Os Jogos Olímpicos de Atlanta foram bem problemáticos no geral, mas para o Brasil, foi um marco para o esporte
Para o Brasil, as olimpíadas de Atlanta, que completam 30 anos neste domingo (19), são mais do que especiais. São um marco de que o país poderia ser uma nação muito mais competitiva nos Jogos Olímpicos. Recorde de delegação, 225, e de medalhas, 15 no total, mis do que as dois últimas olimpíadas somadas, um salto quantitativo que nunca mais foi repetido nas olimpíadas seguintes.
E uma série de fatores que causaram esse ‘boom’ do Brasil no quadro de medalhas. O primeiro foi que finalmente, patrocínios massivos aconteceram. De acordo com os jornais da época, desde que Carlos Arthur Nuzman assumiu o Comitê Olímpico Brasileiro em 1995, foram captados 8 milhões de reais em patrocínios, além dos incentivos dados pelo ministério do esporte, na época, liderado por Pelé. Com mais dinheiro em caixa, as confederações conseguiram trabalhar um pouco melhor e assim consolidar seus talentos que estavam despontando.
Outro feito que ajudou o Brasil a ser catapultado nos jogos foram as mulheres. Finalmente, 76 anos depois da estreia do Brasil em Jogos olímpicos, 64 depois da estreia da primeira atleta – Maria Lenk – o Brasil finalmente subiu ao pódio. E com outro feito que nunca mais foi repetido, uma final Brasil x Brasil no vôlei de Praia, com Jaqueline e Sandra vencendo Mônica e Adriana. Nos outros esportes coletivos, mais medalhas, com a prata do basquete e bronze no vôlei.
A diversidade em medalhas foi um grande feito do Brasil em Atlanta, com nove modalidades – atletismo, basquete, futebol, hipismo, judô, natação, vela, vôlei e vôlei de praia, com muitas medalhas sendo inéditas. Vela e natação, graças a nomes como Robert Scheidt, Torben Grael e Gustavo Borges, assim como o judô, que manteve sua sequência de pódios- sequência esta que perdura até hoje. Sem contar que tivemos modalidades que não foram ao pódio, mas tiveram os melhores resultados da história até então – quarto lugar no futebol feminino e tênis masculino (Fernando Meligeni), oitavo na canoagem velocidade (Sebastian Cuattrin) e nono no tênis de mesa (Hugo Hoyama).

Atlanta também foi marcante para o esporte paralímpico brasileiro, que em sua primeira participação sendo capitaneada pela CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro), criada um ano antes, conseguiu bons resultados, começou a criar ídolos como Antonio Tenório e Ádria dos Santos, terminou com 21 medalhas, também um salto quantitativo que foi só foi aumentando com o passar dos anos.
Como dito acima, o Brasil deu um salto quantitativo que não se repetiu mais, o que também não é nenhuma tragédia. O Brasil nunca mais ficou abaixo de 10 medalhas nas olimpíadas seguintes, conquistando um total de 116 medalhas entre Sydney 2000 e Paris 2024, 77 a mais do que o período entre Antuérpia 1920 e Barcelona 1992. Pode se queixar de que o Brasil após ser sede olímpica, não conseguiu dar outro salto nas medalhas, mas a pandemia de Covid-19 pode ter afetado esse crescimento mais tímido.
Sabemos que pela nossa dimensão continental, poderíamos ter desempenhos muito melhores em Jogos olímpicos se todo os esportes – e não somente um só – fosse apreciados e praticados, mas se temos uma situação hoje um pouco melhor dos anos amadores, deve-se aos bons ventos sopraram na caótica olimpíada de Atlanta – sim, este jogos foram um caos, que posso contar um dia como foi – e nos guiaram devagar, mas em frente em rumo às medalhas.









