trajetória do atletismo, que se sonhar e se dedicar, é possível você chegar a ser um atleta melhor do mundo e levar o Brasil e ouvir o hino nacional, né? Acho que é a coisa mais linda que quando você ouve aquele hino nacional, você revê um vídeo da sua vida todinha passando ali em poucos segundos naquela música.

SO: Enfim, você ouviu muitas vezes na sua carreira: seja em parapans, em campeonatos mundiais, em até olimpíadas, em outros esportes que você disputou, acho que a sensação deve ser maravilhosa, né? 

Lucas: É, cara, é uma sensação que não tem como descrever, velho. Tudo que você passa, aquele sofrimento, aquela disputa, você tá ali representando o seu país, não é nem você que tá representando as duzentas e poucas mil pessoas que moram no Brasil e você tá levando aquela bandeira, aquele nome do Brasil pra todo mundo ver, acho que é o maior prêmio que a gente recebe, né, cara? Não é o dinheiro, não é a conquista em si, e sim você tá representando cada ser humano do Brasil. Exato, deve ser um negócio realmente fantástico.

João Hudson

João Hudson

Cearense com muito orgulho. 20 anos de idade, passei por Esporte News Mundo, VAVEL Brasil e FutCearense.
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